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Mostrando postagens com o rótulo educação

Para que investir em humanidades e artes?

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Grande dia! Hoje havia papel e sabonete no banheiro da biblioteca da UF**. É raríssimo haver os dois, ainda mais no masculino. Tenho usado o masculino, porque o feminino está interditado desde o começo do semestre, sem previsão de conserto. Saindo de lá, pude voltar toda minha atenção para a leitura de Richard Rorty, já que não precisaria gastar energia mental pensando nos germes que eu carregava após uma ida ao banheiro sem os utensílios básicos de higiene. Hoje não! Com as retaliações, quero dizer, as contingências no Ensino Superior, muitos universitários têm ido a público para demonstrar a importância de suas pesquisas para a sociedade. Eu, como doutoranda em Teoria da Literatura e Literatura Comparada e bolsista da Capes, me sinto na obrigação de fazer o mesmo. Só temo não conseguir fazer isto tão rápido, angariar simpatias já à primeira vista. Tenham paciência para ler este texto e talvez, até o fim dele, quem sabe... Durante a minha pesquisa, não uso jaleco, nem bisturi, ...

CEPíada (epopeia de uma jovem professora)

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Homenagem aos 170 anos do Colégio Estadual do Paraná ― Filha, não vá nesta jornada! A luta é árdua –                           chorou-me a mãe. Súplica vã:                           jovens são surdos. ― Mestre sou, eu sei, mudo tudo. Pura arrogância, mudei nada. Emudeci.                           Faltou-me esteio, fugi rasteira.                           Estudo indigno foi que aprendi a amar nos livros? Após quimeras e ciclopes, mais favoráveis                           ventos sopraram. Olhos pousaram                           numa torre alva. Depus as armas, vi-me salva. Este...

Uma ideia para a educação

Outro dia me ocorreu que é preciso ter coragem para fazer mudanças radicais no sistema de ensino, coragem que ninguém teve até agora. Por enquanto, ficamos em timidezes como aumentar o repasse nacional de verbas (e, logo depois, cortar), implantar um currículo parcialmente unificado (ainda em discussão), incentivar professores a se afastarem para especializações, sendo que, quando voltam para a sala de aula, reencontram as mesmas condições de trabalho e precisam se readaptar a elas. Não é isso que vai criar uma pátria educadora. Na verdade, essas pequenas mudanças são apenas um alívio de consciência para os gestores de educação – para não os acusarmos de não terem tentado. Sequer chegam a tocar no problema maior: nosso sistema de ensino básico, e até o técnico e o superior em muitos casos, é uma linha de produção. Às 7h15, uma dose de binômio de Newton; às 8h05, um toque de fenóis; às 8h55, uma amostra dos milhares de tipos de concordância verbal de sujeitos compostos; às 9h45, atual...

Para que servem os professores de português?

Examinando um site de concursos públicos, constatei que a demanda por professores de ramos técnicos e científicos é muito superior às vagas de língua portuguesa, justo essas que eu procuro. Após desistir do jornalismo, devido ao encolhimento da mídia impressa e ao meu desinteresse por comunicação empresarial, encarei uma segunda faculdade (Letras) e, às vésperas de me formar, levo esse baque de novo. Ora, eu tinha raciocinado quatro anos atrás, enquanto o ensino básico fosse obrigatório e o português integrasse o currículo, professores seriam sempre necessários! Parece que não. O principal motivo, pelo menos aqui no Paraná, é a bancarrota do Estado. Embora o déficit no quadro de docentes já tenha sido denunciado, inclusive um dos motivos para a greve histórica deste ano, não há previsão de novos concursos. Sabe-se lá Deus como os colégios estaduais estão lidando com essa situação. Alunos me relataram caso de professor de geografia dando aula de filosofia, então, já dá para ter uma ...

Como me tornei elitista

A partir da polêmica que meu artigo “Antiantielitismo” provocou recentemente ( leiam o texto original aqui ), gostaria de, neste post, pôr mais lenha na fogueira. Quanto às acusações de ser elitista e dos comentários de ódio em geral que recebi, prefiro não responder, porque: a) aceito e até espero que discordem da minha opinião, dado que é só uma opinião e não a verdade absoluta; b) escrevi aquele artigo já com o propósito deliberado de provocar polêmica e estou ciente de que, se eu não mexesse com cachorro grande, ninguém se incomodaria e não estaríamos discutindo esse tema que eu julgo tão importante; c) discursos de ódio costumam se calcar em preconceitos, e quem os pratica não está disposto a escutar argumentos alheios, então não vou gastar meu tempo falando ao vento; d) as ofensas só ofendem quando a gente ama demais o próprio ego; e) se eu tiver que explicar o que quis dizer com o meu texto, isso significa que ele foi um fracasso do ponto de vista da comunicação e é melhor ...