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Sim

Estava pensando em um cenário hipotético no qual eu, uma mulher jovem, solteira e com uma independência financeira muito recente e frágil, para não dizer questionável, ficasse grávida. A pressão mais explícita viria da família, representante desta classe-média conservadora (progressivo na concepção deles é, no máximo, ter amigo preto ou gay). Eu não te reconheço mais! Você fez sexo fora do casamento! Agiu como uma qualquer! Envergonhou seus pais! Deus te castigou! Haveria também a pressão dos colegas da minha geração, essa mais velada. Como você pode ter feito sexo sem proteção? E se tivesse pego uma doença? Essa criança vai arruinar sua carreira e sua vida sexual! Seu corpo e sua disposição nunca mais serão os mesmos! Seja pelo discurso dos velhos moralistas, seja pelo dos liberais hedonistas-cientificistas, percebo que estamos todos cegos. Como interpretar essa gravidez “fora de hora” (sem carteira assinada, sem plano de saúde, sem registro de casamento... enfim, sem “condições...

Sobre a bondade

Quando criança, eu achava que havia pessoas boas e pessoas más, ou melhor, totalmente boas e totalmente más. Eu era boa, claro. Os pais, os familiares e os professores, também. Os meninos bagunceiros eram maus, assim como as patricinhas e os bandidos que apareciam na TV. Era essa a lógica do meu sistema. A partir da adolescência e até bem pouco tempo atrás, mudei minha classificação de bondade. Acreditava então que todos eram essencialmente bons. Se às vezes agiam com maldade, era porque não haviam aprendido a fazer o correto. Faltava o know-how. Tão logo convivessem com exemplos adequados, perceberiam o erro e se consertariam. Digo isso por mim mesma. Tantas vezes fui grossa e egoísta, até que conheci amigas extremamente gentis como a G. e a A. e tentava imitá-las. Progredi um pouco. Acho, talvez, quem sabe. A essa regra, criei ainda uma exceção – os dias em que a preguiça tenta e a gente vai pelo caminho mais fácil: xinga, explora, esnoba. Depois sofremos sozinhos, porque somos bons ...