Conto erótico ressussita das chamas do inferninho da paixão

Em breve, o retorno da história de amor que comoveu milhares de pessoas. Terrível, desvirtuada e sem coerência - como toda continuação deve ser. Após o top de 5 segundos.

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Meu Deus, que alegria abrir o Word sem ser para escrever pautas!

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Sexta-feira sem bar e sem sinuca. Eu sempre me supero.

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Páscoa: época de comer chocolate impunemente, porque todos engordam juntos e você não ficará mais gorda que suas rivais. As idiotas que deixam de se entupir de chocolate sofrem mais do que deveriam por causa de uns gramas...

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Sei lá como, meu pai descobriu este blog, portanto, inauguro aqui o início de uma era de censura. Mas, como sempre admirei o que o Pasquim fazia, também vou driblar os censores e ainda fazê-los rir sem perceberem que são o motivo de humor.

1
Olhem o que o homem que me pôs no mundo (não o médico, der, porque era uma médica) escreveu a respeito de sua descoberta:

“Hoje a E. K. me falou que viu o blog da S. onde ela comenta matérias veiculadas em jornais e ficou admirada e de boca aberta e com vergonha como a S. escreve bem e ainda a E. escreve bem e se sentiu humilhada perante as escritas da S. Viva a S. Vai ser uma grande jornalista. Graças a deus. Ela merece. É inteligente e esforçada e humilde e pão-dura”

Para meu pai, ser pão-dura é minha melhor qualidade...

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Agora estamos prontos para o objetivo central deste post:

Like a Rolling Stone (ou Uma Rocha Rodada e Arrochada)

Como em todos os casos da vida real, o amor de Piauçu e Rochinha durou para sempre. Para sempre, até a hora em que um já coçava a bunda na frente do outro, arrotava, peidava, cagava com a porta do banheiro aberta... Enfim, todos aqueles hábitos sórdidos que só revelamos quando estamos seguros de que nunca seremos abandonados.

“Eu não agüento mais acordar com você vomitando nos meus cabelos. Não A-GUEN-TO!”, reclamava Piauçu toda madrugada de quinta-sexta-sábado-domingo (assim emendados mesmo, como toda bebedeira deve ser).

“Tem Engov?”, respondia simplesmente o outro; e vomitava mais um pouco.

Piauçu de fato estava no seu limite. Com as amigas mais próximas, desabafava, chorava, se aconselhava. Ele amava o crápula, mas esse tinha coração de pedra e não mostrava a menor vontade de se emendar. Há amor que sobrevive à convivência?, perguntava-se Piau. A resposta veio fácil.

Mas Rochinha só tomou conhecimento dela no dia (sim, já começava a nascer o dia...) em que mais uma vez chegou alcoolizado em casa e, não entendeu na hora por que, a sua chave não abria a porta. Dormiu ali do lado de fora mesmo, embalado pelo ar encanado duma madrugada curitibana – ou o tão conhecido mensageiro das doenças respiratórias. Na manhã seguinte, quando Piauçu saía para o trabalho, topou com aquela figura proto-humana sobre seu carpet.

“Ah, se você ao menos não tivesse vomitado no tapete, talvez eu ainda lhe desse uma chance... Mas não, isso é um adeus sem volta”, disse Piauçu triste, e seguiu seu caminho.

Um tocou a vida adiante, o outro praticamente regrediu à bestialidade. Sem lar familiar que o aceitasse, fez um acordo com a chinesa do boteco para morar lá. Jogava sinuca, bebia, fumava e se acabava sem freio. Sem alguém que preparasse um banho quente após as noitadas, que escondesse os maços de cigarro e a cachaça, que cuidasse de sua higiene pessoal. Sim, até isso! A barba não chegou a crescer, porque Rochinha não a tinha, mas o odor se tornou sua principal característica. E isto, ninguém jamais o suporia, foi justamente o fator que poria um fim à sua solidão.

G, ou Ponto G para os mais íntimos, nunca entrara naquele boteco. Passava por lá todos os dias, era caminho para a fac, mas lhe parecia só mais um elemento da paisagem, indiferente. Naquela terça-feira, porém, algo mudou. O toldo parecia mais verde, o pastel mais sequinho, o cheiro fabuloso, totalmente convidativo. Como Alice, que entra no buraco do coelho, ele entrou também em sua própria enrascada. Era um cara que já conhecemos (por isso não o descreverei novamente) jogando sinuca sozinho. O cigarro se equilibrando na beirada da mesa representava o punctum daquela cena que, logo de cara G concluiu, era muito sensual. Não perdeu tempo, pegou o taco mais próximo e entrou no jogo sem dizer nada.

G não era nenhum exímio jogador, mas naquela tacada, jogo e amor se deram as mãos pela primeira vez na história do universo. Ele bateu num ponto onde várias bolas se concentravam e, creiam, derrubou três de uma vez: a 4, a branca e a 8.

“Linda!”, gritou extasiado Rochinha.

Aquele olhar meio insano de G conquistou o sorriso solícito de Rochinha. More than words tocou só na mente dos dois, mas, imediatamente, eles entenderam o que estava acontecendo. Jogaram sinuca pela manhã, tarde, e noite afora. Só pararam na hora em que a fome bateu. Dividiram um cigarrinho de chocolate com doce de leite. Foi mágico.

Ou melhor, está sendo mágico, porque eles continuam juntos até hoje.

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Final brusco, não? A vida é assim, afinal, todos os fatos relatados acima, fazem parte da realidade e, portanto, não poderiam ser diferentes. Para os sozinhos desta sexta-feira, meu conselho: ainda faltam 20 minutos e, em vinte minutos, tudo pode mudar. Tandatandam, tandatandam!

Comentários

  1. Quem é G???

    E o seu pai vai ler isso???

    Medo do retorno da Mia...

    (comentário fragmentado)

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  2. ops
    agora tenho q maneirar nos comentarios

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  3. Suelen, seu blog é muito engraçado! Parabéns!

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  4. Su, seu blog é muito bem escrito e com um humor inteligente!
    Prefiro revistas de fofocas e piadas do fim da tribuna. Mas mesmo assim tá de parabéns!

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