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Mostrando postagens de abril, 2010

O Evangelho segundo Lula

Cristóvão Tezza Publicado em 7/04/2010 na Gazeta do Povo contato@cristovaotezza.com.br Sentindo-se solitário e triste na escuridão do final dos tempos, disse Lula: “Fiat Dilma!” E Dilma se fez. E Lula viu que estava razoável, contratou um instituto de beleza e outro de opinião, e viu que com ele ninguém podia, e resolveu separar os bons dos maus e a luz das trevas, para uma nova batalha celeste. E acalmou seu rebanho indócil e arregimentou profetas de outras colônias para sua nova missão; chamou os anjos mensaleiros, convocou os santos antigos e ungiu velhos inimigos convertendo-os à Guerra Santa pelo báculo Lulista. “Vai ser fácil!”, bradou ele na Assembleia do Purgatório, e os anjos abraçados fizeram “Hurra! Hurra! Hurra!” E Lula viu que isso era muito bom e foi descansar. E no segundo dia Lula resolveu desenterrar o Príncipe das Trevas, o satânico FHC, e viu que isso era bom; e lançou contra ele a Voz do Senhor, e separou as águas puras das impuras, o Bem do Mal, o Fim e o Iní...

Crime em família - parte 3

Adentrei o ambiente pestilento com a certeza de que, num momento de distração, acabaria tropeçando num cadáver. Para acabar com essa ansiedade, procurei logo a fonte do fedor. Vinha da cozinha. Graças a Deus, minhas suposições logo se mostraram infundadas. Tudo o que encontrei foram dois caldeirões de feijoada abertos sobre o fogão industrial. Deviam estar lá desde o sumiço de dona Geraldinha e sua família, isto é, cerca de cinco semanas. Imagine só todo aquele feijão fermentando e a carne de porco apodrecendo. Estava explicado o mau cheiro. Por via de dúvidas, dei uma busca geral por corpos escondidos. Tudo vazio e, à primeira vista, no seu devido lugar. O restaurante parecia pronto para atender os clientes: mesas postas, pilha de pratos e talheres limpos, travessas no buffet. Apenas uma fina camada de poeira e o cheiro, claro, indicavam o abandono do lugar. Pelo visto, naquele dia, eles se prepararam para atender, só que, entre as 10h30 e as 11h30, algum imprevisto aconteceu. D...

Crime em família - parte 2

O obstáculo que me aguarda nesta noite é mais árduo que qualquer mistério que Miss Marple já tenha resolvido. Um desafio quase impossível: colocar este corpo velho e maltratado na cena do crime. O local não é de tão difícil acesso. Trata-se de uma casa térrea, aproximadamente 100 metros quadrados, cercada por um pequeno quintal e protegida por três muros de dois metros e, na frente da fachada, uma grade de um metro que qualquer criança conseguiria pular. Pena que não seja o meu caso. Levei quase três dias para articular o plano. Nosso bairro é um dos últimos na cidade que ainda se pode considerar “de família”. Quando o relógio da igreja anuncia as 22 horas, já não há vivalma na rua. Todos em casa, assistindo à sua novela, se preparando para dormir. Isso me tirou um grande problema das costas: entrar sem ser vista. Oras, bastava sair à noite. Às 21h30, meu velho já roncava alto na poltrona. Sugeri a ele que fosse se deitar na cama, e lá se foi ele, resmungando o quanto eu o tornav...

Vida de estagiário pode virar série!

Dando uma pequena pausa na novela policial, eu tive que postar isto! Já adorava as tirinhas da "Vida de Estagiário", do Allan Sieber, agora posso também ver a adaptação para a TV! Achei que ficou muito boa e divertida. Dá de dez a zero na da Aline, da TV Globo. Vida de Estagiário from TV Brasil on Vimeo .

Crime em família

Há todos os elementos para esse ser um caso dos bons. Briga de família, desaparecimento, mistério. Esta ordem, presumo, seja como os fatos se sucederam, mas na minha profissão a gente vê tanta coisa que fica difícil abandonar de todo o ceticismo. Eu não me espantaria se primeiro tivesse acontecido o desaparecimento, que, por sua vez, causou a briga, aquela que muitos vizinhos testemunharam e que ainda hoje se comenta nas redondezas. Antes de prosseguir com as conjunturas sobre o caso “Dona Geraldinha”, apresento-me. Sou Miss Zampieri, detetive particular, mais conhecida como Dodô pelas amigas do clube de tricot e pelos poucos familiares mais velhos do que eu. Obviamente vocês estão pensando: eis a Miss Marple brasileira! Pensei o mesmo quando, entediada dos longos anos de aposentadoria, conheci essa simpática personagem de Agatha Christie. Somos idênticas na personalidade e nos hábitos, quem sabe, então, eu também não daria uma boa detetive? E não é que deu certo? Apesar do machismo ...

Green Dwight