Postagens

Mostrando postagens com o rótulo morte

Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite...

Até dar uma choradinha? Acho que sim, faz parte. Não há dias em que chorar seja impossível ou proibido, certo? Sábado à noite é especialmente bom para chorar, me parece até mais honesto, sem medo de ser infeliz. Então lá vai. Encontrei esta bela homenagem às vítimas de COVID-19, chamada genialmente de "inumeráveis":  https://inumeraveis.com.br/ . Nestes tempos de quarentena, tenho "aproveitado" o isolamento para adiantar a tese. Quando meu companheiro, que também está escrevendo a dele, me contou que havia dedicado o presente capítulo às vítimas de COVID-19, pensei: a gente pode fazer isso? Se não pode, tem que fazer mesmo assim! Tentamos tirar um pouco a cabeça dessa bagunça que tá o mundo para conseguir escrever, mas não podemos ignorar que esse é o mundo em que nossas pesquisas estão se desenvolvendo. Absurdo seria agir como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra. Então eu o copiei. Como eu estava refletindo sobre a pessoalidade da morte para Heide...

Ouves o grito dos mortos?

Imagem
Marielle virou símbolo. Não por ser uma exceção, mas porque conferiu um rosto para esses tantos brasileiros cuja aniquilação foi tão completa que quase duvidamos de que existiram. Marielle nos obriga a lidar com o fato de que muita gente neste país morre simplesmente por desejar justiça social. E mais: lembra que essa violência atinge todos nós. Há quanto tempo não vivemos amedrontados e impotentes, sem ousar esperar algo melhor do futuro? Até a esperança parece ter sido sequestrada. O Brasil é um dos países que mais matam ativistas dos direitos humanos e arrisco palpitar que seja também um dos que mais apagam sua memória. Quando se proíbe que certos temas sejam debatidos nas instituições de ensino, quando se dissemina a desinformação, quando se chama de “mimimi” toda narrativa de opressão, constrói-se uma máquina de apagamento da memória. O estado é o principal interessado em fazer esquecer, porque é o principal responsável pela violência. Seja apertando o gatilho, seja incentiva...

Coleção de vídeos para vivenciar e entender a deprê

Meus amigos já estão cansados de receber sugestões desta página, The School of Life , mas deixo aqui uma pequena coletânea que pode ser útil para quem estiver passando por um momento de crise parecido com o que estive/estou passando. A verdade é que eu me abri muito nos posts passados justamente imaginando essa pessoa que poderia estar precisando de ajuda, como eu também estava, mas sei lá... acho que está sendo um esforço inútil, só exposição gratuita, uma vontade grande de me fazer útil para alguém ou uma esperança muito tola de alguém sentir pena de mim e me acolher. Não quero mais fazer isso, quero voltar à programação normal, só publicar textos opinativos sobre temas interessantes, exercitar um pouco minha má literatura, essas coisas... Então, ficam abaixo os vídeos para acompanhar aquele que nunca cheguei a abandonar, porque a pessoa nunca nem soube da minha existência e sequer quis ser ajudada por mim. Sobre sentir-se deprimido:  https://www.youtube.com/watch?v=UoLWYhwROBI...

Quarentena

No 40º dia, comecei a ver com clareza quem eu era, onde eu estava, para onde eu ia. E sorri com serenidade. Muita compaixão por mim e por aqueles que cruzaram comigo, afinal, o caminho não era o meu, era o nosso -- eu só não havia visto o tanto de gente que rastejava, saltitava, corria, voava ao meu lado, pois eu era um espectro faminto, só enxergava o que parecia alimento para saciar o meu vazio. Entendi o valor dos 40 dias... anos... demônios... ministros... A tentação, a queda, a morte que precedem a luta, a ascensão, a vida. Se estou viva foi porque morri. Parei de lamentar a decadência do meu império. Era lindo, sim, muito imponente e me custou tanto trabalho, mas em algum momento ele já não era mais coisa alguma, senão uma lembrança. Então eu própria meti fogo em tudo e me permiti chorar enquanto ruía, depois enxuguei o rosto com as cinzas até eu mesma virar cinza. Pó, terra, matéria disforme. Nada, possibilidade, sonho. Venci o deserto quan...

Diário da crise existencial (os falsos aliados)

Só Deus sabe o quanto nesta vida resisti à tentação de dar indiretas nas redes sociais, mas esta mensagem será bem direta. Digo-a em prol da minha sanidade mental, não por algum tipo de vingança. Uma breve contextualização. Quando a gente está passando por uma longa fase depressiva, lutando para reconstruir uma existência neste mundo, tende a buscar ajuda em vários lugares, até obsessivamente, porque a gente não consegue ficar sozinha com os próprios pensamentos -- eles são tão terríveis que precisamos nos distrair de nós mesmos. O problema é que, na hora do desespero, podemos recorrer a pessoas que não querem o nosso bem, são os falsos aliados. Essas pessoas tentam tirar alguma vantagem da nossa vulnerabilidade e, após conseguirem ou porque não conseguiram e começa a ser muito trabalhoso insistir, desaparecem, fazendo a gente se sentir ainda mais abandonada do que já estava inicialmente. Felizmente, estou vacinada contra esse tipo de pessoa e, quando isso acontece, eu tento me des...

Diário da crise existencial (a recaída)

Quando escrevi o post passado, lembro de estar me sentindo otimista, ainda bastante fraca, mas esperançosa de que a melhora não tardaria. Hoje venho para registrar que estou de volta à fase um, total desânimo. Como assim, né? Tinha voltado a me dedicar aos estudos, estava saindo com os amigos, empenhada numa busca mais espiritual... para onde foi tudo isso? Não sei e, no momento, não encontro forças para tentar explicar. Só me sinto um corpo sem vida, deixado de lado, sem ninguém a quem recorrer. Acho que é assim que funciona, não há um progresso linear, a gente fica sempre em torno das mesmas situações até conseguir superá-las de verdade. Felizmente tenho terapia amanhã de manhã, só preciso me aguentar até lá...

Diário da crise existencial (3493874957º episódio)

Imagem
Estou passando para registrar o estado atual desta crise. Eu me permiti escrever posts mais pessoais como parte de um exercício de aceitação da minha vulnerabilidade, que basicamente consiste em mostrar aos outros meu rosto sem máscaras e ter que lidar com a resposta deles sem desabar. Além disso, acho que estes textos íntimos podem ajudar àqueles que estão no estágio inicial da desilusão (ou da iluminação), isto é, desespero e desejo de morte. Quando eu mesma estive lá, e foram as duas semanas mais longas da minha vida, gastava minhas noites de insônia, porque nem o alívio do sono a gente tem, procurando uma palavra que me resgatasse. Talvez estas sejam as palavras que resgatem alguém. Não são salvadoras, mas servem de companhia até que essa pessoa se sinta forte o suficiente para caminhar com as próprias pernas, porque – respondendo à pergunta do post passado – parece que o caminho para se viver bem é, sim, prioritariamente solitário. Mas esta verdade não ajuda na primeira fase. Ne...

Clique djá!

Ei, você aí que está matando seu tempo na internet, faça algo útil na web! Clique AQUI e responda a uma pesquisa que a minha amiga Poli está fazendo para o TCC dela. A sua participação contribuirá para a evolução da pesquisa em comunicação social. Obrigada e volte sempre! ** Tá todo mundo falando de Michael Jackson. O Jornal Nacional foi praticamente temático e o Globo Repórter se virou nos trinta para fazer um programa sobre ele (fechado em 24h de trabalho, uau!). Eu também não poderia postar hoje e simplesmente ignorar o assunto. O ídolo do pop morre aos 50 anos. Foi ontem. E sempre parecerá que foi ontem. Momento revolta: por que algumas pessoas têm que morrer? Quando Dercy, Clodovil e Raul Cortez se foram, eu não conseguia acreditar - na verdade ainda não consigo -, mas, sendo racional, eles já eram velhinhos. Por fora, o vigor não deixava transparecer a idade, mas estava lá na carteira de identidade deles. Michael Jackson, embora fosse um ser assexuado e atemporal, não ...

Quebra de decoro totaaaaal!

Imagem
- Quem quer dinheirooooo? O causo foi o seguinte. Eu estava iniciando a segunda semana de estágio em um grande jornal da cidade. Por acaso (e sorte), caí na editoria de política – a mais inteligente e interessante. O editor, talvez por medo do estrago que eu poderia fazer sozinha, me mandou acompanhar a repórter que cobriria uma votação na Câmara Municipal. Fui um tanto envergonhada do meu All Star furado e do jeans rasgado (recordação de um belo tombo), mas fui. Chegando lá, achei que seria expulsa por causa do modo como eu me vestia. As secretárias e assessoras, do alto de seus saltos e dentro de seus terninhos escuros – fazia mais de 30 graus! –, me esnobavam. Tudo bem, finjam que eu sou invisível, afinal, sou só a estagiária, não ganho nada mesmo para estar aqui e ainda tenho que pagar as minhas passagem de ônibus. O fato é que não puderam fazer nada contra minha presença antiestética. Não tiveram o peito de levar seus julgamentos às últimas conseqüências, como aquele juiz que...

Ao Brasil, notícias da fome na Etiópia

David Oliveira de Souza Onde está a ‘mão invisível’ que regula o mercado? Nenhuma das pessoas que vi morrer de fome por aqui parecia conhecê-la É consenso para organizações internacionais como Unicef e FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) que a produção de alimentos é mais que suficiente para cobrir as necessidades terrestres. Porém, durante a leitura desse artigo, 60 crianças no planeta morrerão de desnutrição e, ao fim do dia, serão quase 20 mil. Na Etiópia, onde trabalho em uma emergência nutricional como Médicos Sem Fronteiras (MSF), todos os dias me pergunto por onde anda a mão invisível e mágica do mercado global, o melhor regulador da economia. Nenhuma das pessoas que vi morrer de fome por aqui parecia conhecê-la. Em Kambata, no sul da Etiópia, fica bem clara uma das lógicas geradoras de fome. Dedicadas à produção de gengibre para o mercado externo, muitas famílias de pequenos produtores deixaram de produzir comida para consumo próprio, imaginando ...

É melhor se alegre que ser triste...

Imagem
Estou apaixonada pelo Brasil. É, eu admito assim na telha, sem vergonha mesmo. Isso já vem de um tempo para cá, quando me toquei de que lia muita literatura estrangeira e pouca nacional. Resolvi então voltar a cabeça para a terrinha e, para isso, contei com o grande apoio da Folha de S. Paulo que na época lançou uma coleção de clássicos da literatura brasileira. Foi assim que preenchi algumas lacunas, li Vida e morte severina , Memorial de Maria Moura , Vestido de noiva , entre outros. Meu deus, como pude ignorar essas obras-primas por tanto tempo? Culpa de HP e cia, que inebriaram meus sentidos inexperientes, mas felizmente a adolescência acabou! Outro fato a que devo agradecer é a quebra de um mito que eu construí na infância: que adulto não precisa/consegue aprender mais nada. Mentira. Vivo agora uma fase de plena formação cultural, e meu dominical companheiro de papel continua me dando lições generosas. Além de me resgatar para os bons livros tupiniquins, presenteou os meus ou...

Memórias de um café da manhã country

Imagem
No dia dessa foto, saímos da prova no sábado de manhã e fomos à casa da Gi fazer um trabalho de espanhol. Nos divertimos tanto (oras, por que acham que até hoje meu espanhol é uma catástrofe?)! Ai, que ótimo dia... Mas sinto muito, não vou compartilhá-lo com vocês. Ele pertence apenas às pessoas que lá estiveram naquela manhã. Então vocês podem reclamar: que história é essa de começar um causo e deixar o leitor na ignorância? Esse é meu direito como escritora onipotente no domínio deste blog. Ponto. Voltemos à minha lembrança daquela manhã. É algo tão vivo para mim. Se eu não soubesse que ela aconteceu exatamente no outono de 2004, poderia dizer “foi esses dias”, porque é assim que a sinto. Essa aí na foto é a Rafs. Recortei só ela dentre os que estavam presentes na ocasião, porque hoje faz exatamente 2 anos que essa minha amiga morreu. Mas, tal eu ia dizendo, esse dia do “trabalho de espanhol”, como muitas lembranças, é tão presente, pulsante, recente! Às vezes ainda dá aquel...