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Mostrando postagens com o rótulo solidão

Coleção de vídeos para vivenciar e entender a deprê

Meus amigos já estão cansados de receber sugestões desta página, The School of Life , mas deixo aqui uma pequena coletânea que pode ser útil para quem estiver passando por um momento de crise parecido com o que estive/estou passando. A verdade é que eu me abri muito nos posts passados justamente imaginando essa pessoa que poderia estar precisando de ajuda, como eu também estava, mas sei lá... acho que está sendo um esforço inútil, só exposição gratuita, uma vontade grande de me fazer útil para alguém ou uma esperança muito tola de alguém sentir pena de mim e me acolher. Não quero mais fazer isso, quero voltar à programação normal, só publicar textos opinativos sobre temas interessantes, exercitar um pouco minha má literatura, essas coisas... Então, ficam abaixo os vídeos para acompanhar aquele que nunca cheguei a abandonar, porque a pessoa nunca nem soube da minha existência e sequer quis ser ajudada por mim. Sobre sentir-se deprimido:  https://www.youtube.com/watch?v=UoLWYhwROBI...

Quarentena

No 40º dia, comecei a ver com clareza quem eu era, onde eu estava, para onde eu ia. E sorri com serenidade. Muita compaixão por mim e por aqueles que cruzaram comigo, afinal, o caminho não era o meu, era o nosso -- eu só não havia visto o tanto de gente que rastejava, saltitava, corria, voava ao meu lado, pois eu era um espectro faminto, só enxergava o que parecia alimento para saciar o meu vazio. Entendi o valor dos 40 dias... anos... demônios... ministros... A tentação, a queda, a morte que precedem a luta, a ascensão, a vida. Se estou viva foi porque morri. Parei de lamentar a decadência do meu império. Era lindo, sim, muito imponente e me custou tanto trabalho, mas em algum momento ele já não era mais coisa alguma, senão uma lembrança. Então eu própria meti fogo em tudo e me permiti chorar enquanto ruía, depois enxuguei o rosto com as cinzas até eu mesma virar cinza. Pó, terra, matéria disforme. Nada, possibilidade, sonho. Venci o deserto quan...

Diário da crise existencial (os falsos aliados)

Só Deus sabe o quanto nesta vida resisti à tentação de dar indiretas nas redes sociais, mas esta mensagem será bem direta. Digo-a em prol da minha sanidade mental, não por algum tipo de vingança. Uma breve contextualização. Quando a gente está passando por uma longa fase depressiva, lutando para reconstruir uma existência neste mundo, tende a buscar ajuda em vários lugares, até obsessivamente, porque a gente não consegue ficar sozinha com os próprios pensamentos -- eles são tão terríveis que precisamos nos distrair de nós mesmos. O problema é que, na hora do desespero, podemos recorrer a pessoas que não querem o nosso bem, são os falsos aliados. Essas pessoas tentam tirar alguma vantagem da nossa vulnerabilidade e, após conseguirem ou porque não conseguiram e começa a ser muito trabalhoso insistir, desaparecem, fazendo a gente se sentir ainda mais abandonada do que já estava inicialmente. Felizmente, estou vacinada contra esse tipo de pessoa e, quando isso acontece, eu tento me des...

Como encontrar um bom companheiro

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“Melhores sites de encontro”, “Como conhecer homens”, “Sites de encontro para pessoas inteligentes”, “Experiências afetivas autênticas”. Acabo de confirmar que o Google não tem resposta para tudo, ao menos não conseguiu responder a essas pesquisas satisfatoriamente, por isso escrevo este texto. Quando vocês fizerem as tais buscas e também se frustrarem com os resultados, me encontrarão aqui, igualmente frustrada, então poderemos sentar e conversar sobre aquilo que nos chateia ou só ficarmos em silêncio, nos sentindo menos pressionados ao perceber que esse não é um problema exclusivo nosso. Talvez esta seja até uma das grandes questões do nosso tempo. Podem estranhar: encontrar namorado é a grande questão da atualidade? Não diretamente, mas tem relação, sim, já explico. Não é segredo para ninguém que as redes sociais atingiram seu sucesso com base na solidão e nas inseguranças de seus usuários. Basicamente todos se sentem mal com relação à própria vida em algum momento (ou quase se...

Crise existencial acadêmica

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Alguém se reconhecerá no desabafo abaixo? Pensei em dividir estas angústias para lhes dizer: não estamos sozinhos em acharmos que estamos sozinhos. Porém, mesmo não estando sozinhos no sofrimento, a sensação de solidão ainda é imensa, então não acaba sendo verdade que estamos mesmo sozinhos? Bem-vindos ao clube da eterna crise da pós-graduação! E olhe que nem comecei o doutorado ainda... Diálogo mental com meu escritor favorito (preencha aqui o nome de sua preferência): Você que chegou lá, que eu tanto admiro por publicar livros de verdade, me diz como se faz para atingir um ponto em que você se sente seguro de que sabe muitas coisas ou pelo menos sabe muito bem poucas coisas? Quanto mais eu leio e penso, mais evidente fica minha ignorância sobre tudo. Isso na boca de um Sócrates, cujo valor intelectual está bem provado, parecem palavras de sabedoria, mas num contexto de modernidade, em que você é um novato precisando provar para pessoas capacitadas a sua capacidade quando voc...

Abortos: Volta

Neuza esperou até o táxi virar a esquina e se arrastou para dentro de casa, com a solenidade que a vizinhança esperava dela. Assim que fechou a porta, correu ligar o rádio e dançou ao som de Juliano e Jandaia. Em 32 anos de casamento, era a primeira vez que tinha a casa toda só para ela, motivo mais do que suficiente para comemorar. Férias das faxinas diárias, dos almoços completos, das trocas semanais de lençol – homem sua demais! Deitou no sofá, ligou a TV, riu ao pensar que, às 18h45, ninguém reclamaria da geladeira mal abastecida. No segundo dia, repetiu à risca sua nova rotina. Com três décadas de cansaço acumulado, tinha todo o direito! Sem perceber, pegou a mania de vagar pelos cômodos da casa e começou a encarar a TV antes como um consolo do que uma opção. Apesar disso, tomava sua dose diária de tédio e falta de sentido. Mudanças arriscam pioras, e ela preferia o mal conhecido. Depois de 41 dias, quando Nestor voltou, ela se sentiu salva. Para não parecer dependente, soltou um ...

O dia em que resolvi parar de ter aquelas conversas profundas sobre o sentido da vida e comecei a vivê-la

Um dia produtivo, daquele tipo que adoro. Eu voltava para casa de bicicleta, satisfeita e cansada. O problema foi o horário: ainda eram sete horas da noite. Vislumbrei a cena. Eu abriria a porta, seria recebida por aquele silêncio denso, não teria ninguém para quem ligar, nenhum bicho para alimentar, só restaria o computador e o trabalho pendente. Se encarasse mais uma dose de obrigação, arruinaria aquela quinta-feira, que já estava na medida certa, e iria dormir com a sensação de mais outro dia repetido, igual ao anterior e ao anterior e ao anterior. Enrolei-me no caminho de volta, esperando uma solução mágica. Foi então que encontrei rostos conhecidos. Gente de quem nem gosto muito, mas era uma oportunidade de conversar. Fiquei superexcitada, me atropelei, falei mais do que devia. Quando me dei conta, revelava àquelas pessoas de quem nem gosto muito o quanto eu vinha me sentindo solitária. E isso já faz uns quatro anos, mas elas supuseram que era uma condição que se arrastava de ap...

Um poema de Paulo Leminski

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[sem título] um passarinho volta pra árvore que não mais existe meu pensamento voa até você só pra ficar triste LEMINSKI, Paulo. Toda Poesia . São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 70

Sobre o amor

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"O amor é uma grande estranheza: aí estão dois, cada um deles uma estrela diferente, e ninguém pode saber jamais sobre o outro. E de repente não há mais distância nem tempo, e eles se precipitam um sobre o outro, de modo que não sabem mais nada de si nem nada um do outro, e também não precisam saber mais nada. Isso é amor." BROCH, Hermann. Esch ou a anarquia / 1903 . São Paulo, Benvirá, 2011. p. 176. Esse livro não trata muito do amor, a passagem citada é um pequeno desvio do tom geral da obra, que trata da decadência de valores. Broch é altamente irônico diante das relações interpessoais modernas (tudo entra numa grande contabilidade, ganhos e sacrifícios). Esta é uma obra prima que pouca gente leu, recomendo!

Sobre a solidão

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(Antes de tudo: eu já escrevi sobre esse tema aqui? Aposto que sim. Só espero não repetir argumentos. Se contrariar afirmações passadas, tanto melhor; significa que estou viva. Acho que quando a gente não se dá mais o direito de mudar de opinião, daí, meu caro, é velhice na certa, e do pior tipo: aquele que atinge todas as faixas etárias. Há quem seja acometido por esse mal aos vinte anos e atormenta as pessoas ao redor durante décadas infindas.) Fato um. Há algumas semanas, um menino me disse que a solidão era uma condição permanente e que não poderia ser remediada nem com a presença de outras pessoas. Tão pouca idade e já pessimista assim! Se bem que eu também pensava coisas desse tipo na adolescência, época tão radical. Se a vida adulta tem uma vantagem é a capacidade de olhar para as coisas com mais suavidade, sem fazer tempestade em copo d’água. Mas suprimi tal comentário para não aumentar o abismo entre nós. À toa: o abismo já estava estabelecido. Fato dois. Primavera nes...