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Mostrando postagens de 2014

Frase [IX]

Quando toca o interfone, 48 horas após fazer um pedido gordo na Amazon, é como se fosse manhã de Natal e eu tivesse oito anos.

Como fazer o Boca do Inferno passo a passo

Um guia para manter o jornal vivo sem perder a própria vida, por Suelen Trevizan 1. Ter uma equipe editorial estabelecida. É importante que haja um editor-chefe, um diagramador e um comitê editorial de no mínimo cinco pessoas (sem contar o editor-chefe). Nada de tentar angariar colaboradores no meio do processo, medidas desesperadas afetam a qualidade da equipe. O ideal é que sempre no começo do ano, ainda no primeiro mês de aula, haja uma seleção de editores para dar ares novos à equipe (quanto maior o número de membros, mais pluralidade haverá) e compensar as saídas ao logo do ano anterior. Essa equipe deve ser bem instruída e estar comprometida a trabalhar o ano todo. Quanto ao diagramador, de uma edição para outra se deve conversar com ele para saber se ele tem interesse e disponibilidade de continuar no projeto. Sim, beleza é essencial, pelo menos no caso de um jornal, senão ninguém se dá ao trabalho de ler aquele texto superinteligente. 2. Abrir chamada para textos. A chama...

O serial killer de Maringá

Assim que cheguei à minha cidade natal, Maringá, me contaram que havia um serial killer solto nas redondezas. Desde 2010, foram seis vítimas, todas prostitutas. A polícia suspeita de que seja um assassino serial porque, além da coincidência da profissão das moças, os corpos são desovados no mesmo local e em condições semelhantes. ( Mais informações nesta reportagem d’O Diário. ) Achei curioso que, ao contrário de várias notícias que viram assunto de todas as rodas de conversa, tipo o desempenho vergonhoso de Fred na seleção, esta não despertou interesse suficiente para virar tópico de discussão. O fato é conhecido de quase todos, mas parece que não há nada a discutir. Não há? Para os leitores de Roberto Bolaño, mais especificamente de 2666, o caso soa familiar. No quarto capítulo, intitulado “O livro dos crimes”, relatam-se em detalhes os assassinatos de dezenas de mulheres e a investigação frustrada da polícia em descobrir o responsável. É muito irritante para os leitores que não ...

Sobre o vegetarianismo [2]

Após mais uma greve de servidores da UFPR, que resultou no fechamento dos restaurantes universitários por quatro meses, nós, os estudantes, saímos dessa história bem mais pobres e subnutridos. Não é a primeira nem a segunda nem a terceira greve que enfrento, já sei como as coisas funcionam e me preparei desde o início para um longo período de improvisação na hora de comer. E, como a primeira consequência era inevitável, decidi que desta vez eu tentaria evitar ao menos a segunda. Por um tempo foi, sim, macarrão diariamente. É rápido e enche a barriga. Em dias de fartura, a massa vinha acompanhada de carne e vegetais; em ocasiões mais modestas, quando a geladeira só continha eco, a base era alho e óleo e, com sorte, um ovo frito. Em dado momento eu já não aguentava mais esse menu, estava ganhando peso e ainda me sentia carente de nutrientes essenciais (termos que a gente aprende em propagandas da Nestlé ou da Danone). Percebi que a greve poderia durar ainda muitos meses e que eu deveri...

Frase [VIII]

Quem dorme com cachorro não pode reclamar das pulgas.

Abortos: Ainda Otelo

Eles se amavam loucamente. Às vezes, a ausência do outro chegava a doer no peito e era preciso pegar o telefone, não importava a hora, para dizer “vem logo”. Ronaldo achava Joyce a mulher mais incrível do mundo, a ponto de redimir qualquer clichê amoroso. Não entendia a ausência de filas de pretendentes à porta dela e começou a desconfiar que elas se formavam às escondidas. A jovem também tinha seus aborrecimentos: amar homem bonito é uma responsabilidade e tanto, o mundo todo esperando que ela deslizasse e libertasse o Adônis, mas levava como podia, ignorando os olhares de cobiça sobre o namorado. Ele é que não se saiu tão bem, o ciúme o tornou ríspido. Em sua cabeça, tinha certeza de que era traído. Chegou a desabafar isso para o colega de faculdade Igor, que, por seus próprios motivos, reforçava os xingamentos àquela “vadia”. Diante da mudança de comportamento do namorado, Joyce também acabou mordida pela desconfiança e começou a investigar. Igor, Igor, o nome vivia na boca dele... ...