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Mostrando postagens de agosto, 2012

Brincar de Barbie depois dos 20 anos (ou como ser tia)

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Para Bia e Liv Hoje é um dia muito especial. À noite o príncipe vai escolher a princesa mais bela e virtuosa e vai se casar com ela. Não, o casamento será só depois. Hoje é o baile, dia da escolha. Todas estarão usando seus melhores vestidos, sapatos riquíssimos, joias, sedas, perfumes, tudo muito especial. Clarissa é princesa. Sua amiga Daisy também, mas daquele tipo egoísta, com vocação para bruxa. Só foi convidada porque o pai dela é primeiro ministro, muito estimado pelo rei. Clarissa é de uma origem nobre mas poucos se lembram disso. A riqueza da família se perdera em batalhas no oriente; a honra, por sua vez, só crescia. Pobre e boa. Bonita também. O pai exerce um cargo menor na complicada burocracia real. Alcoólatra, triste, talvez digno quando a oportunidade se lhe apresentar. Daisy emprestou à outra seu pior vestido, há muito cotado para a lixeira, um modelito que já não se usava mais, meio infantil, cor-de-rosinha. Piedade? Não, tudo cálculo. Mantendo a mendiga por p...

Regras do banheiro

— Regras do banheiro: não jogar papel higiênico no vaso sanitário; dar descarga; antes de descartar o absorvente usado, enrolá-lo num papel; lavar as mãos; não desperdiçar papel toalha, uma folha é suficiente! É pra acabar! Não conseguimos nos resolver pela moral, temos que apelar ao legal. Esqueceram de escrever aqui na plaquinha de que modo devemos limpar a bunda, quantas vezes retocar o batom, quanto tempo esperar antes de dar pro cara. Mais alguma sugestão? — Você é terrível, não deixa escapar uma, né? Que tal esta: não se estressar com regras óbvias? — Se a gente não é mais rápida, seremos nós que estaremos em pauta na boca dos outros. Devia ter um décimo primeiro mandamento: criticais o próximo antes que ele o faça. Não tão santo, mas compensa em sabedoria. A conversa foi se extinguindo em meio aos tec-tecs dos saltos altos se afastando, até ser completamente abafada pela porta que se fecha. Aquelas duas pareciam ser mulheres educadas, independentes e extremamente insatisfeitas c...

Verdade ou paranoia?

Alguns de vocês certamente jogaram ou ouviram falar de verdade ou consequência, uma brincadeira muito popular entre pré-adolescentes. Basicamente, consiste em se criar um pretexto para saber da vida alheia ou perder o BV. O que vocês não devem desconfiar é que, até sem saber, muitos adultos jogam algo similar: verdade ou paranoia. Funciona mais ou menos assim. Todos meus colegas de trabalho sabem que sou uma fraude. Verdade ou paranoia? Minha família diz pelas minhas costas que eu prometia muito, mas não dei em nada. Verdade ou paranoia? Meu amigo hetero me trata com condescendência, porque sabe que a idade começou a pesar para mim. Verdade ou paranoia? Minhas inimigas pararam de concorrer comigo, porque já me consideram inofensiva. Verdade ou paranoia? Sei que vou para o inferno, mesmo sem estar me divertindo na Terra. Verdade ou paranoia? Sinto que a qualquer momento um carro desgovernado vai me matar. Verdade ou paranoia? É um jogo sem pontuação, sem vencedores. Basicamente, consist...

Frase (IV)

Fechei o Windows e fui olhar outra janela. Nessa até havia sol!

Sobre o casamento

Estudando para a dissertação, mais especificamente lendo "O jardim e a praça", livro interessantíssimo de Nelson Saldanha, deparei com estas duas citações: "Se eu me casasse agora, isto seria apenas uma asneira, que  me faria perder uma independência que conquistei a preço de meu sangue. [...] Antes viver miserável, doente e temido em algum canto do que arregimentado e situado dentro da mediocridade moderna." F. Nietzsche. "Queriam-me casado, fútil, cotidiano e tributável?" F. Pessoa. Agora percebo que, quando a gente está feliz a dois, não só perde a liberdade como a capacidade de pensar criticamente. Escolha difícil essa.

Batman e o socialismo

Breve comentário sobre a parte final da trilogia de Batman por Christopher Nolan. Filme de herói americano contra vilão vindo de país obscuro (um lugar qualquer na África, no caso do Bane) que tenta implantar o socialismo nos EUA. Até aí nenhuma novidade, certo? Inclusive, é meio blasé usar esse tipo de tema hoje em dia, não concordam? (Assim como usar o termo “blasé”.) Até terroristas barbudos já estão meio fora de moda. Acredito que filmes mais atuais devam tratar da atomização das pessoas, do isolamento, da apatia diante de grandes causas. Mas daí também não haveria espaço para os super-heróis. Engraçado pensar que construímos uma sociedade em que colocar um colant colorido e lutar por seu país é bem ridículo. Não queremos ser salvos, estamos nos divertindo aqui nesta lama! Tenho a impressão de que algum filme de herói já usou esse argumento, não lembro qual. Mas uma coisa me fez pensar assistindo Batman. Algo além de todos os clichês contra o socialismo como “essa revolução não...

Frase (III)

Ideia para uma camiseta dessas que se acham engraçadas e têm pessoas desenhadas como placa de banheiro: "Danger: drunk girl holding a cell phone!". Se alguém usar, me mande uma de agradecimento pela sugestão de mão beijada.

Frase (II)

Just me in Microsoft World. (no kinect, no fun)