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Mostrando postagens com o rótulo amor

Quizz: qual é o padrão?

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E a lista poderia continuar, mas acho que vocês já entenderam a ideia, e todos nós temos mais o que fazer, né.

Do amor ao próximo

Vós vos amontoais junto ao próximo e tendes belas palavras para isso. Mas eu vos digo: vosso amor ao próximo é vosso mau amor por vós mesmos. Fugis de vós mesmos em direção ao próximo, e desejaríeis fazer disso uma virtude: mas eu enxergo através de vosso “desinteresse”. O Tu é mais antigo que o Eu; o Tu foi santificado, mas o Eu ainda não: assim, o homem se apressa para junto do próximo. Eu vos aconselho o amor ao próximo? Aconselho-vos antes a fuga ao próximo e o amor ao distante! Mais alto que o amor ao próximo está o amor ao distante e futuro; ainda mais alto que o amor aos homens está o amor a coisas e fantasmas. Esse fantasma que corre à tua frente, meu irmão, é mais belo do que tu; por que não lhe dás tua carne e teus ossos? Mas tens medo e corres para teu próximo. Não suportais a vós mesmos e não vos amais o bastante: por isso quereis induzir o próximo a vos amar, dourando-vos com seu erro. Eu quisera que não suportásseis qualquer tipo de próximo e seus vizinhos; ...

Sim

Estava pensando em um cenário hipotético no qual eu, uma mulher jovem, solteira e com uma independência financeira muito recente e frágil, para não dizer questionável, ficasse grávida. A pressão mais explícita viria da família, representante desta classe-média conservadora (progressivo na concepção deles é, no máximo, ter amigo preto ou gay). Eu não te reconheço mais! Você fez sexo fora do casamento! Agiu como uma qualquer! Envergonhou seus pais! Deus te castigou! Haveria também a pressão dos colegas da minha geração, essa mais velada. Como você pode ter feito sexo sem proteção? E se tivesse pego uma doença? Essa criança vai arruinar sua carreira e sua vida sexual! Seu corpo e sua disposição nunca mais serão os mesmos! Seja pelo discurso dos velhos moralistas, seja pelo dos liberais hedonistas-cientificistas, percebo que estamos todos cegos. Como interpretar essa gravidez “fora de hora” (sem carteira assinada, sem plano de saúde, sem registro de casamento... enfim, sem “condições...

Abortos: Ainda Otelo

Eles se amavam loucamente. Às vezes, a ausência do outro chegava a doer no peito e era preciso pegar o telefone, não importava a hora, para dizer “vem logo”. Ronaldo achava Joyce a mulher mais incrível do mundo, a ponto de redimir qualquer clichê amoroso. Não entendia a ausência de filas de pretendentes à porta dela e começou a desconfiar que elas se formavam às escondidas. A jovem também tinha seus aborrecimentos: amar homem bonito é uma responsabilidade e tanto, o mundo todo esperando que ela deslizasse e libertasse o Adônis, mas levava como podia, ignorando os olhares de cobiça sobre o namorado. Ele é que não se saiu tão bem, o ciúme o tornou ríspido. Em sua cabeça, tinha certeza de que era traído. Chegou a desabafar isso para o colega de faculdade Igor, que, por seus próprios motivos, reforçava os xingamentos àquela “vadia”. Diante da mudança de comportamento do namorado, Joyce também acabou mordida pela desconfiança e começou a investigar. Igor, Igor, o nome vivia na boca dele... ...

Abortos: Eternidade

Osvaldo e Luana namoravam há nove anos. Mas não pensem que adiavam o casamento para aproveitar infinitamente a vida de solteiro! Ninguém sequer esperava que os dois subissem no altar tão cedo, afinal, tinham apenas 23 anos. Conheceram-se no jardim de infância e desde sempre formaram uma boa dupla, engraçados e desprendidos, topavam todos os convites. Diziam as boas e as más línguas que eles haviam descoberto o Santo Graal dos relacionamentos. Quando alguém perguntava o segredo, eles contavam que só faziam o que tinham vontade e, de alguma forma, isso funcionava. Numa daquelas tardes sem muito assunto, o casal começou a fazer contas, meio na brincadeira: “já passamos quase metade da nossa vida juntos”, “poderíamos ter tido um filho que, a essa altura, saberia escrever”, “ou oito filhos”, “ano que vem completa uma década de namoro, dez anos, você pode imaginar?”. O fato soou terrível. Poucos dias depois, eles terminaram. A pior parte foi inventar uma justificativa para dar aos amigos i...

Abortos: Festividades

Diogo e Marcelina se conheceram no dia da padroeira da cidade, numa feirinha gastronômica. Na mesa de plástico, dividindo o molho de pimenta, falaram de pierogis, da avozinha já falecida, do amor. A moça morava ali pertinho, pediram a sobremesa para viagem. Nesse dia, nasceu uma tradição: em toda data festiva, eles se refestelavam de pratos típicos e sexo caseiro. Páscoa, Dia do Trabalho, Corpus Christi, São João, Independência do Brasil ou de qualquer outro país que conviesse – oportunidade sempre havia. Nos dias regulares, a vida seguia, tantas coisas mais para pensar, mal se falavam. Esse sistema funcionava, difícil era explicar para os outros. Os amigos de Má quiseram saber onde isso ia dar, achavam que Diogo estava se aproveitando dela. Crítica feita, dúvida plantada. No Réveillon passado, ocasionalmente como sempre, encontraram-se os dois sob o céu explosivo. Ele abriu o sorriso, e ela a boca para xingar. Em vez de beijo, houve tapa à meia noite. Neste ano, eles acompanham o desf...

Abortos: Curto e grosso

O ódio era tamanho que deu em casamento, oportunidade perfeita para se infernizarem dia e noite, sete dias na semana. Passada a instabilidade dos anos iniciais, o rancor seguia por verdes mares, não fosse uma nuvem: Mayra aprendeu com um pastor as maravilhas do perdão. Levíssima, ela se tornou amável até com José Lucas, que achou a mudança da mulher ridícula, chatíssima, irritante. Na primeira briga em que ela se recusou a gritar de volta, ele a esbofeteou até arrancar um dente. Ou foram dois, não lembro ao certo. ** Da série "Abortos", leia também: Cegueira Volta Aparição Amor livre Bad reputation Maiores de idade A terceira Dai as mãos

Abortos: Cegueira

Foi Marta que reparou em Carmem primeiro. Esta, distraída, só flagrou sua admiradora dois meses depois e, apesar do atraso, gostou do que viu. As duas frequentavam o mesmo bar, falavam com as mesmas pessoas e agora sabiam da existência uma da outra, mas nunca acontecia de cruzarem os olhares. Passaram semanas naquele blefe de vesgos, nenhum avanço. Um dia, o álcool tomou a iniciativa por elas. Beijo macio e cheiroso às escuras. Houve até mãos dadas, só se esqueceram de combinar como seria às claras. E a manhã chegou certeira e calada. Acenaram-se de longe, nada mais. Dia após dia, o cumprimento era sempre o mesmo, simpático, frio, uns tantos quilômetros entre elas. À distância, o campo de visão abrangia outras pessoas, gente demais, ninguém importante – mas como iam saber isso? Achaques, teorias, desistiram de entender. Três semanas depois, se toparam no boteco de sempre, cada qual levava um candidato a namorado pela mão. Constrangidas, desviaram o olhar e fingiram que não se conheciam...

Abortos: Aparição

Tristão, cansado de ser um sacana fodido eternamente de ressaca, rendeu-se à sociedade. Parou de faltar nas aulas, aderiu aos banhos diários, arrumou um estágio. Para o pacote ficar completo, só lhe faltava uma namorada de boa família. Mas isso já estava encaminhado: há tempos observava Lílian, tão rosada que parecia feita de uma substância impermeável à sujeira. Ela gostou do jeitinho vagabundo dele por baixo da crosta de bom moço, entenderam-se. Ao cabo daquela primeira semana de romance, ele confessaria aos colegas de bar que estava perdido, condenado a agir certo. Resistiu aos maus instintos o quanto pode, mas, um mês depois, quando a moça lhe disse “eu te amo”, ele surtou. Sumiu por seis dias, voltou todo estropiado, nunca mais procurou Lily, que agora estava mais pra amarela do que pra rosa. E haja tática de guerrilha para evitá-la, pois essa daí agora passava quatro horas todo dia, divididas rigorosamente em dois turnos, sentada na porta do prédio dele. Eles até se toparam algum...

Abortos: Maiores de idade

Qual é o oposto de pedófilo? Janaína era essa palavra que falta ao nosso vocabulário. Ela dizia coisas como “adoro uma barba grisalha”, “olha que charme esse suéter bege”, “ai, que sexy a tossinha seca dele, tão subversiva”. Bom, fetiche é fetiche. Aos 25, casou-se com Mário, que estava no auge de seus 68. Bem que a mãe alertou, mas a moça foi teimosa, e ninguém se espantou quando ela comunicou estar arrependida da união apressada, exceto pelo motivo: Jana viu no baile do Carinhoso uns oitentões bem pimpões – por que diabos quis sossegar tão cedo? O marido, ciente do preço de sua sorte, comparecia todos os dias com flores e carícias, amante à moda antiga. Quanto mais ele agradava, mais ela se irritava. Se quisesse um homem tão ativo, tinha escolhido um rapaz da idade dela. Mário respondia que, se quisesse uma esposa tão ranzinza, tinha continuado com a ex-mulher. Ele logo encontrou consolo nos braços de Mara, 77, assídua frequentadora do Carinhoso que esperava por essa chance há pelo m...

Abortos: A terceira

Georgette dizia que nunca teria filhos. Arruinava o corpo, favorecia que o marido olhasse para as sirigaitas. Ela chegou aos 35 anos em boa forma, o que não impediu Robson de traí-la às vésperas dos dez anos de casamento. Pior foi o amadorismo dele, com camisinhas esquecidas no carro, SMS comprometedores de um tal de Nicolas, que na verdade era Nicole, e tudo o mais. A separação foi imediata, só não foi mais rápida que a saudade que se seguiu. Georgette logo cedeu aos convites do ex-marido para aquele restaurante romântico, um motelzinho quatro estrelas e, quando percebeu, estavam namorando. Se aquela situação já não parecia bastante juvenil, piorou quando constataram a gravidez acidental. Robson se sentiu aliviado com a notícia: ser namorado, amante e Dom Juan aos 49 anos dá um trabalhão, ele enfim poderia voltar a ser apenas o marido. A futura mamãe, por sua vez, entrou num estado de choque que só foi piorando. Sempre haveria alguém entre o casal. Se não fosse a amante era a criança....

Abortos: Dai as mãos

Tônia se sentia abençoada. Vivia um daqueles raríssimos primeiros encontros sem medo ou mentira – imaculado. Noite quente, conversa farta, as sardinhas dele no nariz, uma vontade de amor incondicional despertada pelo filme do Wes Anderson. Agora caminhavam pelo calçadão vazio, o barulho da bicicleta levada de lado lembrava o do projetor. A menina desempenhava seu papel confiante, relaxou até demais, cedeu ao diabo, agarrou a mão do amigo. Corta! Oh, horror, o que eu fiz, meu Deus? Ela soltou no susto, quis morrer para não ter que explicar. Desculpa, desculpa, sei que é muito cedo, não somos namorados. Tiago ainda riu, disse que dar as mãos não era pecado, mas a infratora assumiu a culpa irredutível, exilou-se em si mesma. O jeitinho bobinho dela o fez sorrir. Se ela não tivesse arrancado os próprios olhos, talvez tivesse notado. Ele quis ampará-la, mais de uma vez procurou a mão dela, que sempre fugia, não precisava da piedade de ninguém. No fim, nem a lua onipresente no céu pôde trans...

C.

amar sempre independente da maré e dos males plantados colhidos comidos cuspidos na cara amar sem esperar o mérito a ocasião a recompensa o príncipe amar já sem amargar amar no ódio não por causa dele mas apesar dele amar o outro em nós mais do que nós no outro amar sem possuir amar os sem posses amar por si amar em silêncio amar concretamente na poesia no asfalto na asia ao mar, sem medo!

O dia em que resolvi parar de ter aquelas conversas profundas sobre o sentido da vida e comecei a vivê-la

Um dia produtivo, daquele tipo que adoro. Eu voltava para casa de bicicleta, satisfeita e cansada. O problema foi o horário: ainda eram sete horas da noite. Vislumbrei a cena. Eu abriria a porta, seria recebida por aquele silêncio denso, não teria ninguém para quem ligar, nenhum bicho para alimentar, só restaria o computador e o trabalho pendente. Se encarasse mais uma dose de obrigação, arruinaria aquela quinta-feira, que já estava na medida certa, e iria dormir com a sensação de mais outro dia repetido, igual ao anterior e ao anterior e ao anterior. Enrolei-me no caminho de volta, esperando uma solução mágica. Foi então que encontrei rostos conhecidos. Gente de quem nem gosto muito, mas era uma oportunidade de conversar. Fiquei superexcitada, me atropelei, falei mais do que devia. Quando me dei conta, revelava àquelas pessoas de quem nem gosto muito o quanto eu vinha me sentindo solitária. E isso já faz uns quatro anos, mas elas supuseram que era uma condição que se arrastava de ap...

Anna Karenina e a claustrofobia

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Toda sala de cinema é um pouco claustrofóbica. Ar parado, poltronas e piso infestados de ácaro, escuridão densa, estranhos sentados perto demais (e às vezes cutucando suas costas), barulho de mastigação, sussurros, o chato que faz shhhhh para impor ordem até no momento de lazer... Mas aí o filme começa, e uma janela de luz se abre bem à sua frente. Você se esquece do ambiente sufocante, desprende-se do seu ego mesquinho e viaja livremente. Bom, se você estiver assistindo a “Anna Karenina”, de Joe Wright, não é bem isso que acontece. Primeira cena, um palco de teatro. A cortina se abre e se inicia um giro frenético através de múltiplos cenários. Muitas portas, cortinas, cordas, escadas. Dezenas de personagens povoam esses ambientes móveis, preocupados com os próprios assuntos pessoais, indiferentes à coreografia que rege a todos, um compasso tão falso! Já viram algum filme do Peter Greenaway (sugiro “O bebê santo de Macon” para quem tiver estômago)? O jogo é bem parecido, fiquei ...

Um poema de Paulo Leminski

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[sem título] um passarinho volta pra árvore que não mais existe meu pensamento voa até você só pra ficar triste LEMINSKI, Paulo. Toda Poesia . São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 70

Sobre o amor

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"O amor é uma grande estranheza: aí estão dois, cada um deles uma estrela diferente, e ninguém pode saber jamais sobre o outro. E de repente não há mais distância nem tempo, e eles se precipitam um sobre o outro, de modo que não sabem mais nada de si nem nada um do outro, e também não precisam saber mais nada. Isso é amor." BROCH, Hermann. Esch ou a anarquia / 1903 . São Paulo, Benvirá, 2011. p. 176. Esse livro não trata muito do amor, a passagem citada é um pequeno desvio do tom geral da obra, que trata da decadência de valores. Broch é altamente irônico diante das relações interpessoais modernas (tudo entra numa grande contabilidade, ganhos e sacrifícios). Esta é uma obra prima que pouca gente leu, recomendo!

O amor, o sorriso e a flor

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Nesta postagem de número 200, vou deixar a verborragia de lado e me render à beleza simples e passageira. Afinal, como escreveu Horácio na ode I,38, "Renuncia a buscar o lugar, onde duram as rosas”. (A foto é de minha autoria, tirada com uma Sony Cybershot 5.1 que, sei lá como, ainda consegue captar essa riqueza de textura.)

O homem perfeito

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Para compensar o longo período de ausência, vou conceder aos meus três leitores uma dose de humor autodepreciativo e exposição excessiva. Vocês já estiveram naquela fase “vi tudo, fiz tudo, as pessoas me entediam”? Tenho vivido esse limbo nos últimos meses. Daí fiquei pensando no porquê de as pessoas em geral, e os possíveis pretendentes em especial, me entediarem tanto. Para ganhar minha admiração, alguém precisa colecionar uma série de qualidades, mas nenhuma delas deve ser extremada. Eu especifico melhor nas linhas a seguir Ser inteligente, mas não CDF. Consumir alta cultura, mas não ter nojinho de entrar em boteco. Ser asseado, mas não maníaco por limpeza. Ignorar a moda, mas não se vestir de forma vergonhosa. Ter uma personalidade interessante, mas não jogar joguinhos. Ter um lado espiritual desenvolvido, mas não ser carola. Ser zen, mas não bicho grilo. Ser paciente, mas não passivo. Ser bonito, mas não do tipo que para o trânsito. Ser cavalheiro, mas não a...

Ah, a arte, essa subversiva...

Segue letra de uma música de que gosto muito e que acrescenta lenha às ideias que vim expondo nos últimos posts, em especial sobre busca de paz espiritual versus de amor . Recomendo a versão cantada por Mônica Salmaso. ** Tempo de amor (Samba do Veloso) Vinicius de Moraes Ah, bem melhor seria Poder viver em paz Sem ter que sofrer Sem ter que chorar Sem ter que querer Sem ter que se dar Mas tem que sofrer Mas tem que chorar Mas tem que querer Pra poder amar Ah, mundo enganador Paz não quer mais dizer amor Ah, não existe coisa mais triste que ter paz E se arrepender, e se conformar E se proteger de um amor a mais O tempo de amor É tempo de dor O tempo de paz Não faz nem desfaz Ah, que não seja meu O mundo onde o amor morreu