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Mostrando postagens com o rótulo política

Quadro de avisos

Atenção, meus dois ou três leitores: o blog está de volta à ativa. Sim, também estou cansada de telas e de discursos sem rosto e sem toque, meus dedos doem de tanto digitar, mas é o que temos para hoje. Tentei o silêncio, na esperança de não reforçar a tensão geral. Foi bom por um tempo, até que senti falta de conversar. Como estou em plena escrita da tese, para contrabalancear essa loucura de ser tão profundamente séria e inteligente (uhhh) por horas a fio, resolvi desengavetar aquele plano de publicar o meu romance "Elegia da gente viva” aqui. Só metade do livro está pronta, a outra vai sendo escrita em paralelo às postagens, então vocês podem palpitar. Talvez eu incorpore alguns desses comentários, se achar que eles forem produtivos para a estrutura geral. Independente disso, feedbacks são sempre bem-vindos.  Decidi postar aqui no blog, porque não é um grande romance e, ao mesmo tempo, não me parece tão ruim para morrer como arquivo de Word. É uma forma de me forçar a terminá-l...

#liberteofuturo

Apesar de meu grande interesse pela esfera pública -- eu era aquela adolescente que lia o caderno de política do jornal antes dos demais e me metia na conversa de adultos para corrigi-los, depois virei jornalista, participei do movimento estudantil... --, faz uns anos que me desiludi de me engajar na política. O motivo é muito simples: quando alguém adere a um coletivo, é tragado por ele. Passa a vestir como se fossem seus os méritos do movimento e não precisa assumir a responsabilidade pelas falhas dele. As engrenagens da massificação e da trituração de individualidades que os governos autoritários de direita e esquerda exemplificam tão bem... É por esse motivo que Simone Weil é contra partidos políticos (recomendo fortemente a leitura do ensaio " Pela supressão dos partidos políticos "), além do fato de que essas organizações, a médio e longo prazo, acabam abandonando suas ideologias iniciais pelo projeto exclusivo de manutenção do poder. Todo partido é um PFL (Partido para...

Estudando filosofia, descobri-me pensando em política

Disse que não ia falar de política, mas a carne é fraca. Estava aqui relendo uns trechos de "Introdução ao pensamento filosófico" (2011), de Karl Jaspers, e encontrei algumas passagens que descrevem tão bem o nosso governo que quis compartilhar com vocês. (As citações estão em em azul para distinguir dos meus comentários, que vêm logo abaixo) "Os homens e suas ideias políticas podem ser avaliados, se conhecermos os nomes dos estadistas a que dedicam admiração." (p. 77) O que dizer de alguém que admira D. Trump e C. A. Ustra? E de seu Ministro da Economia, que trabalhou para Pinochet? "Subsistir pela violência exige a vilania e a mentira: a razão exige a franqueza e o respeito aos compromissos." (p. 77) Se o presidente abandonar a truculência e se abrir para o diálogo baseado na razão, ele vai ter que ser honesto e respeitar as Leis, o que poderia gerar alguns problemas com a Justiça para ele, sua família e muitos de seus aliados... "A verdad...

"Essa vida é mesmo...

... um barco de merda, navegando em um mar de mijo, impulsionado por uma forte vendaval de peidos." (Waly Salomão, "Self-portrait", in: Me segura q'eu vou dar um troço) ** Depois do verso do maravilhoso Waly Sailormoon, fica difícil colocar algum conteúdo mais relevante, mas preciso dar notícias a vocês sobre a minha tentativa de resistir ao consumismo . Obviamente eu fracassei. Fiquei uma semana inteira sem abrir sites aleatórios de compras e aproveitei também o embalo para suspender o hábito de checar o noticiário a cada hora. Isso, em tempos de internet, foi um uma internidade (sorry...), deu tempo de o "presidente" fazer um zilhão de merdas e de passarem uns cinco caras pelo Ministério da Saúde. Ou seja, o ciclo "normal" de acontecimentos do Brasil pós-2016. A diferença é que não gastei meu tempo formando opiniões sobre a atitude de um bando de ignorantes raivosos. Alienação? Só desisti de esperar qualquer bom senso dessa turma. Para...

Extra! Extra! Bolsonaro veio para trazer paz aos povos

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Não é piada. Depois deste ano extenuante, buscando um sentido para a coisa toda, cheguei à conclusão de que Jair Bolsonaro é o maior mestre zen de todos os tempos. Precisávamos desesperadamente dele para despertar. Não bastava um liberal ou um banqueiro qualquer, tinha que ser o sujeito mais tosco já nascido nesta terra para nos libertar da cegueira em que nos encontrávamos acerca dos problemas de nosso país. O caminho para a iluminação não é fácil. Primeiro ficamos reativos, apegados aos pequenos prazeres. Ficamos presos num papo assim: "Ei, lembra a bonança de 2010? PIB padrão chinês, todo mundo comprando carro e tomando iogurte grego feito água, viagens de avião se democratizando, as universidades distribuindo bolsas de pesquisa e extensão, o Brasil emprestando ao FMI em vez de pegar emprestado, nosso maior problema era decidir onde aplicar a bolada do pré-sal... Bons tempos... O problema veio depois. Foi a recessão mundial. Não, foi a corrupção do PT. Não, foi o golpismo ...

Ouves o grito dos mortos?

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Marielle virou símbolo. Não por ser uma exceção, mas porque conferiu um rosto para esses tantos brasileiros cuja aniquilação foi tão completa que quase duvidamos de que existiram. Marielle nos obriga a lidar com o fato de que muita gente neste país morre simplesmente por desejar justiça social. E mais: lembra que essa violência atinge todos nós. Há quanto tempo não vivemos amedrontados e impotentes, sem ousar esperar algo melhor do futuro? Até a esperança parece ter sido sequestrada. O Brasil é um dos países que mais matam ativistas dos direitos humanos e arrisco palpitar que seja também um dos que mais apagam sua memória. Quando se proíbe que certos temas sejam debatidos nas instituições de ensino, quando se dissemina a desinformação, quando se chama de “mimimi” toda narrativa de opressão, constrói-se uma máquina de apagamento da memória. O estado é o principal interessado em fazer esquecer, porque é o principal responsável pela violência. Seja apertando o gatilho, seja incentiva...

Quizz: qual é o padrão?

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E a lista poderia continuar, mas acho que vocês já entenderam a ideia, e todos nós temos mais o que fazer, né.

Mantra

Repita até soar natural e razoável: "No Brasil, o novo teto salarial dos juízes é 18 vezes a média salarial da população." E, na sequência: "Isso vai aumentar em mais de 5 bilhões as despesas da União, enquanto usam a justificativa da dívida pública para cortar direitos do trabalhador." Por fim, pra atingir o Nirvana: "Ó, Pátria amada, idolatrada, salve, salve!"

Censurado

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Eu ia fazer uma piada sobre o Coiso, mas daí pensei no exército de trolls que trabalha 24 horas por dia para destruir qualquer voz dissidente -- como eles arrumam tanto ódio e tanto tempo? Receberão salário ou fazem só por amor à coisa (ao Coiso)? Moral da história: a autocensura é o primeiro passo para a censura. Eu aprendi isso com José J. Veiga, em especial com "A hora dos ruminantes", leitura que pode nos ajudar a sobreviver nos próximos anos. Sejamos corajosos. Repito para mim mesma. Se o pior acontecer e eu tiver me calado, a culpa também terá sido minha. Ensaio para ter coragem. Uma hora ousarei contar a tal piada, mas ainda não. Infelizmente meu dia não é tão longo quanto o dos trolls, e eu preciso resolver todas as minhas obrigações, que são muitas, sozinha. Então espero por dias mais calmos pós-fim-de-semestre. Mas contarei, eu preciso contar para acreditar que tenho coragem e que a sustentarei quando ela for mais necessária.

Paixões à parte, terrorismo se combate com inteligência

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Depois que eu relembrei o caminho das pedras, fiquei com vontade de voltar. Como comentei no post anterior, troquei as redes sociais pela mídia tradicional e assim venho me sentindo melhor informada. Em vez de replicar memes e incomodar meus amigos e parentes com mensagens alarmistas no Zap, acho que é hora de fazer uma autocrítica para tentar entender como chegamos a este ponto. Afinal, se tivemos 13 anos de governos supostamente de esquerda, por que de repente a extrema direita parece tão mais atrativa no Brasil -- e também no mundo? Esse processo não é súbito, vem ocorrendo há pelo menos uma década, é complexo e exige um pouco mais de dedicação da nossa parte para compreendê-lo. Quem explica bem isso é o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Gostaria de sugerir uma entrevista que achei particularmente interessante do Canal do Le Monde Diplomatique. Em geral, não gosto dos textos deles, acho a linguagem excessivamente acadêmica e panfletária, mas hoje, quando descobri o c...

Sobrevivência

Há muito tempo perdi a vontade de escrever para o público sem rosto da Internet. O blog ficou assim abandonado, desativei Facebook, Twitter e, por fim, Whatsapp. Nem preciso dizer que minha vida ficou muito melhor, a ansiedade baixou, o tempo se multiplicou. Claro que eu sentia falta de alguns amigos de quem eu não tinha mais notícias, mas passei a apreciar mais as companhias das pessoas que estavam por perto. Sem a armadura digital, finalmente entendi que era nesta cidade, neste bairro, nesta universidade minha nova vida. Poderia ser num espaço e num tempo expandidos, mantendo o cordão umbilical com os amigos que fiz pela vida toda, mas descobri que prefiro o espaço-tempo assim mais limitado, menos assustador, traz menos problemas para eu lidar. Isso não significa alienação, passei a ler mais a mídia tradicional e consigo novamente opinar sobre os fatos em vez de só mencionar manchetes ou memes. Para ficar perfeito, só preciso aprender a desativar o feed de notícias do Google (help!),...

Uma opinião sobre o aborto em mais de 140 caracteres

Enquanto todo mundo discute a questão do aborto nas redes sociais, eu fujo de me posicionar ali, pois, inevitavelmente, a gente acaba sendo tachada disso ou daquilo antes mesmo de apresentar qualquer argumento para defender um ponto de vista. Prefiro escrever neste espaço que acessa só quem quer, sem forçar amigos, colegas e familiares a curtirem minha opinião para que eu descubra se ela (e, consequentemente, toda a minha pessoa) é válida ou não. Nada disso. Estou segura desde já de que construí uma posição sólida, porque pensei com seriedade sobre o assunto, permitindo-me mudar de ideia quando apareciam dados convincentes e, claro, continuo aberta a ouvir outras perspectivas que apresentem informações de fonte segura para respaldá-las. Por muito tempo repeti: sou pessoalmente contra o aborto, não o praticaria em nenhuma circunstância nem incentivaria uma mulher próxima a cometê-lo, mas quem sou eu para determinar o que as outras devem fazer? Portanto, se uma mulher decidir isso para...

Batman e o socialismo

Breve comentário sobre a parte final da trilogia de Batman por Christopher Nolan. Filme de herói americano contra vilão vindo de país obscuro (um lugar qualquer na África, no caso do Bane) que tenta implantar o socialismo nos EUA. Até aí nenhuma novidade, certo? Inclusive, é meio blasé usar esse tipo de tema hoje em dia, não concordam? (Assim como usar o termo “blasé”.) Até terroristas barbudos já estão meio fora de moda. Acredito que filmes mais atuais devam tratar da atomização das pessoas, do isolamento, da apatia diante de grandes causas. Mas daí também não haveria espaço para os super-heróis. Engraçado pensar que construímos uma sociedade em que colocar um colant colorido e lutar por seu país é bem ridículo. Não queremos ser salvos, estamos nos divertindo aqui nesta lama! Tenho a impressão de que algum filme de herói já usou esse argumento, não lembro qual. Mas uma coisa me fez pensar assistindo Batman. Algo além de todos os clichês contra o socialismo como “essa revolução não...

O Evangelho segundo Lula

Cristóvão Tezza Publicado em 7/04/2010 na Gazeta do Povo contato@cristovaotezza.com.br Sentindo-se solitário e triste na escuridão do final dos tempos, disse Lula: “Fiat Dilma!” E Dilma se fez. E Lula viu que estava razoável, contratou um instituto de beleza e outro de opinião, e viu que com ele ninguém podia, e resolveu separar os bons dos maus e a luz das trevas, para uma nova batalha celeste. E acalmou seu rebanho indócil e arregimentou profetas de outras colônias para sua nova missão; chamou os anjos mensaleiros, convocou os santos antigos e ungiu velhos inimigos convertendo-os à Guerra Santa pelo báculo Lulista. “Vai ser fácil!”, bradou ele na Assembleia do Purgatório, e os anjos abraçados fizeram “Hurra! Hurra! Hurra!” E Lula viu que isso era muito bom e foi descansar. E no segundo dia Lula resolveu desenterrar o Príncipe das Trevas, o satânico FHC, e viu que isso era bom; e lançou contra ele a Voz do Senhor, e separou as águas puras das impuras, o Bem do Mal, o Fim e o Iní...

Lula, a pomba da paz

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Isso que é querer agradar a todo mundo! Na foto abaixo, Lula visita o Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém (Fonte: UOL ). E, é claro, exibe toda a sua brasilianidade com esse terno preto e um kippot. Qual será a moda amanhã, quando ele visitar a Jordânia? Nosso Guia (todo crédito a Élio Gaspari), o cara da galera, viajou a Israel em missão de paz, para tentar uma conciliação na Palestina. Uma possível inspiração para Lula:

Prisão de ventre

Há dias venho escrevendo este post mentalmente. Ele ficou tão grande na minha cabeça que terei que resumi-lo, se não se importarem. Tudo começou quando comprei a piauí deste mês na rodoviária de Araraquara. Só mencionei o local, porque me marcou muito a conversa que ouvi entre o dono da banca e um cliente. Eles diziam, exaltados, que os usuários de drogas seriam punidos pela providência divina. Viajando pelo estado de São Paulo, percebi que a diversidade enorme daquela região acirra o medo e este, por sua vez, o conservadorismo. Não sei se as coisas estão assim tão diretamente ligadas, mas as vi tão próximas e constantes que não pude deixar de fazer a relação. Então, em posse da revista mais anárquica da Abril e tomada de “um tédio enorme da vida” (Poetinha), devorei-a em dois dias. As matérias deste mês estão todas muito boas, recomendo principalmente àqueles que se interessam por cultura (perfil de Nuno Ramos e texto sobre Gilda de Mello e Souza), ciência (perfil do possível gan...

Êta, banho-maria!

Para os não-introduzidos ao universo da culinária, banho-maria é quando você coloca o alimento em uma panela, e esta vai dentro de outra com água sobre o fogo. Como a comida não tem contato direto com a fonte de calor, o cozimento é mais lento. Esse método é bastante usado para derreter chocolate. Já sabe em quem você vai votar para presidente em 2010? Os partidos ainda não oficializaram seus pré-candidatos, mas as especulações já correm soltas. Saiu nesta semana um estudo sobre intenção de votos realizado pela Pesquisa CNT Sensus. No primeiro post deste blog, eu perguntava se o Mercadante teria chances, lembram? Naquela época, final de 2007, nem se ouvia falar de Dilma. Agora vamos ver como a pupila de Lula (recém-convertida para o PT) está se saindo. Considerando que os candidatos fossem Serra, Dilma, Ciro e Marina, este seria ranking: José Serra: 31,8%; Dilma Rousseff: 21,7%; Ciro Gomes: 17,5%; Marina Silva 5,9% dos votos; Não decidiram: 23,2%. Agora, olhem que engraçado....