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Mostrando postagens com o rótulo insônia

Regras de boa vizinhança

Resumo: um post com um quê de autoajuda, além uma indiretinha para o meu vizinho de cima e para todos que se instalaram em andares elevados como se estivessem acima da carne seca, o que também pode ser lido como metáfora social. Quem mora no andar de cima não pode se esquecer dos que estão abaixo. Com efeito, essa pessoa que pode pagar um aluguel mais caro para morar no alto tem a obrigação moral de ser a mais altruísta de todas, pois tudo o que ela fizer interferirá na vida dos demais. Os mimos que ela crê merecer, já que pagou por eles, têm um preço altíssimo na vida dos que não puderam ou não quiseram ter essas coisas. Cada desfile de salto alto para empinar o bumbum em frente ao espelho, cada móvel arrastado para melhorar o feng shui, cada aspirador ligado em madrugada de insônia, cada bolinha arremessada para seu pet, cada birra de criança à meia noite porque essa passou o dia todo ingerindo açúcar em doses cavalares e nunca ouviu um "não" na vida, cada grito com o par...

Diário da crise existencial (3493874957º episódio)

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Estou passando para registrar o estado atual desta crise. Eu me permiti escrever posts mais pessoais como parte de um exercício de aceitação da minha vulnerabilidade, que basicamente consiste em mostrar aos outros meu rosto sem máscaras e ter que lidar com a resposta deles sem desabar. Além disso, acho que estes textos íntimos podem ajudar àqueles que estão no estágio inicial da desilusão (ou da iluminação), isto é, desespero e desejo de morte. Quando eu mesma estive lá, e foram as duas semanas mais longas da minha vida, gastava minhas noites de insônia, porque nem o alívio do sono a gente tem, procurando uma palavra que me resgatasse. Talvez estas sejam as palavras que resgatem alguém. Não são salvadoras, mas servem de companhia até que essa pessoa se sinta forte o suficiente para caminhar com as próprias pernas, porque – respondendo à pergunta do post passado – parece que o caminho para se viver bem é, sim, prioritariamente solitário. Mas esta verdade não ajuda na primeira fase. Ne...

Crise existencial acadêmica

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Alguém se reconhecerá no desabafo abaixo? Pensei em dividir estas angústias para lhes dizer: não estamos sozinhos em acharmos que estamos sozinhos. Porém, mesmo não estando sozinhos no sofrimento, a sensação de solidão ainda é imensa, então não acaba sendo verdade que estamos mesmo sozinhos? Bem-vindos ao clube da eterna crise da pós-graduação! E olhe que nem comecei o doutorado ainda... Diálogo mental com meu escritor favorito (preencha aqui o nome de sua preferência): Você que chegou lá, que eu tanto admiro por publicar livros de verdade, me diz como se faz para atingir um ponto em que você se sente seguro de que sabe muitas coisas ou pelo menos sabe muito bem poucas coisas? Quanto mais eu leio e penso, mais evidente fica minha ignorância sobre tudo. Isso na boca de um Sócrates, cujo valor intelectual está bem provado, parecem palavras de sabedoria, mas num contexto de modernidade, em que você é um novato precisando provar para pessoas capacitadas a sua capacidade quando voc...

Sim

Estava pensando em um cenário hipotético no qual eu, uma mulher jovem, solteira e com uma independência financeira muito recente e frágil, para não dizer questionável, ficasse grávida. A pressão mais explícita viria da família, representante desta classe-média conservadora (progressivo na concepção deles é, no máximo, ter amigo preto ou gay). Eu não te reconheço mais! Você fez sexo fora do casamento! Agiu como uma qualquer! Envergonhou seus pais! Deus te castigou! Haveria também a pressão dos colegas da minha geração, essa mais velada. Como você pode ter feito sexo sem proteção? E se tivesse pego uma doença? Essa criança vai arruinar sua carreira e sua vida sexual! Seu corpo e sua disposição nunca mais serão os mesmos! Seja pelo discurso dos velhos moralistas, seja pelo dos liberais hedonistas-cientificistas, percebo que estamos todos cegos. Como interpretar essa gravidez “fora de hora” (sem carteira assinada, sem plano de saúde, sem registro de casamento... enfim, sem “condições...

Frase (III)

Ideia para uma camiseta dessas que se acham engraçadas e têm pessoas desenhadas como placa de banheiro: "Danger: drunk girl holding a cell phone!". Se alguém usar, me mande uma de agradecimento pela sugestão de mão beijada.

Friday night

Pilhas de coisas para ler. Tantas páginas por escrever. Tenho tempo para fazer tudo isso enquanto a greve perdura, mas não quero. Vontade de. De jogar videogame até o dedo descamar. De ler um romanção daqueles que param em pé. De por salto alto e ir a um barzinho de classe. De chorar uns dois litros. Mas não vou fazer nada disso. Vou é escrever a dissertação. Infelicidade alimenta a vida acadêmica.

Passou o Carnaval, não tem mais desculpa: hora de começar o ano

As noites excessivamente quentes estão de volta. Às 21 horas, comecei a ler um livro do poeta Ivan Junqueira. Às 21h15, encostei o volume para pensar melhor sobre alguns versos que acabara de ler. Quando me dei conta, já conversava com a minha colcha no universo fantástico dos sonhos. A língua que usamos? Alguma coisa entre francês e colchês, macio musical melodramático. 1h18. Acordei meio perdida. Calor demais para dormir, tarde demais para fazer qualquer coisa séria. Hora de apertar o botão azul do computador (plin plin plin, anuncia o Windows Vista) e escrever, escrever sobre qualquer coisa, só porque eu não posso parar de escrever – embora não o tenho feito nos últimos dias e, por esse motivo, venho me torturando. Uma notícia mais do que velha: o Palmeiras desencantou no Campeonato Paulista. Talvez seja precipitado demais afirmar isso, mas as vitórias se tornaram tão escassas desde o final do ano passado que vencer o clássico era algo no qual eu não apostaria meu rico dinheir...