As mentiras que eu conto (parte I)

Um post de volta ao velho formato: fragmentado e esquizofrênico.

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Falando em esquizofrenia, devo estar com um sério distúrbio, porque eu ri de uma piada do professor Mário. Foi assim. Ele havia entregado as provas de Ética e Legislação do Jornalismo. Alguém pergunta:

— Professor, pode fazer em dupla?

— Sim, mas só quem for esquizofrênico.

Heh, eu devo ter rido de nervoso. Só pode.

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A caçada ao Vampiro de Curitiba chega ao final. Outro dia, conheci pessoalmente Dalton Trevisan.

Essa é a melhor história da minha vida, então eu preciso contá-la direito. Vou tentar.

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Me bate, me chama de Ritinha

Ritinha saía do colégio. A saiazinha de colegial dançava enquanto a dona cochichava com as amigas. De longe as espiava. Notaram: jovem e bonito. Riam, tentando abafar a boca com as mãos. Percebeu. Aquele som chamava. O pares de coxas roliças suplicavam por uma mão forte entre elas.

— Oi, garotas. Conhecem alguma lanchonete por perto?

— Tem uma logo ali, moço – respondeu a mais feia, Maria.

— To sozinho e faminto. Tão chato comer sozinho. E se vocês me acompanhassem? Pago uma gasosa para cada.

Se entreolharam com dúvida. Ritinha sabia o que queria e se adiantou.

— Mas a gente nem conhece o senhor...

— Nelsinho, muito prazer, senhorita.

O bigode impecável do vampiro tocou de leve mão da ninfeta. Sorriu. Riu encabulada.

— Ritinha, a gente tem dever de casa. Precisamos ir.

— Tudo bem, eu acompanho o moço. Mas só uns cinco minutos, tá?

Primeiro a gasosa, depois o pé-de-moleque. Chegou a um beijinho gelado de picolé no pescoço.

— Isso não tá certo, moço.

— Você tem razão. Devemos começar a namorar.

Ela sorri vaidosa. Nunca namorou antes. O vampiro percebe a batalha ganha. Atua com desenvoltura:

— Foi amor à primeira vista. Você namoraria comigo, minha donzela?

— Bem... Tem que falar com papai...

— Claro, benzinho, tudo que quiser.

— Nesse caso... minha resposta é sim, sim!

O vampiro grudou na cinturinha e a levantou no ar. Riam.

— Feliz, feliz! Janta esta noite comigo?

— Mamãe vai zangar. Não sei se é boa idéia.

Precisou esconder as presas travadas de raiva. Tão difícil beber sangue virgem nesses tempos. Um absurdo!

— Vem, meu bem. Depois te deixo de carro em casa e já faço o pedido formal.

Nunca andou no banco da frente do carro com um homem do lado. Agora era mulher, tinha que andar no banco da frente.

Ritinha conheceu o apartamento do namorado. Não havia cozinha. Só quarto e banheiro.

— Como vamos jantar?

— Minha doce Ritinha - ele acariciou os cabelos dela - pode se servir à vontade.

A mão desceu para os pequenos seios. Dura de medo e de desejo.

— Não, Nelsinho, não tá certo.

— Não seja boba, minha filha. Agora somos namorados.

Não tinha argumentos. Tinha medo de descobrirem. O vampiro meteu os caninos afiados na carne macia. A presa gemia, fraca e contida. Nunca tinha usado saia sem calcinha antes.

— Pára, pára – O bigode fazia cócegas.

— Ainda não. Vem cá, dá um beijo no seu namoradinho.

Hora de ir embora. Mas a calcinha ficava, ele impôs. Disse ficar com saudade da amada na ausência, precisava lembrar. Riu da maluquice. Tá bem.

Nelsinho acompanhou a presa, ainda cheirando a sangue, à porta de casa. Desceram de mãos dadas, sorridentes.

— Mãe, pai, este é o Nelson.

— Como vai, filho? – O pai apertou forte a mão.

— Ficaria melhor se o senhor me desse a mão da sua filha. Quero me casar com ela o quanto antes.

Ritinha orgulhosa de si. Ele está preso para sempre.

— Para que a pressa? Acabamos de nos conhecer. Primeiro o senhor precisa freqüentar a casa, depois conversamos melhor – o pai ostentava ser um homem à frente de seu tempo, moderno.

— Tem razão. Já está tarde. Posso voltar amanhã?

— Volte sim, meu filho. Tenha uma boa noite.

— Boa noite.

Alisou o bigode. Riso no canto da boca. Jogou um beijo para a namorada pelas costas dos velhos. Ela piscou, tinham um segredo. Estavam ligados para sempre. Acenou do carro. Partiu para o centro à busca de uma boa puta. Virgenzinhas têm suas desvantagens. Uma é que só servem uma vez.

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Este foi o meu encontro com Dalton Trevisan.

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Veja na segunda parte: mortos cafetões entre nós.

Comentários

  1. Hahahah, estou esperando a segunda parte.

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  2. Oh là là, quel mystère!
    Como teria sido o verdadeiro encontro?

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  3. Eu conheci o Dalton junto com a Su!!!

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  4. hehehe, desculpinha su...
    fiquei fora do ar, sem inspiração pra escrever, depois fui pra sampa assistir ao show do epica \o/
    mas vou tentar atualizar essa joça (ta mto largado o blog) todo dia, ok?
    e obg por ser, até agora, a única que comenta o.õ

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