Exercício de prosa I
(Para evitar mal entendidos, gostaria de deixar bem claro que este é um texto de ficção. Era para ser um conto, mas acho que, no fim das contas, não passa de uma crônica. Sou como o personagem de Machado de Assis, Pestana, que só consegue produzir polcas, nunca sinfonias. Que pelo menos vocês dancem ao som delas e se divirtam!) -- (sem título) Você se lembra daquelas garotas? Elas passavam reluzentes no corredor da escola. Até o uniforme às sete e trinta da manhã caía bem nelas. Grandes coisas! Isso de nada lhes valia no final do ano, quando já estávamos de férias e elas ainda estudavam duas semanas a mais para as provas de recuperação. Agora, no resto do ano, aquilo lhes valia ouro. Era no mínimo um convite para festa por semana. Chegava segunda-feira, o segundo escalão – as aspirantes não tão bem dotadas de beleza nem dinheiro, porque, injustamente, uma só se manifesta em presença do outro – tratavam de divulgar todos os detalhes sórdidos. Reza a lenda que elas nunca repeti...