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Mostrando postagens com o rótulo mulher

Mãe

Ontem uma amiga deu à luz seu primeiro filho. Quando ela me descreveu o parto, que, precedido de uma gestação dolorosa, ainda teve complicações, pensei: essa mulher atingiu o nível existencial dos semideuses. A coragem para suportar a dor e dizer “sim” ao seu desejo até o final é impressionante. Nas histórias míticas, os heróis – quase sempre pertencentes a uma linhagem divina, por isso são semideuses – iam para as guerras para acumular feitos notáveis e, assim, provar sua honra. O que muitas vezes esquecemos é que, não importa a bravura e o desapego deles, ou quantas pessoas tenham “salvado” com suas armas, eles só conseguem matar, jamais gerar vida nova. Inclusive, já disseram (não lembro a fonte, desculpem) que o homem prolifera ideias para suprimir sua incapacidade de criar com o corpo. Esta conversa poderia descambar para os clichês de Dia das Mães: aquela que dá a vida, a que se sacrifica, a encarnação do amor incondicional... Mas aí mora outro perigo. Pela generalização, ignoram...

Sobre não fazer sexo

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Outro dia, esperando meu ônibus, pratiquei o hobby favorito dos aspirantes a escritor – ouvir a conversa alheia. Uma mulher de 58 anos falava com a cobradora, que devia ter uns quarenta e poucos, sobre as sem-vergonhices que os homens vinham lhe propondo nos aplicativos de encontro. Casada por 30 anos, a primeira se orgulhava de nunca ter precisado fazer “aquelas coisas nojentas”, “pôr o negócio na boca”, “ali atrás” e assim vai (ela fazia uns sons de vômito ao mencionar isso, era meio triste, meio engraçado), e estava chocada por ter descoberto que hoje em dia a mulherada logo fazia tudo isso com qualquer um. A senhora concluiu seu raciocínio dizendo que era por esse motivo que os homens não as respeitavam, enquanto ela, que estava casta há três anos, desde a morte do marido, era desejada por vários, por ser “diferente” das outras. Era noite de domingo, estávamos só nós três dentro da estação-tubo – nota contextual: em Curitiba, o cobrador fica dentro do ponto quando este é fecha...

Sim

Estava pensando em um cenário hipotético no qual eu, uma mulher jovem, solteira e com uma independência financeira muito recente e frágil, para não dizer questionável, ficasse grávida. A pressão mais explícita viria da família, representante desta classe-média conservadora (progressivo na concepção deles é, no máximo, ter amigo preto ou gay). Eu não te reconheço mais! Você fez sexo fora do casamento! Agiu como uma qualquer! Envergonhou seus pais! Deus te castigou! Haveria também a pressão dos colegas da minha geração, essa mais velada. Como você pode ter feito sexo sem proteção? E se tivesse pego uma doença? Essa criança vai arruinar sua carreira e sua vida sexual! Seu corpo e sua disposição nunca mais serão os mesmos! Seja pelo discurso dos velhos moralistas, seja pelo dos liberais hedonistas-cientificistas, percebo que estamos todos cegos. Como interpretar essa gravidez “fora de hora” (sem carteira assinada, sem plano de saúde, sem registro de casamento... enfim, sem “condições...

Uma opinião sobre o aborto em mais de 140 caracteres

Enquanto todo mundo discute a questão do aborto nas redes sociais, eu fujo de me posicionar ali, pois, inevitavelmente, a gente acaba sendo tachada disso ou daquilo antes mesmo de apresentar qualquer argumento para defender um ponto de vista. Prefiro escrever neste espaço que acessa só quem quer, sem forçar amigos, colegas e familiares a curtirem minha opinião para que eu descubra se ela (e, consequentemente, toda a minha pessoa) é válida ou não. Nada disso. Estou segura desde já de que construí uma posição sólida, porque pensei com seriedade sobre o assunto, permitindo-me mudar de ideia quando apareciam dados convincentes e, claro, continuo aberta a ouvir outras perspectivas que apresentem informações de fonte segura para respaldá-las. Por muito tempo repeti: sou pessoalmente contra o aborto, não o praticaria em nenhuma circunstância nem incentivaria uma mulher próxima a cometê-lo, mas quem sou eu para determinar o que as outras devem fazer? Portanto, se uma mulher decidir isso para...

Dor de jornalista

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A moléstia que ataca minha classe profissional não pode ser outra senão a no estômago. Sinal de estresse, má alimentação e ingestão de todo tipo de veneno – inclusive o exalado pelos semelhantes. Eu não pretendia (e não pretendo!) fazer este post como um desabafo pessoal. Mas só tive essa rápida recaída, por causa da última atualização desanimada da minha amada Regatinha. Fiquei desanimada também. Além de ter a mania de tomar para mim a dor dos outros – sim, sou hipocondríaca convencional e emocional –, sempre que leio o blog da minha amiga, ela deixa tantas críticas codificadas que morro de medo de me encaixar numa delas e ser tão tonta a ponto de nem perceber. Bem, mas o que eu tinha a dizer já está dito. Vamos à idéia original do post. ** Seguindo a moda por aí, estou revendo alguns dos meus conceitos. A primeira mudança, talvez a que mais diga sobre minha essência, descrevo agora. Scarlett O’Hara não é mais a minha musa inspiradora. Troquei-a por Maria Moura. Conhecem? P...

Por que nos estupraste, Brasil?

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Não tinha a intenção de fazer tantas atualizações em um intervalo de tempo tão curto. Mas não posso deixar de divulgar o artigo que acabo de ler. É... É... enojante! Me sinto tão vil de viver de forma confortável enquanto outras pessoas (e não são poucas) passam por essa merda. A menina paraense que virou notícia Por Ligia Martins de Almeida em 27/11/2007 A prisão de uma menina de 15 anos em uma cela com 30 homens – e a violência continuada que sofreu durante o período – indignou a mídia na semana que passou, a ponto de merecer um editorial do Estado de S.Paulo sob o título de "Vergonha nacional": "No capítulo das grandes vergonhas nacionais, merece destaque o fato, especialmente sórdido, de vileza desmedida, que é a colocação de mulheres em celas com muitos homens, para que sejam exploradas e brutalizadas sexualmente... E o mais acachapante é que a governadora do Pará suspeita de que a prática é comum – não apenas em seu Estado, mas em outros locais do terr...

Amendoins confeitados

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i. quem senta na ponta paga a conta Hoje quando foi ao RU (Restaurante Universitário, para quem não está familiarizado), me entregaram o seguinte informe: “Em virtude da ocupação do prédio da Reitoria, que vem impossibilitando o pagamento dos fornecedores de gêneros alimentícios (semi-perecíveis, carnes e hortifrutigranjeiros), bem como o registro de empenho pelo DCF/PROPLAN, comunicamos que a partir da próxima sexta-feira, dia 26 de outubro, os Restaurantes Universitários da UF** estarão fechados devido ao desabastecimento. Reitoria” Por que, não importa o que aconteça (greve, ocupação etc), são sempre os estudantes de menos recursos financeiros – e que, portanto, dependem vitalmente do RU – que pagam o pato? ii. a cobra, a mulher e o rabo de Truman Capote Vamos à nossa próxima delícia açucarada. Há tempos venho planejando escrever um post sobre ser mulher. Mas hoje vejo que ainda não estou pronta para esse assunto tão espinhoso. Então como lidar com o problema por ora?...