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Mostrando postagens com o rótulo ficção

Um conto de Juliano Garcia Pessanha

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Há algumas semanas comecei a escrever um novo capítulo da tese. Quando estou na fase de escrita, fico totalmente obsessiva e monotemática, daí o post de hoje. É para dizer: estou viva, mas estou escrevendo, então, por ora, pertenço apenas à obra de Juliano Garcia Pessanha, o assunto deste capítulo. Para terem ideia dos estranhos lugares por onde tenho transitado, colo abaixo um pequeno conto do autor que se encontra disponível online no site na n-1 edições . Qualquer semelhança com Kafka não é mera coincidência. Alguma hora eu volto a aportar em terra firme. E por aí, quais são as novidades? Há alguma esperança? Fotos do evento Litercultura , realizado em Curitiba em 2016, quando conheci JGP. Diário de bordo (Juliano Garcia Pessanha) Dia 200. Prossegue a nossa viagem. Perambulei a noite inteira pelo barco e sentei-me na cadeira em frente ao mastro. Em vão, minhas mãos buscaram a memória de alguma fisionomia. Devo ter passado a última manhã estraçalhado por pesadelos, pois...

Súmula dos fracassos literários

Aos 9 anos, publiquei uma ficção científica moralista com o título de "Aventuras intergalácticas". Mesmo não sabendo pronunciá-lo direito, insisti no nome. Eu era ambiciosa, só queria o que não tinha, porque eu não tinha mesmo nada. Aos 12, comecei a escrever um livro de fantasia meio gótico chamado “Ilusões e fanatismo”. Aos 16, um de poesia sem título que tinha a ver com o esfacelamento da tradição, em ambos os sentidos: a tradição que oprime o sujeito e a tradição já quase desaparecida. Aos 23, trabalhei por uma ou duas páginas na sátira social “Ser romântico no século XXI”, um olhar irônico sobre o meu primeiro livro de adolescência e as ciladas amorosas que haviam me roubado da literatura nos últimos anos. Aos 25, achei que estava madura o suficiente para escrever um romance intitulado “Elegia da gente viva”. O fato de ser um livro pós-moderno indicava que eu definitivamente não estava. Esse último foi o que consegui levar mais adiante, até hoje não o assumi como...

Janelas provisórias

Eu tenho duas janelas, enormes, pelas quais o sol da manhã inunda meu quarto-cozinha, o que a gente diferenciada gosta de chamar de "loft", mas, para bom entendedor, ainda é uma "quitinete". Esse foi o principal motivo para eu ter me mudado para cá. A vista anterior, um muro e uma gaiola com uma calopsita berrando, quando penso nela, nas raras vezes em que faço isso, parece irreal, como um pesadelo que se dissolveu no momento em que abri os olhos, despertada por este sol farto que me toca todas as manhãs. Quando abro a janela, espero pelo tropel de um cão só. É Pólux que vem me saudar, esperançosa de que eu a convide para o café da manhã. Ultimamente o pão tem sido pouco, mas ela sempre vem. Não importa a hora, ela se levanta e vem, olhando para cima e lambendo seu focinho castanho. Se não tenho comida em casa, lanço-lhe beijos, mesmo sabendo que ela preferiria um bolo. Seu favorito é o de mexerica, mas ela aceita qualquer oferta e volta a dormir. Esta é uma jan...

O chiqueiro: esboço de uma nova teoria do afeto humano

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Quatro ou cinco profissionais do Judiciário debatiam, numa tarde de domingo, questões da mais alta importância nacional, como o preço da soja, os novos modelos de colheitadeira, a ignorância do povo em geral. Explico aparentes incoerências. Primeiro, não estavam em seus escritórios e gabinetes como os cargos fazem supor, afinal, era dia de descanso; encontravam-se, isso sim, num leilão de gado promovido pela igreja matriz de Ângulo, embora nada impedisse que também conversassem sobre aqueles assuntos em seus locais de trabalho, como de fato faziam. Segundo, o número de participantes da conversa oscilava devido à natureza do evento, em que os lances disputavam a atenção desses fazendeiros de fim de semana, ávidos por aumentar seus rebanhos. Um pouco mais, um pouco menos grisalhos, eram cidadãos de bem: um juiz, dois advogados e um cartorário, além de um sujeito que ninguém sabia exatamente o que fazia, mas que tinha sido incorporado à roda por sua constância no fórum, onde aparecia d...

O estranho

Dentro de uma galeria comercial, dessas que cortam prédios ligando duas avenidas, descobri uma pequena lanchonete. Deve ser suja – não era. Então deve ser cara – também não era. Fiquei. Pedi pão-de-queijo e laranjada e me acomodei numa mesa de canto, de frente para a porta. O movimento das pessoas atravessando a galeria era incontabilizável. Eu fisgava nesse rio humano flashes de rostos sérios, carrinhos de bebês puídos, sacolas plásticas usadas para fins não-comerciais. A gente é tanta e tão diversa. Não pode haver universalidade nas pessoas; talvez só haja nessa ternura que sinto indistintamente por todas. Embora estivesse deserta quando entrei, a lanchonete foi se enchendo enquanto eu esperava meu lanche. Vi, de rabo de olho, um moço de barba completamente fechada, mas de olhos ainda infantis, sem um pingo de cinismo. Noutra mesa, um senhor de cabeça perfeitamente redonda, tão grande e desajeitado com seu terno maior ainda. Todos, conforme tinham seus pedidos atendidos, sentavam...

Na Bocasa

Como se diz boca em alemão? Acho que é Mund, só não tenho certeza do artigo, eu chutaria der. Isso! Der Mund, so... Ich möchte alle am Mund küssen. Engraçado, eu tava pensando agorinha mesmo nisso: dieser Platz ist ein Mund. Ein Rauchermund, para ser mais precisa. Was sagst du? Rauchermund, boca de fumo em alemão. Não, o que eu falei antes foi am Mund küssen. Aaah, você quis dizer boca-boca. Rolam por aí umas histórias de que eu falo alemão quando estou bêbada. Não sei, sempre que esse fenômeno acontece, eu estou bêbada demais para prestar atenção. Mas, naquela noite, pude observar a estranha magia suceder com minhas amigas, e, sim!: bêbados têm o dom de se expressar em alemão!, mas comigo nada. O máximo que consegui foi uma dúvida pelo resto da noite sobre o maldito gênero. Nada para se estranhar – eu tava sóbria. Aliás, eu era a única pessoa sóbria naquela boca de fumo. Boca desastrida, ai, se alguém ouve! É falta de consideração chamar a casa de alguém de boca de fumo, não é? Ti...

Como se dar bem

Faz o seguinte. Pega uma mina insegura e dá bola pra ela, assim de leve. Quase toda gostosa se odeia, se acha feia-chata, tá louca por um pouco de tapa na cara dum cachorrão que nem você. É fato. Aproveita, cara. É o que todas elas querem. Até as que não parecem são umas vadias loucas. Daí você faz aquela função, passa o fim de semana junto, fala dos assuntos dela, olha no olho, dá um pouco do mel pra ela provar. Tá me acompanhando, né, nem preciso dizer mais nada. É isso aí. Faz ela acreditar que você tá abrindo mão do seu precioso tempo livre por ela. Não tem erro. Só não esquece de deixar bem claro que você gosta dela apesar de ela ser a merda que é. Vai semeando, dizendo que o mundo inteiro lá fora não presta, que só você se salva, que ela tem sorte de tá perto, que nem você entende o que tá acontecendo, mas que você é verdadeiro demais pra ir contra, vai indo de boa, só você sabe o que é a vida, o que fazer com ela. Ensina ela quem manda, quem é a pessoa interessante da relação e ...

Roteiro para um filme de zumbis

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No meio de uma floresta, fim de tarde. Um homem corre, atrás dele há uma horda de zumbis. A câmera em primeira pessoa em relação ao humano. Respiração ofegante, ele está próximo ao portão de um forte. Até que ele tropeça, cai e testemunha as dentadas em seu corpo. Grito ecoante, pássaros voam. A câmera sobe do corpo sendo estraçalhado e segue em direção ao tal forte. Panorâmica. Vemos o local todo tomado por zumbis. Corpos humanos pela metade. É aí que descobrimos que o filme não se trata de humanos resistindo a zumbis, mas do fim da espécie humana e a luta que isso implicará entre as criaturas. Aparece o título na tela em letras cor de sangue: “Zumbis canibais”. Noite, chove. Zumbis se rastejam por todos os lados, lentamente, sufocando, não há mais carne humana. Famintos, se entregam ao solo esperando pela segunda morte. Um raio ilumina o céu. Um zumbi se levanta da lama e começa a escalar uma torre. No meio da subida, um raio o atinge, ele cai. Tela preta. Manhã. Um pássaro...

Exercício de prosa I

(Para evitar mal entendidos, gostaria de deixar bem claro que este é um texto de ficção. Era para ser um conto, mas acho que, no fim das contas, não passa de uma crônica. Sou como o personagem de Machado de Assis, Pestana, que só consegue produzir polcas, nunca sinfonias. Que pelo menos vocês dancem ao som delas e se divirtam!) -- (sem título) Você se lembra daquelas garotas? Elas passavam reluzentes no corredor da escola. Até o uniforme às sete e trinta da manhã caía bem nelas. Grandes coisas! Isso de nada lhes valia no final do ano, quando já estávamos de férias e elas ainda estudavam duas semanas a mais para as provas de recuperação. Agora, no resto do ano, aquilo lhes valia ouro. Era no mínimo um convite para festa por semana. Chegava segunda-feira, o segundo escalão – as aspirantes não tão bem dotadas de beleza nem dinheiro, porque, injustamente, uma só se manifesta em presença do outro – tratavam de divulgar todos os detalhes sórdidos. Reza a lenda que elas nunca repeti...

Crime em família - parte final

(Não sabe do que se trata? Leia a parte 1 .) A pedido do meu neto mais velho, volto para terminar o relato do caso que comecei a investigar há algumas semanas. Sim, o mistério da dona Geraldinha foi resolvido, mas de forma tão sinistra que preferiria nunca mais pensar no assunto. Na verdade, nem entendi bem por que tenho que continuar. O Matheus só disse: “Vó, a senhora é a nova celebridade do Twitter. Tá todo mundo louco para saber a solução do caso. Não vai amarelar, hein?”. Preferi não perguntar quem era esse tal de Twitter para não passar por desatualizada. Imagino que seja alguém muito importante, no nível do Faustão ou da Ana Maria Braga. Tem também aquele mocinho do Fantástico que fala umas coisas muito engraçadinhas. Não lembro o nome, talvez seja até da turma do Twitter. Vou prestar mais atenção no próximo domingo. Onde havíamos parado mesmo? Ah, sim, lembrei. Depois que eu vi o rapaz mexendo na fechadura do restaurante, fiquei desconfiadíssima. Passei várias horas de bu...

Crime em família - parte 3

Adentrei o ambiente pestilento com a certeza de que, num momento de distração, acabaria tropeçando num cadáver. Para acabar com essa ansiedade, procurei logo a fonte do fedor. Vinha da cozinha. Graças a Deus, minhas suposições logo se mostraram infundadas. Tudo o que encontrei foram dois caldeirões de feijoada abertos sobre o fogão industrial. Deviam estar lá desde o sumiço de dona Geraldinha e sua família, isto é, cerca de cinco semanas. Imagine só todo aquele feijão fermentando e a carne de porco apodrecendo. Estava explicado o mau cheiro. Por via de dúvidas, dei uma busca geral por corpos escondidos. Tudo vazio e, à primeira vista, no seu devido lugar. O restaurante parecia pronto para atender os clientes: mesas postas, pilha de pratos e talheres limpos, travessas no buffet. Apenas uma fina camada de poeira e o cheiro, claro, indicavam o abandono do lugar. Pelo visto, naquele dia, eles se prepararam para atender, só que, entre as 10h30 e as 11h30, algum imprevisto aconteceu. D...

Crime em família - parte 2

O obstáculo que me aguarda nesta noite é mais árduo que qualquer mistério que Miss Marple já tenha resolvido. Um desafio quase impossível: colocar este corpo velho e maltratado na cena do crime. O local não é de tão difícil acesso. Trata-se de uma casa térrea, aproximadamente 100 metros quadrados, cercada por um pequeno quintal e protegida por três muros de dois metros e, na frente da fachada, uma grade de um metro que qualquer criança conseguiria pular. Pena que não seja o meu caso. Levei quase três dias para articular o plano. Nosso bairro é um dos últimos na cidade que ainda se pode considerar “de família”. Quando o relógio da igreja anuncia as 22 horas, já não há vivalma na rua. Todos em casa, assistindo à sua novela, se preparando para dormir. Isso me tirou um grande problema das costas: entrar sem ser vista. Oras, bastava sair à noite. Às 21h30, meu velho já roncava alto na poltrona. Sugeri a ele que fosse se deitar na cama, e lá se foi ele, resmungando o quanto eu o tornav...

Crime em família

Há todos os elementos para esse ser um caso dos bons. Briga de família, desaparecimento, mistério. Esta ordem, presumo, seja como os fatos se sucederam, mas na minha profissão a gente vê tanta coisa que fica difícil abandonar de todo o ceticismo. Eu não me espantaria se primeiro tivesse acontecido o desaparecimento, que, por sua vez, causou a briga, aquela que muitos vizinhos testemunharam e que ainda hoje se comenta nas redondezas. Antes de prosseguir com as conjunturas sobre o caso “Dona Geraldinha”, apresento-me. Sou Miss Zampieri, detetive particular, mais conhecida como Dodô pelas amigas do clube de tricot e pelos poucos familiares mais velhos do que eu. Obviamente vocês estão pensando: eis a Miss Marple brasileira! Pensei o mesmo quando, entediada dos longos anos de aposentadoria, conheci essa simpática personagem de Agatha Christie. Somos idênticas na personalidade e nos hábitos, quem sabe, então, eu também não daria uma boa detetive? E não é que deu certo? Apesar do machismo ...

A outra

 É cedo, o DJ apenas começou a esquentar. Ninguém ainda está tão bêbado, só as mulheres mais perfeccionistas fazem o primeiro retoque na maquiagem. Quando tocar Lady Gaga, e já está quase na hora, elas querem estar prontas para cair na pista e garantir o seu. Há uma pequena fila no banheiro feminino. Olha lá culpa de quem. Uma ruiva ocupa todo o espelho, onde caberiam perfeitamente duas moças mais modestas. Quem essa pensa que é? Nem tem cara bonita, também pudera demorar tanto. Então aquela colegial entra. Morena, reconchudinha, muito lápis preto nos olhos. Mal abriu a porta e quase deu de cara na última da fila – oito metros quadrados, dez mulheres, urina por todo chão. Localizou imediatamente o motivo do tumulto. Por um segundo, apertou as pálpebras, medindo o que sentia. Não queria parecer afetada pelo álcool, embora tivesse virado na última hora pelo menos dois blood maries, seu drink favorito entre os três que conhecia. Conseguiu perguntar num tom bastante sóbrio: ― V...

Conta-gotas

1) Frases fora de contexto: “Acabei.” “E aí, como foi?” “Ótimo. Nem vi o rapaz entrando!” 2) Frases no contexto original: “Oi. Liguei só para avisar que acabei de chegar a Curitiba.” “E aí, como foi de viagem?” “Ótimo. Dormi a viagem inteira. Acredita que quando partimos não havia ninguém ao meu lado, depois quando acordei, já em Curitiba, havia um cara. Ele passou por cima de mim, e eu nem percebi. Foi muito estranho. Nem vi o rapaz entrando!” ** As férias acabaram, e que venham os posts de 2010! Só para constar. Palmeiras já é lider após a primeira rodada do Paulistão. Sinto que este ano será especial no futebol. Mais sofrido do que o passado, impossível.

Minha namorada

― Pai, mãe, esta é a minha namorada, Billie. Na véspera, nós duas havíamos apostado o que eles criticariam primeiro – o fato de ela ser negra, mulher ou estar morta. Ao ver uma foto do meu pai, aquela carona de fazendeiro texano, ela colocou suas fichas na cor. Não, como típica família de classe média, que assiste todo dia à novela do Manoel Carlos, eles posariam de moderninhos e a acolheriam bem. Foi o meu palpite. Além do mais, quando ela colocava aquele vestido rodado branco parecia um quitute de casamento, linda e deliciosa. Era impossível não gostar dela. ― Mas, filha, vocês duas são mulheres. Como pretendem se casar e ter filhos? – disse meu pai num fio de voz. Ele estava tão chocado que não conseguia nem gritar, como sempre fazia por qualquer coisa, tipo, um livro fora do lugar ou a comida fria. ― Eu já lhes disse há anos que não quero ser nem esposa nem mãe. Não estudei tudo o que estudei para acabar derrotada por esse ideal capitalista e machista. ― Você e essas ideias...

Qualche piccolino pensiero

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Parquinhos me apavoram, pois me lembram pedofilia e assassinatos macabros. Sempre que passo por um, fecho os olhos e deseja que não haja mais ninguém para me pegar no flagra – seja testemunhando minha fraqueza ou a transformando em realidade. Hoje, quando eu cruzava aquele círculo de areia satânico, havia uma velha sentada na mureta. Trocamos olhares desconfiados por cinco segundos. Percebi que ela mexia bem devagar a mão em direção à sua bolsinha-de-velha. Mais do que veloz, atirei-me atrás de uma caçamba de lixo. Por um triz não viro mistura do RU. Velhinhas com lencinho de seda e broche no pescoço estão na mesma categoria de parquinhos. Juntando os dois, só pode se esperar um resultado: merda. ** Velhinhas japonesas, ao contrário, são sempre boas. Chapéu de pescador, calças curtas e sapatilhas. Sim, dulcíssimas. E há um quê a mais. Tenho certeza de que todas elas são capazes de ler a nossa alma. Nesta tarde, ainda atarantada com o incidente no parquinho, uma dessas senhora...

As mentiras que eu conto (parte II)

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Ah, os malditos CDs de bossa nova! Primeiro que eles fazem meu namorado reclamar que eu fico aérea demais – duvido que ele repetiria isso nos meus momentos de extremo estresse. E depois, essa coleção me obrigou a procurar o cafetão de olhos vazados. Era a semana do Johnny Alf – o bom crioulo com voz levemente desafinada e fascinante. Não achei o CD em nenhuma das bancas mais próximas de casa. Não havia outra solução: eu precisaria me submeter ao velho. Eu já conhecia essa caverna do diabo. Entrei lá pela primeira e última vez quando saiu o primeiro número da Rolling Stone brasileira (há dois anos?). Senti tanto nojo que prometi a mim mesma que nunca mais retornaria. Por isso repito: – Malditos CDs! Me levaram a esse lugar insalubre. Para vocês terem uma vaga noção, a banca tem forma de C, então há um pedaço onde não circula o ar, meio escuro e úmido. Como se não bastasse, o dono da bagaça, o tal velho asqueroso, fica lá dentro fumando um cigarro atrás do outro. Sempre odiei fum...

As mentiras que eu conto (parte I)

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Um post de volta ao velho formato: fragmentado e esquizofrênico. ** Falando em esquizofrenia, devo estar com um sério distúrbio, porque eu ri de uma piada do professor Mário. Foi assim. Ele havia entregado as provas de Ética e Legislação do Jornalismo. Alguém pergunta: — Professor, pode fazer em dupla? — Sim, mas só quem for esquizofrênico. Heh, eu devo ter rido de nervoso. Só pode. ** A caçada ao Vampiro de Curitiba chega ao final. Outro dia, conheci pessoalmente Dalton Trevisan. Essa é a melhor história da minha vida, então eu preciso contá-la direito. Vou tentar. ** Me bate, me chama de Ritinha Ritinha saía do colégio. A saiazinha de colegial dançava enquanto a dona cochichava com as amigas. De longe as espiava. Notaram: jovem e bonito. Riam, tentando abafar a boca com as mãos. Percebeu. Aquele som chamava. O pares de coxas roliças suplicavam por uma mão forte entre elas. — Oi, garotas. Conhecem alguma lanchonete por perto? — Tem uma logo ali, moço – respo...

Conto erótico ressussita das chamas do inferninho da paixão

Em breve, o retorno da história de amor que comoveu milhares de pessoas. Terrível, desvirtuada e sem coerência - como toda continuação deve ser. Após o top de 5 segundos. 5 Meu Deus, que alegria abrir o Word sem ser para escrever pautas! 4 Sexta-feira sem bar e sem sinuca. Eu sempre me supero. 3 Páscoa: época de comer chocolate impunemente, porque todos engordam juntos e você não ficará mais gorda que suas rivais. As idiotas que deixam de se entupir de chocolate sofrem mais do que deveriam por causa de uns gramas... 2 Sei lá como, meu pai descobriu este blog, portanto, inauguro aqui o início de uma era de censura. Mas, como sempre admirei o que o Pasquim fazia, também vou driblar os censores e ainda fazê-los rir sem perceberem que são o motivo de humor. 1 Olhem o que o homem que me pôs no mundo (não o médico, der, porque era uma médica) escreveu a respeito de sua descoberta: “Hoje a E. K. me falou que viu o blog da S. onde ela comenta matérias veiculadas em jornais e f...