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Mostrando postagens de março, 2013

Diário de uma mestranda [2]

Às vezes quando eu abro o documento de Word da minha dissertação, vejo que tem algumas páginas a mais do que eu me lembrava. É raro, mas acontece. Desconfio de que, quando eu estou longe do computador, um duende faz o trabalho por mim. Dilema 1: isso é plágio? Quando eu leio as novas inserções, percebo que elas não têm pé nem cabeça. Apesar disso, nunca apago. Vou lapidando até aquilo fazer algum sentido. Nem sempre consigo. Dilema 2: devo contar ao meu orientador sobre o duende quando ele meter o pau no que escrevi?

Diário de uma mestranda [1]

Hoje tive um ótimo insight para a dissertação enquanto cagava. Talvez o Lactopurga seja a solução para os meus problemas acadêmicos. Uma dúvida: devo mencioná-lo na dedicatória?

Um poema de Paulo Leminski

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[sem título] um passarinho volta pra árvore que não mais existe meu pensamento voa até você só pra ficar triste LEMINSKI, Paulo. Toda Poesia . São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 70

Sobre o amor

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"O amor é uma grande estranheza: aí estão dois, cada um deles uma estrela diferente, e ninguém pode saber jamais sobre o outro. E de repente não há mais distância nem tempo, e eles se precipitam um sobre o outro, de modo que não sabem mais nada de si nem nada um do outro, e também não precisam saber mais nada. Isso é amor." BROCH, Hermann. Esch ou a anarquia / 1903 . São Paulo, Benvirá, 2011. p. 176. Esse livro não trata muito do amor, a passagem citada é um pequeno desvio do tom geral da obra, que trata da decadência de valores. Broch é altamente irônico diante das relações interpessoais modernas (tudo entra numa grande contabilidade, ganhos e sacrifícios). Esta é uma obra prima que pouca gente leu, recomendo!

Abusar

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Entre as muitas vantagens do modo de vida moderno, está poder se sentar ao lado de um estranho no ônibus sem temer que ele vá te agredir repentinamente. A casca da civilidade garante que disfarcemos nossas emoções em locais públicos e, assim, não joguemos merda no ventilador quando estivermos putos. Você pode odiar seu vizinho, mas o “bom dia” é uma promessa de que vão dividir em paz o espaço que habitam. Agora, o que acontece com certas pessoas que até conseguem seguir essas regras básicas de convivência, mas não as levam para a vida pessoal? Por que depois de ganhar intimidade suficiente há quem vire um pequeno demônio, respondendo torto, xingando e abusando de quem ama? Que lógica existe em tratar bem os desconhecidos e martirizar os amigos e familiares? Desconfio de que alguns indivíduos se importam mais em aparentar para a sociedade bondade do que em realmente ser bons. Só não sei se isso dá conta de explicar o abuso moral que muitos praticam contra os entes queridos. Me...

Sobre o pecado

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Parafraseando Santo Agostinho em "A verdadeira religião". Todas as coisas são boas, porque foram criadas por Deus. Existem, porém, bens maiores e bens menores. Os maiores são os espirituais, que nos aproximam da Verdade, da eternidade, enfim, de nosso Criador. Os menores são os bens materiais, tudo aquilo que experimentamos pelos sentidos e que estão à mercê do tempo. Estes são verdadeiros, porque provêm da Verdade, mas não devem ser confundidos com a própria Verdade. Os bens menores se transformam, se deterioram, acabam. Tudo isso nos causa pesar. O pecado não é inerente a essas coisas, porque, como já dissemos, elas são boas. O pecado ocorre quando baseamos nossa vida nos bens menores. Quem escolhe aquilo que está fadado a sumir está escolhendo o sofrimento, isto é, o pecado. O pecado não foi criado por Deus, que é essencialmente bom. O pecado é a consequência de se usar mal o livre arbítrio. Deus nos fez livres por desejar que os servíssemos livremente. Além do m...