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Mostrando postagens de abril, 2017

Crise existencial acadêmica

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Alguém se reconhecerá no desabafo abaixo? Pensei em dividir estas angústias para lhes dizer: não estamos sozinhos em acharmos que estamos sozinhos. Porém, mesmo não estando sozinhos no sofrimento, a sensação de solidão ainda é imensa, então não acaba sendo verdade que estamos mesmo sozinhos? Bem-vindos ao clube da eterna crise da pós-graduação! E olhe que nem comecei o doutorado ainda... Diálogo mental com meu escritor favorito (preencha aqui o nome de sua preferência): Você que chegou lá, que eu tanto admiro por publicar livros de verdade, me diz como se faz para atingir um ponto em que você se sente seguro de que sabe muitas coisas ou pelo menos sabe muito bem poucas coisas? Quanto mais eu leio e penso, mais evidente fica minha ignorância sobre tudo. Isso na boca de um Sócrates, cujo valor intelectual está bem provado, parecem palavras de sabedoria, mas num contexto de modernidade, em que você é um novato precisando provar para pessoas capacitadas a sua capacidade quando voc...

Minha súdita

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Outro dia assisti ao filme “Meu rei” por indicação de um amigo. Perguntei de que se tratava, ele disse que era um drama francês sobre relacionamentos. Com essas indicações vagas, comecei a vê-lo. As primeiras cenas mostram uma mulher fazendo tratamento para recuperar o joelho (são cenas fortes, demos graças a Deus pelos ligamentos sãos que evitam nosso joelho de dobrar para frente...) e essa mesma personagem cerca de dez anos antes, quando ainda não era mãe. Seu nome é Toni, ela é advogada, parece divertida e segura de si. Na fase da juventude, ela conhece Georgio, formando aquele casal autêntico, cujos encontros iniciais são meio doidos e que a gente acompanha com um sorriso no rosto. Assim segue a narrativa, intercalando o presente (tratamento ortopédico) e o passado, que vai avançando ao encontro do momento atual. O espectador rapidamente entende que essa é a história de como aquele relacionamento começou e se deteriorou. Não posso reclamar de propaganda enganosa, de fato, tr...

Sim

Estava pensando em um cenário hipotético no qual eu, uma mulher jovem, solteira e com uma independência financeira muito recente e frágil, para não dizer questionável, ficasse grávida. A pressão mais explícita viria da família, representante desta classe-média conservadora (progressivo na concepção deles é, no máximo, ter amigo preto ou gay). Eu não te reconheço mais! Você fez sexo fora do casamento! Agiu como uma qualquer! Envergonhou seus pais! Deus te castigou! Haveria também a pressão dos colegas da minha geração, essa mais velada. Como você pode ter feito sexo sem proteção? E se tivesse pego uma doença? Essa criança vai arruinar sua carreira e sua vida sexual! Seu corpo e sua disposição nunca mais serão os mesmos! Seja pelo discurso dos velhos moralistas, seja pelo dos liberais hedonistas-cientificistas, percebo que estamos todos cegos. Como interpretar essa gravidez “fora de hora” (sem carteira assinada, sem plano de saúde, sem registro de casamento... enfim, sem “condições...