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#liberteofuturo

Apesar de meu grande interesse pela esfera pública -- eu era aquela adolescente que lia o caderno de política do jornal antes dos demais e me metia na conversa de adultos para corrigi-los, depois virei jornalista, participei do movimento estudantil... --, faz uns anos que me desiludi de me engajar na política. O motivo é muito simples: quando alguém adere a um coletivo, é tragado por ele. Passa a vestir como se fossem seus os méritos do movimento e não precisa assumir a responsabilidade pelas falhas dele. As engrenagens da massificação e da trituração de individualidades que os governos autoritários de direita e esquerda exemplificam tão bem... É por esse motivo que Simone Weil é contra partidos políticos (recomendo fortemente a leitura do ensaio " Pela supressão dos partidos políticos "), além do fato de que essas organizações, a médio e longo prazo, acabam abandonando suas ideologias iniciais pelo projeto exclusivo de manutenção do poder. Todo partido é um PFL (Partido para...

Extra! Extra! Bolsonaro veio para trazer paz aos povos

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Não é piada. Depois deste ano extenuante, buscando um sentido para a coisa toda, cheguei à conclusão de que Jair Bolsonaro é o maior mestre zen de todos os tempos. Precisávamos desesperadamente dele para despertar. Não bastava um liberal ou um banqueiro qualquer, tinha que ser o sujeito mais tosco já nascido nesta terra para nos libertar da cegueira em que nos encontrávamos acerca dos problemas de nosso país. O caminho para a iluminação não é fácil. Primeiro ficamos reativos, apegados aos pequenos prazeres. Ficamos presos num papo assim: "Ei, lembra a bonança de 2010? PIB padrão chinês, todo mundo comprando carro e tomando iogurte grego feito água, viagens de avião se democratizando, as universidades distribuindo bolsas de pesquisa e extensão, o Brasil emprestando ao FMI em vez de pegar emprestado, nosso maior problema era decidir onde aplicar a bolada do pré-sal... Bons tempos... O problema veio depois. Foi a recessão mundial. Não, foi a corrupção do PT. Não, foi o golpismo ...

Paixões à parte, terrorismo se combate com inteligência

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Depois que eu relembrei o caminho das pedras, fiquei com vontade de voltar. Como comentei no post anterior, troquei as redes sociais pela mídia tradicional e assim venho me sentindo melhor informada. Em vez de replicar memes e incomodar meus amigos e parentes com mensagens alarmistas no Zap, acho que é hora de fazer uma autocrítica para tentar entender como chegamos a este ponto. Afinal, se tivemos 13 anos de governos supostamente de esquerda, por que de repente a extrema direita parece tão mais atrativa no Brasil -- e também no mundo? Esse processo não é súbito, vem ocorrendo há pelo menos uma década, é complexo e exige um pouco mais de dedicação da nossa parte para compreendê-lo. Quem explica bem isso é o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Gostaria de sugerir uma entrevista que achei particularmente interessante do Canal do Le Monde Diplomatique. Em geral, não gosto dos textos deles, acho a linguagem excessivamente acadêmica e panfletária, mas hoje, quando descobri o c...