Elegia da gente viva (parte 3, capítulo 32)
Nota explicativa: estou publicando duas vezes por semana (às quartas e aos domingos) capítulos do meu romance “Elegia da gente viva”, ainda inédito. Para ter acesso ao sumário com os capítulos já publicados, clique aqui.
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32. Planta (2)
Havia duas semanas que a planta não recebia água. Seu dono teria viajado? Do outro lado da sala, o orégano, a salsinha e o alecrim estavam nas últimas, sequinhos, estirados na terra esturricada. É verdade que todos tinham sido mal-acostumados pelas borrifadas diárias de água mineral, plantas de prédio. Nunca aprenderam que a chuva não caía sempre, sobretudo naquele ano de 2014 em São Paulo. Apenas o manjericão resistia um pouco mais dignamente, valendo-se de seus caules espessos. Era uma planta com um plano: fugiria do vaso.
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