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Abortos: Curto e grosso

O ódio era tamanho que deu em casamento, oportunidade perfeita para se infernizarem dia e noite, sete dias na semana. Passada a instabilidade dos anos iniciais, o rancor seguia por verdes mares, não fosse uma nuvem: Mayra aprendeu com um pastor as maravilhas do perdão. Levíssima, ela se tornou amável até com José Lucas, que achou a mudança da mulher ridícula, chatíssima, irritante. Na primeira briga em que ela se recusou a gritar de volta, ele a esbofeteou até arrancar um dente. Ou foram dois, não lembro ao certo. ** Da série "Abortos", leia também: Cegueira Volta Aparição Amor livre Bad reputation Maiores de idade A terceira Dai as mãos

É tudo culpa do Palmeiras

Fui assistir à final do Brasileirão em um boteco perto de casa. No meio de um monte de ursos coxas-brancas, lá estava eu com a minha camisa marca-texto, acompanhada de um amigo paranista e outro atleticano – só que estes não revelaram seus times em prol da segurança pessoal. O Grêmio abre pontuando. Opa! Coisa boa: tira o Flamengo-Marrentinho do título e dá a esperança ao Palmeiras de chegar lá. Se não desse para nós, pelo menos seria o Inter, que é uma perspectiva não tão má de campeão. Conforme os próximos gols saíram, a tabela mudava totalmente. São Paulo chegou ao segundo lugar (desespero), Coritiba caiu para o 17º e, o pior, então, acontece: Palmeiras cai para o quinto, perdendo de 2X0 para o Botafogo, e passa a depender do Santos (!) para ir à pré-Libertadores. No bar, tensão geral. Naquela situação, o que mais me surpreendeu foi que os coxas-brancas ali presentes, desde o primeiro minuto do primeiro tempo, torciam mais para o Palmeiras massacrar o Botafogo do que para o ti...

Verdão, você me envergonha, mas eu te amo!

Ônibus do Palmeiras é apedrejado em emboscada na volta de Itu Do UOL Esporte Em São Paulo O ônibus com a delegação do Palmeiras sofreu neste sábado uma emboscada quando voltava da cidade de Itu, interior de São Paulo. Já em território paulistano, o veículo foi recebido com pedradas por cerca de 15 torcedores a paisana não identificados. O elenco palmeirense foi surpreendido pelos agressores na saída da rodovia Castelo Branco, na tarde deste sábado. Todos os integrantes da delegação passam bem. Depois de ser atacado, o ônibus seguiu trajeto normal até a concentração alviverde. Ainda não se sabe se quem apedrejou o veículo do Palmeiras era de torcida organizada. A direção do clube não registrou Boletim de Ocorrência já que ninguém foi atingido. O Palmeiras se refugiou em Itu desde quarta-feira para se preparar melhor para a partida deste domingo contra o Atlético-MG, às 17h, no estádio Palestra Itália. As duas equipes brigam de forma direta por uma vaga na Libertadores do ano q...

PLANTÃO URGENTE

Deu no Estadão agora há pouco: Uniban expulsa aluna assediada por usar vestido curto em aula Universidade diz que atitude provocativa da aluna resultou em reação coletiva de defesa do ambiente escolar estadao.com.br SÃO PAULO - A Universidade Bandeirante informou em anúncio publicado em jornais paulistas neste domingo, 8, que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda de seu quadro discente. A estudante do curso de Turismo sofreu assédio coletivo no último dia 22 de outubro por ir ao campus de São Bernardo do Campo da faculdade com um vestido curto. O episódio ganhou repercussão na internet após vídeos do tumulto serem postados no 'You Tube'. No anúncio publicitário, entitulado ' A educação se faz com atitude e não com complacência' a universidade diz que tomou a decisão após uma sindicância interna constatar que a aluna teve uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados. Para a Uniban, Geisy p...

É tudo uma questão de músculos

(1) “O que tem de almoço, mãe?” “Músculo. E nem precisa fazer essa cara, menina!” Não comia mesmo. Por mais beatinha que fosse quando criança e adolescente, sempre dizia “não” para esse alimento, desprezando o trabalho de minha pobre mãe – já acostumada com tanta ingratidão filial. Só adulta colhi o vento que plantei. Hoje, conhecendo o almoço de segunda-feira do RU, tudo o que minha mãe cozinha é um banquete. (Se bem que, após a greve dos servidores da UF**, qualquer comida insossa que me forneça nutrientes é ingerida com gosto se custar R$ 1,30 ou menos.) Além disso, aprendi nesses programas de culinária apresentados por chefs estrangeiros boa-pinta que o músculo é um alimento com alto custo-benefício: barato, rico em proteína e com baixo teor de gordura. Agora é lei: carne de panela tem que ser músculo. Lambo os dedos quando descubro que essa iguaria borbulha em caldo para ser servida no almoço. Se vier acompanhada de batata e cenoura cortadas em grossos pedaços, caio de j...

Por que nos estupraste, Brasil?

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Não tinha a intenção de fazer tantas atualizações em um intervalo de tempo tão curto. Mas não posso deixar de divulgar o artigo que acabo de ler. É... É... enojante! Me sinto tão vil de viver de forma confortável enquanto outras pessoas (e não são poucas) passam por essa merda. A menina paraense que virou notícia Por Ligia Martins de Almeida em 27/11/2007 A prisão de uma menina de 15 anos em uma cela com 30 homens – e a violência continuada que sofreu durante o período – indignou a mídia na semana que passou, a ponto de merecer um editorial do Estado de S.Paulo sob o título de "Vergonha nacional": "No capítulo das grandes vergonhas nacionais, merece destaque o fato, especialmente sórdido, de vileza desmedida, que é a colocação de mulheres em celas com muitos homens, para que sejam exploradas e brutalizadas sexualmente... E o mais acachapante é que a governadora do Pará suspeita de que a prática é comum – não apenas em seu Estado, mas em outros locais do terr...

Por que me estupraste, Dalton?

Apresento logo abaixo um dos meus únicos poemas da fase adulta (nota: adulta de idade e não de qualidade de escrita). Como o título do post bem indica, cada vez mais esta cidade me arranca à força a ingenuidade. ** Ponto de ônibus Frio nos braços quentes e moles e engordurados (suor produzido no ponto máximo do calor e agora seco fedor velho). Abraço bem forte a bolsa Não a cobicem, é tudo o que tenho! Ô ônibus que nunca vem! Quero logo chegar em casa tomar banho comer dormir fazer qualquer coisa até fazer nada desde que não seja aqui! — Ô, piá! Qualé? As mãos pequeninas no auge dos oito anos empurram o peito gigante do garoto de doze uma rodinha de minimendigos em volta É sinal de briga? tiro? bala perdida? Por que mais ninguém enxerga isso? Você é a única tonta que olha finja que não viu nada aja naturalmente Quero estar em qualquer lugar que não seja aqui! Crianças-macho: animaizinhos nascidos acuados. Chegam em casa Esbofeteiam a mãe Mijam no p...