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Agostiniana: começar do zero o tempo todo

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O que passou não existe mais, nem mesmo o minuto antes deste. Tudo morto, delegado a um lugar que não sabemos qual é, talvez até um não-lugar. O passado não é nada. Já foi um dia presente, mas, tendo-se tornado antigo, concretizando-se, acabou, torna-se irrecuperável. O mais próximo que se pode chegar dele é lembrando-se, mas a memória se dá no presente, não consegue resgatar o mesmo tempo que se foi, e mesmo a experiência rememorada não é igual à original, pois selecionamos fatos, resignificamos. Tudo morto, repito. Por que diabos, então, nos apegamos tanto ao ido? A resposta que me parece mais óbvia é que tratamos o passado como algo concreto, mesmo não sendo, porque é isso que nos dá substância, coerência quando nos perguntamos quem somos. Em geral respondemos: me nomeram X, nasci há n anos, vivi em tal lugar, estudei uma gama de temas, gastei horas ouvindo essa e aquela banda. Tudo coisas do passado. Mesmo o uso de verbos no presente, como "eu gosto disso", não par...