Roteiro para um filme de zumbis
No meio de uma floresta, fim de tarde. Um homem corre, atrás dele há uma horda de zumbis. A câmera em primeira pessoa em relação ao humano. Respiração ofegante, ele está próximo ao portão de um forte. Até que ele tropeça, cai e testemunha as dentadas em seu corpo. Grito ecoante, pássaros voam.
A câmera sobe do corpo sendo estraçalhado e segue em direção ao tal forte. Panorâmica. Vemos o local todo tomado por zumbis. Corpos humanos pela metade. É aí que descobrimos que o filme não se trata de humanos resistindo a zumbis, mas do fim da espécie humana e a luta que isso implicará entre as criaturas. Aparece o título na tela em letras cor de sangue: “Zumbis canibais”.
Noite, chove. Zumbis se rastejam por todos os lados, lentamente, sufocando, não há mais carne humana. Famintos, se entregam ao solo esperando pela segunda morte. Um raio ilumina o céu. Um zumbi se levanta da lama e começa a escalar uma torre. No meio da subida, um raio o atinge, ele cai. Tela preta.
Manhã. Um pássaro bica a cara do zumbi caído. Rapidamente ele o agarra e amassa entre os dedos. Lambe o sangue na mão. Outro zumbi deitado ao lado entra na disputa pela minguada presa. O primeiro quebra o pescoço do segundo e começa a comer a carne deste. O zumbi então vomita, mas volta a comer aquilo que vomitara.
Testemunhamos outras cenas rápidas, situações em que esse zumbi ataca outros de sua espécie, desta vez sem passar mal. O público deve entender que ele se tornou um superzumbi, mais humano e mais apto à sobrevivência. Num desses ataques, também na floresta, ele não se interessa em se alimentar de uma zumbi, mas em praticar relações sexuais com ela. Depois do ato, contenta-se em devorar apenas uma das mãos dela, um carinho sadomasoquista. Ele ouve um barulho entre as árvores e se afasta.
A barriga daquela zumbi cresce em questão de minutos. Ela urra. Garrinhas cortam o ventre dela de dentro pra fora. De lá sai um bebê zumbi. Ele come o cordão umbilical e segue devorando a mãe.
(Ainda é preciso pensar em como representar a passagem dos anos, por isso vamos para a cena final, a que interessa.)
O zumbi bebê agora é adulto. Ele se rasteja por uma pequena cidade sulista. De repente algo pula em cima dele. É outro zumbi, que tenta devorá-lo. Eles lutam. O público reconhece que se trata do primeiro zumbi, aquele que fora atingido pelo raio, mas eles não sabem que são pai e filho, só pensam em comer o adversário. A luta se estende, um vai quebrando e comendo pedaços do outro. Até que temos apenas fragmentos de corpos se atacando a dentadas. No fim são apenas cabeças, ainda enfurecidas, mas sem condições de se mover.
Um pássaro pousa sobre a cabeça do pai e começa a bicá-la. Pouco a pouco devora a carne dela. A cena é exibida bem de perto, com todos os detalhes grotescos, como olho pendurado e pedaços de cérebro sendo retirados por essa cavidade. Tela preta: fim.
Édipo-rei moderno: mata o pai e come a mãe. Viu, dá pra ser culto no meio da sanguinolência.
Trata-se de um filme sem diálogos, por isso a música deve ser bastante dramática e expressiva.
Se alguém quiser por a ideia em prática, estou à disposição para desenvolver melhor o roteiro. É nesse clima que desejo a todos: bom carnaval!
Poxa cata quero fazer um filme de zumbi mas to sem ideias
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