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Mostrando postagens de agosto, 2008

Ao Brasil, notícias da fome na Etiópia

David Oliveira de Souza Onde está a ‘mão invisível’ que regula o mercado? Nenhuma das pessoas que vi morrer de fome por aqui parecia conhecê-la É consenso para organizações internacionais como Unicef e FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) que a produção de alimentos é mais que suficiente para cobrir as necessidades terrestres. Porém, durante a leitura desse artigo, 60 crianças no planeta morrerão de desnutrição e, ao fim do dia, serão quase 20 mil. Na Etiópia, onde trabalho em uma emergência nutricional como Médicos Sem Fronteiras (MSF), todos os dias me pergunto por onde anda a mão invisível e mágica do mercado global, o melhor regulador da economia. Nenhuma das pessoas que vi morrer de fome por aqui parecia conhecê-la. Em Kambata, no sul da Etiópia, fica bem clara uma das lógicas geradoras de fome. Dedicadas à produção de gengibre para o mercado externo, muitas famílias de pequenos produtores deixaram de produzir comida para consumo próprio, imaginando ...

Portas da percepção

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Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo pareceria como é, infinito William Blake ** Nesta semana, uma amiga perguntou o que significava a medalha que eu estava usando. Era uma pergunta banal, que ocorre naquelas horas quando o assunto está morno, mas foi o suficiente para me deixar sem palavras. Em que sentido ela queria saber? Havia tantos! Esta era uma possível resposta: eu uso esta jóia desde os 13 anos, quando minha madrinha me presenteou pelo crisma que eu acabara de receber. Mas, na verdade, eu usava uma cópia desde os 11 anos. Era uma bijuteria que também fora dada por minha madrinha. Na época, eu passei a usá-la diariamente, porque me disseram que eu estaria protegida contra todos os perigos – uma criança que está começando a andar pela cidade sozinha tem medo de muitas coisas, sabem como é. E não tirei desde então. Nos vários anos que se passaram, tive intenção de ser freira, quis ser esposa dedicada, tentei ser revolucionária solteira, me apaixonei, vi que mi...

É melhor se alegre que ser triste...

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Estou apaixonada pelo Brasil. É, eu admito assim na telha, sem vergonha mesmo. Isso já vem de um tempo para cá, quando me toquei de que lia muita literatura estrangeira e pouca nacional. Resolvi então voltar a cabeça para a terrinha e, para isso, contei com o grande apoio da Folha de S. Paulo que na época lançou uma coleção de clássicos da literatura brasileira. Foi assim que preenchi algumas lacunas, li Vida e morte severina , Memorial de Maria Moura , Vestido de noiva , entre outros. Meu deus, como pude ignorar essas obras-primas por tanto tempo? Culpa de HP e cia, que inebriaram meus sentidos inexperientes, mas felizmente a adolescência acabou! Outro fato a que devo agradecer é a quebra de um mito que eu construí na infância: que adulto não precisa/consegue aprender mais nada. Mentira. Vivo agora uma fase de plena formação cultural, e meu dominical companheiro de papel continua me dando lições generosas. Além de me resgatar para os bons livros tupiniquins, presenteou os meus ou...

Liberdade de expressão e distorção

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O Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar em breve a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. A regulamentação da profissão existe desde 1969, determinada pelo Decreto 972, mas tramita o Recurso Extraordinário (RE) 511961, que propõe a anulação da lei vigente. No momento em que a Suprema Corte votar esse processo, estará pondo em questão algo maior do que a obrigatoriedade da formação acadêmica: a condição do jornalista enquanto profissional. Desde que as graduações de Medicina e Direito surgiram no Brasil, nunca se questionou a importância de sua existência. Então, por que a de Jornalismo é colocada nessa berlinda? Os acusadores alegam o desrespeito à liberdade de expressão. Esse argumento, no entanto, carece de uma análise conceitual mais rigorosa. Está na Constituição Federal, artigo 220: “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta C...

Vamos conquistar as esferas do dragão...

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... levar para a luta a garra de um vencedor Correr e pegar as esferas do dragão São tantas maravilhas pra descobrir A fantástica aventura começou Neste mundo de emoção que você chegou E quem procura com força e energia Realizar sonhos e fantasia Em algum lugar da terra logo vai brilhar Vamos, amigos, é hora de lutar E feras terríveis vamos derrotar Com a nuvem voadora vou me aproximar Desafios pra superar A liberdade dá pra alcançar E vencer a guerra contra o mal Que vai nos perseguir até o final Vamos conquistar as esferas do dragão Um ideal que sempre vai nos unir Correr e pegar as esferas do dragão Lá dentro tem um tesouro pra descobrir A fantástica aventura vai começar Nesse mundo chance igual nunca mais terá Gente, essa música clássica (vocês cantaram juntos, né?) é para anunciar que o filme de Dragon Ball está cada vez mais perto – estréia no Brasil prevista para abril de 2009. Está em fase de pós-produção e já tem várias fotos de divulgação na web. P...

Comer no prato que cospiu

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Seguindo o exemplo da Regatinha - que conseguiu matar o blog dela com essa estratégia de preguiçosa -, leiam no link abaixo um dossiê que eu idealizei para o Comunicação. Devido à boa recepção, um psicólogo pediu que cedêssemos para a revista dele, a Atlas Psico. Mas a diferença é que o meu post tem foto, por isso "dov'è il latte?" não sucumbirá! Ah, quase ia esquecendo! O link: http://www.atlaspsico.com.br/Revista_ATLASPSICO_09.pdf Vejam também a publicação original do dossiê em: http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/node/3905/ http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/node/3921 Boa vinhada para quem puder!

Hoje é dia de nostalgia

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Já aviso: ainda não fiz a resenha de Hoje é dia de Maria . Não consigo, po! Fazer o que? Espremer meu coração aqui para ver se sai alguma coisa? Sai sangue, ué, e eu preciso dele. Então, sinto muito, mas não. Não por enquanto. ** Psicastenia Não pensar Não pensar... Pensando sem pensar Canelas ante os olhos Duas, quatro, cem Milhares delas E apenas dois olhos Que olham mas não pensam - Fé Procissões que não me interessam Sobrancelhas oblíquas O ângulo apontando para o céu - Dó O qual não me afeta Que morram! Eu só não penso nisso Um polegar, um indicador, uma mão Duas delas Um único tecido epidérmico Que só sente, não pensa - Amor Se penso não o sinto E penso em não pensar Não pensar... Não pensar, Nem pensar! (22 de feveiro de 2004) ** Na época eu achei esse poema tão bom, mas para postar aqui tive que deletar uma série de reticências (ô, mania de adolescente!) e só não o reescrevi todo porque perdi-me da poesia. Tá certo que ela sempre era rui...