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Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite...

Até dar uma choradinha? Acho que sim, faz parte. Não há dias em que chorar seja impossível ou proibido, certo? Sábado à noite é especialmente bom para chorar, me parece até mais honesto, sem medo de ser infeliz. Então lá vai. Encontrei esta bela homenagem às vítimas de COVID-19, chamada genialmente de "inumeráveis":  https://inumeraveis.com.br/ . Nestes tempos de quarentena, tenho "aproveitado" o isolamento para adiantar a tese. Quando meu companheiro, que também está escrevendo a dele, me contou que havia dedicado o presente capítulo às vítimas de COVID-19, pensei: a gente pode fazer isso? Se não pode, tem que fazer mesmo assim! Tentamos tirar um pouco a cabeça dessa bagunça que tá o mundo para conseguir escrever, mas não podemos ignorar que esse é o mundo em que nossas pesquisas estão se desenvolvendo. Absurdo seria agir como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra. Então eu o copiei. Como eu estava refletindo sobre a pessoalidade da morte para Heide...

Para não dizer que não falei de Covid-19

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Já que estou totalmente dedicada à tese, sigo colando textos alheios -- virei uma "copiadora", no dizer de Estamira. O de hoje é do Elias Canetti, um pequeno ensaio do livro "Massa e Poder" que pareceu bem pertinente para pensar a atual pandemia. As epidemias (Elias Canetti) A melhor descrição da peste é a que nos deu Tucídides, que a viveu na própria pele e se curou. Em sua concisão e exatidão, tal descrição contém todos os traços essenciais dessa doença, sendo, pois, aconselhável reproduzir aqui o que ela informa de mais importante. Os homens morriam feito os mosquitos. Os corpos dos moribundos eram todos empilhados. Viam-se criaturas semimortas a cambalear pelas ruas ou, em sua ânsia por água, apinharem-se em torno das fontes. Os templos nos quais se abrigavam estavam repletos dos cadáveres das pessoas que haviam morrido ali.  Em muitas casas, as pessoas foram de tal forma subjugadas pelo peso de seus mortos que deixaram de lamentá-los.  As cerimônias...