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Mostrando postagens de janeiro, 2011

Exercício de prosa I

(Para evitar mal entendidos, gostaria de deixar bem claro que este é um texto de ficção. Era para ser um conto, mas acho que, no fim das contas, não passa de uma crônica. Sou como o personagem de Machado de Assis, Pestana, que só consegue produzir polcas, nunca sinfonias. Que pelo menos vocês dancem ao som delas e se divirtam!) -- (sem título) Você se lembra daquelas garotas? Elas passavam reluzentes no corredor da escola. Até o uniforme às sete e trinta da manhã caía bem nelas. Grandes coisas! Isso de nada lhes valia no final do ano, quando já estávamos de férias e elas ainda estudavam duas semanas a mais para as provas de recuperação. Agora, no resto do ano, aquilo lhes valia ouro. Era no mínimo um convite para festa por semana. Chegava segunda-feira, o segundo escalão – as aspirantes não tão bem dotadas de beleza nem dinheiro, porque, injustamente, uma só se manifesta em presença do outro – tratavam de divulgar todos os detalhes sórdidos. Reza a lenda que elas nunca repeti...

Breve manual para ler Laurence Sterne

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Você conhece Laurence Sterne? É o cara da pintura acima (feita por Joshua Reynolds em 1760). Há um ano, eu mesma vivia minha pacata vida sem nunca ter ouvido falar dele. Agora, se você, ao contrário de mim, é um leitor atento, provavelmente achará o nome familiar. Isso porque ele é mencionado em Memórias póstumas de Brás Cubas . Segundo o defunto-autor, o pastor inglês lhe serviu de fonte de inspiração para o modo de escrever. No meio acadêmico, esse estilo ficou conhecido como forma livre. Sterne, ou Tristam Shandy, que é seu personagem-narrador, descreve sua escrita como digressiva-progressiva. Isto é, o narrador foge o tempo todo do assunto principal, conta várias historietas paralelas, volta no tempo, conversa com o leitor (xingando-o e justificando-se para ele), mas sem cair no mero enchimento de linguiça. As divagações trazem coisas importantes para a história. Eu diria até que elas são o propósito do livro em si. Só que, convenhamos, essa escrita de bêbado – que vai pra lá,...

Procissão de fé

Quando a missa começou, lamentei muito não poder fazer anotações. Ideias fervilhavam. Fato inédito nessas últimas semanas, que têm sido de completa masturbação mental (séries + redes sociais). Para quem estranhou o fato de eu estar voluntariamente assistindo à missa, a explicação é bem simples. No ano passado, quando eu estava desesperada diante da quase certeza de que não seria aprovada no mestrado de Literatura na UF**, prometi que iria na missa todos as semanas de 2011 se me fosse concedida essa graça. Não sei a percentagem da participação divina na conquista, mas, considerando que eu não sou formada em Letras, que passei boa parte do ano doente e que estudei menos do que deveria, acredito que tenha sido grande. Agora estou quitando minha dívida – melhor pagar a Deus do que ao dono da PUC! Só faz três domingos que tenho ido à igreja, mas sabe que estou achando essa uma experiência edificante? Não no sentido mais comum, o de me sentir tocada pelo Espírito Santo. Mas tenho apren...

Logotipo inovador?

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Tanta gente chamou o logotipo das Olimpíadas Rio-2016 de inovador. Será que ninguém mais percebeu que é o quadro "A dança", de Matisse, estilizado? A mesma composição, as mesmas cores... Inovador foi Matisse, o resto é cópia. Comparem:

Sessão da tarde

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Este filme faz uma apologia a "Odisseia", de Homero. Um jovem viaja pelo caos da cidade grande, cruzando com os monstros medonhos que povoam Curitiba, em busca de glória e acolhimento familiar.