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Mostrando postagens de agosto, 2015

Os Arnolfini

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Mulher vestida de azul e lenço branco,  Não fossem manto de veludo verde,  Metais no punho e no pescoço, rendas,  Na Renascença, a virgem Mãe seria – Adolescente com tão dura sina. Toma-lhe a mão o homem que compra tudo. Noiva amorosa a se entregar inteira A tal sujeito, Carniceiro-Mor.  E o troco dele? Nem sorriso volta.  Rico não sofre culpa: pilha ouros,  Assina acordos, tranca em cofre todos.  Cada estação, o homem só veste luto. N’águas vermelhas, ela nasce Vênus. Promessas velhas renovadas sempre – Todo o poder e a glória, a prole e o nome. Nem assim fica satisfeito, o rico Não ri. Até afeto poupa o rídico. Salve esta bela união: bens conjuntos. Graça da casa, o cachorrinho dela,  Atrevidinho vem, amor da moça.  Mete-se à frente de qualquer humano,  Hierarquia interespécie ignora. “Nojo me dá tanto xodó, senhora”. Nada suporta um homem tão casmurro.  A dama brilha no pincel do intruso,...

O estranho

Dentro de uma galeria comercial, dessas que cortam prédios ligando duas avenidas, descobri uma pequena lanchonete. Deve ser suja – não era. Então deve ser cara – também não era. Fiquei. Pedi pão-de-queijo e laranjada e me acomodei numa mesa de canto, de frente para a porta. O movimento das pessoas atravessando a galeria era incontabilizável. Eu fisgava nesse rio humano flashes de rostos sérios, carrinhos de bebês puídos, sacolas plásticas usadas para fins não-comerciais. A gente é tanta e tão diversa. Não pode haver universalidade nas pessoas; talvez só haja nessa ternura que sinto indistintamente por todas. Embora estivesse deserta quando entrei, a lanchonete foi se enchendo enquanto eu esperava meu lanche. Vi, de rabo de olho, um moço de barba completamente fechada, mas de olhos ainda infantis, sem um pingo de cinismo. Noutra mesa, um senhor de cabeça perfeitamente redonda, tão grande e desajeitado com seu terno maior ainda. Todos, conforme tinham seus pedidos atendidos, sentavam...

Corpo corpo corpo corpo corpo corpo corpo porco porco porco

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Testando, testando. asdfg asdfg asdfg. Tem alguém na linha? Oi! Hoje vou fazer um post mais pessoal (o que não é muito a regra deste blog, e nem pretendo que seja, mas o assunto exige uma honestidade completa), então puxa uma cadeira, chega aqui pertinho e finge que minha vida te interessa. Vai que, no fim das contas, algo da minha experiência tem a ver com a coisa que tá te grilando no momento. Por exemplo, você já digitou no Google “dieta sem sofrimento”, “exercícios para afinar cintura”, “dicas para emagrecer rápido” ou similares? Meu histórico virtual denuncia tudo isso. Os amigos se irritam quando conto para eles, mandam eu largar de ser besta e olhar no espelho, porque eu sou magra. Sim, sou magra, mas a custo de autocontrole alimentar e exercícios, não aquele tipo naturalmente magra que come de tudo (odeio as modelos que dizem isso em entrevistas, não pode ser verdade!). E, como mulher comum, vivo o drama diário de, se der uma descuidada, a calça já aperta. Daí corro para o...