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Por que me entupi de chocolate há quinze minutos

Vou contar como tudo aconteceu. Eu voltara do RU, já vestia minha roupa velha de ficar em casa (melamordedeus, nunca me façam uma visita vespertina surpresa se não quiserem me encontrar mendiga e com uns remédios estranhos na cara), resolvi ler um pouco antes de pegar firme no trabalho. A história do livro estava interessante, mas, sei lá por que, não consegui avançar mais do que um capítulo. Daí veio aquela idéia que nunca acaba bem: “Acho que não tem problema se eu deitar aqui no sofá por uns dez minutinhos”. Para começar, era um sono tão pesado que, no meu sonho, eu também sofria desse mesmo sono pesado. Vi-me sonolenta (sabe quando você não consegue manter os olhos abertos por mais que tente?) cambaleando pelos corredores da fac, matando aula para cochilar no sofá de um gabinete qualquer, tendo que ser apoiada por amigos feito bêbada. Talvez eu estivesse mesmo. Gente, alguém me confirme, eu não passei sonâmbula esta tarde pelo campus, né? E sabe o detalhe mais sórdido? Eu estav...

Me cago no leite da conexão 45 kbps

O título é só para expressar que quase desisti de usar Internet em casa. Mas sabe que é maravilhoso viver como nos tempo pré-conexão rápida? Só não é às vezes, quando quase surto pensando que minha caixa de e-mails pode estar lotada de problemas que precisam ser resolvidos imediatamente. Fora isso, é ótimo estar alienada ao mundo. Outro dia até estava de boa vontade e comprei o Estadão de domingo. Mas que porcaria, hein? Sério mesmo, não percam tempo e dinheiro comprando jornal nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Não sei dizer se é escrito por focas, se os jornalistas avacalham de propósito, se extremistas aproveitam a vista grossa do editor para expor seus ideais semifascistas... Por isso, eu apóio o movimento: “Já que (quase) ninguém lê jornal entre o Natal e o Carnaval, para que fazer o jornalista trabalhar de má vontade e produzir um punhado de piiiiii?” . ** Capítulo 2: Fuga e rendição Não sei dizer como chegamos a este ponto. Mas, para não acharem que eu não te...

Sonhos de uma noite de verão (reminiscências adolescentes)

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Capítulo 1: Canal 13 Estudávamos num colégio onde tudo nos era permitido, exceto vagar por aí, pensar bobagens, chegar atrasado, sair fora da hora, discutir, negar e não obedecer. Os muros eram espessos e altos, pintados num tom de cinza que só pode ter sido invenção humana – nunca vi nada igual brotar no meio do mato. As carteiras cheias de ângulos retos não nos permitiam dormir. Todas as salas eram fechadas e abarrotadas de gente. Pátio não havia. Um dia, por acaso, quando eu transgredia umas dezenas de regras, encontrei a sala dos professores. Digo “encontrei”, porque ninguém com menos de trinta anos tinha acesso a ela, ou melhor, sequer sabia que ela existia. Pois você não irá acreditar quando lhe contar onde ela ficava. No ginásio de esportes. Sim, nesse ambiente meramente decorativo que só adentramos no primeiro dia de aula. Durante o resto do ano não tínhamos por que ir até lá: as aulas de educação física eram todas teóricas. O que dizer a respeito da ultra-secreta sala d...