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Mostrando postagens com o rótulo crise

Extra! Extra! Bolsonaro veio para trazer paz aos povos

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Não é piada. Depois deste ano extenuante, buscando um sentido para a coisa toda, cheguei à conclusão de que Jair Bolsonaro é o maior mestre zen de todos os tempos. Precisávamos desesperadamente dele para despertar. Não bastava um liberal ou um banqueiro qualquer, tinha que ser o sujeito mais tosco já nascido nesta terra para nos libertar da cegueira em que nos encontrávamos acerca dos problemas de nosso país. O caminho para a iluminação não é fácil. Primeiro ficamos reativos, apegados aos pequenos prazeres. Ficamos presos num papo assim: "Ei, lembra a bonança de 2010? PIB padrão chinês, todo mundo comprando carro e tomando iogurte grego feito água, viagens de avião se democratizando, as universidades distribuindo bolsas de pesquisa e extensão, o Brasil emprestando ao FMI em vez de pegar emprestado, nosso maior problema era decidir onde aplicar a bolada do pré-sal... Bons tempos... O problema veio depois. Foi a recessão mundial. Não, foi a corrupção do PT. Não, foi o golpismo ...

Janelas provisórias

Eu tenho duas janelas, enormes, pelas quais o sol da manhã inunda meu quarto-cozinha, o que a gente diferenciada gosta de chamar de "loft", mas, para bom entendedor, ainda é uma "quitinete". Esse foi o principal motivo para eu ter me mudado para cá. A vista anterior, um muro e uma gaiola com uma calopsita berrando, quando penso nela, nas raras vezes em que faço isso, parece irreal, como um pesadelo que se dissolveu no momento em que abri os olhos, despertada por este sol farto que me toca todas as manhãs. Quando abro a janela, espero pelo tropel de um cão só. É Pólux que vem me saudar, esperançosa de que eu a convide para o café da manhã. Ultimamente o pão tem sido pouco, mas ela sempre vem. Não importa a hora, ela se levanta e vem, olhando para cima e lambendo seu focinho castanho. Se não tenho comida em casa, lanço-lhe beijos, mesmo sabendo que ela preferiria um bolo. Seu favorito é o de mexerica, mas ela aceita qualquer oferta e volta a dormir. Esta é uma jan...

MCK - Te odeio 2016

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Descobri esse rapper angolano maravilhoso, o MC Kappa. Dois mil e crise e dois mil e escassez continuam rolando. Quando vai acabar, meu Deus? Letra: TE ODEIO, 2016 Refrão: Quero regressar pra dois mil e Katrogi (2014) Dois mil e crise (2015) foi horrível O que será de dois mil e escassez (2016)? 1 verso 2015 foi um ano pra esquecer Osso duro de roer Arca sem Noé, cortes no OGE Quadra sem Moet, Tugas tiraram o pé, cenas falidas bué... O novo ano não trará nada de novo Além de desespero e mais tristeza pra esse povo Orçamento revisado, ano de exercício Subiram os combustíveis logo no início Divisas na dibinza, o dólar só dispara Água está mais cara Comida está mais cara Energia está mais cara A propina está mais cara A linha está mais cara Farinha está mais cara O preço inflama a cara, tara TPA 1 e 2, só mascará... Tudo subiu, salário nem já Meus manos estão na Kuzú, liberdade já! Domiciliária nah... Liberdade Já! São multas, são taxas, impostos e alfând...

Diário da crise existencial (os falsos aliados)

Só Deus sabe o quanto nesta vida resisti à tentação de dar indiretas nas redes sociais, mas esta mensagem será bem direta. Digo-a em prol da minha sanidade mental, não por algum tipo de vingança. Uma breve contextualização. Quando a gente está passando por uma longa fase depressiva, lutando para reconstruir uma existência neste mundo, tende a buscar ajuda em vários lugares, até obsessivamente, porque a gente não consegue ficar sozinha com os próprios pensamentos -- eles são tão terríveis que precisamos nos distrair de nós mesmos. O problema é que, na hora do desespero, podemos recorrer a pessoas que não querem o nosso bem, são os falsos aliados. Essas pessoas tentam tirar alguma vantagem da nossa vulnerabilidade e, após conseguirem ou porque não conseguiram e começa a ser muito trabalhoso insistir, desaparecem, fazendo a gente se sentir ainda mais abandonada do que já estava inicialmente. Felizmente, estou vacinada contra esse tipo de pessoa e, quando isso acontece, eu tento me des...

Diário da crise existencial (a recaída)

Quando escrevi o post passado, lembro de estar me sentindo otimista, ainda bastante fraca, mas esperançosa de que a melhora não tardaria. Hoje venho para registrar que estou de volta à fase um, total desânimo. Como assim, né? Tinha voltado a me dedicar aos estudos, estava saindo com os amigos, empenhada numa busca mais espiritual... para onde foi tudo isso? Não sei e, no momento, não encontro forças para tentar explicar. Só me sinto um corpo sem vida, deixado de lado, sem ninguém a quem recorrer. Acho que é assim que funciona, não há um progresso linear, a gente fica sempre em torno das mesmas situações até conseguir superá-las de verdade. Felizmente tenho terapia amanhã de manhã, só preciso me aguentar até lá...

Diário da crise existencial (3493874957º episódio)

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Estou passando para registrar o estado atual desta crise. Eu me permiti escrever posts mais pessoais como parte de um exercício de aceitação da minha vulnerabilidade, que basicamente consiste em mostrar aos outros meu rosto sem máscaras e ter que lidar com a resposta deles sem desabar. Além disso, acho que estes textos íntimos podem ajudar àqueles que estão no estágio inicial da desilusão (ou da iluminação), isto é, desespero e desejo de morte. Quando eu mesma estive lá, e foram as duas semanas mais longas da minha vida, gastava minhas noites de insônia, porque nem o alívio do sono a gente tem, procurando uma palavra que me resgatasse. Talvez estas sejam as palavras que resgatem alguém. Não são salvadoras, mas servem de companhia até que essa pessoa se sinta forte o suficiente para caminhar com as próprias pernas, porque – respondendo à pergunta do post passado – parece que o caminho para se viver bem é, sim, prioritariamente solitário. Mas esta verdade não ajuda na primeira fase. Ne...

Uma questão de método

Depois de inúmeras crises existenciais nos últimos meses, cheguei a um dilema que, acredito, é a base de todos os outros. Alguém tem um palpite de como resolvê-lo a fim de levar uma vida menos sofrida e mais significativa? Segue. O melhor método para se viver é: a) assumir nossa fragilidade e excessiva dependência do afeto alheio, estabelecendo o maior número de conexões com as pessoas para se cercar de uma rede de proteção emocional, ou b) cortar de vez todos esses vínculos, viver radicalmente a solidão para se fortalecer fora da ilusão de que haja uma possibilidade de salvação individual? (Como os últimos, imagino que os próximos posts devem seguir nesta linha, estão avisados.)

Crise existencial acadêmica

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Alguém se reconhecerá no desabafo abaixo? Pensei em dividir estas angústias para lhes dizer: não estamos sozinhos em acharmos que estamos sozinhos. Porém, mesmo não estando sozinhos no sofrimento, a sensação de solidão ainda é imensa, então não acaba sendo verdade que estamos mesmo sozinhos? Bem-vindos ao clube da eterna crise da pós-graduação! E olhe que nem comecei o doutorado ainda... Diálogo mental com meu escritor favorito (preencha aqui o nome de sua preferência): Você que chegou lá, que eu tanto admiro por publicar livros de verdade, me diz como se faz para atingir um ponto em que você se sente seguro de que sabe muitas coisas ou pelo menos sabe muito bem poucas coisas? Quanto mais eu leio e penso, mais evidente fica minha ignorância sobre tudo. Isso na boca de um Sócrates, cujo valor intelectual está bem provado, parecem palavras de sabedoria, mas num contexto de modernidade, em que você é um novato precisando provar para pessoas capacitadas a sua capacidade quando voc...