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Mostrando postagens com o rótulo positividade

Sobrevivência

Há muito tempo perdi a vontade de escrever para o público sem rosto da Internet. O blog ficou assim abandonado, desativei Facebook, Twitter e, por fim, Whatsapp. Nem preciso dizer que minha vida ficou muito melhor, a ansiedade baixou, o tempo se multiplicou. Claro que eu sentia falta de alguns amigos de quem eu não tinha mais notícias, mas passei a apreciar mais as companhias das pessoas que estavam por perto. Sem a armadura digital, finalmente entendi que era nesta cidade, neste bairro, nesta universidade minha nova vida. Poderia ser num espaço e num tempo expandidos, mantendo o cordão umbilical com os amigos que fiz pela vida toda, mas descobri que prefiro o espaço-tempo assim mais limitado, menos assustador, traz menos problemas para eu lidar. Isso não significa alienação, passei a ler mais a mídia tradicional e consigo novamente opinar sobre os fatos em vez de só mencionar manchetes ou memes. Para ficar perfeito, só preciso aprender a desativar o feed de notícias do Google (help!),...

Mudança

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Gente feliz não escreve, vive. Parafraseio uma fala do Cristóvão Tezza que ouvi nalguma Semana de Letras anos atrás para anunciar: resolvi ressuscitar o blog. Sim, estou meio infeliz, mas não é disso que falarei, já bastam os posts depressivos de meses atrás, ou talvez fale só um pouquinho... mas prometo um final otimista! Nada de depressão, graças à minha ótima psicóloga (passo o contato para quem precisar), apenas a tristeza normal da vida. Quero descrever a sensação de mudar de casa. Meus pais sempre foram muito constantes, avessos inclusive a reformas, de modo que nos mudamos pouquíssimas vezes, e acho que herdei essa característica. Chego a um lugar e tento logo transformá-lo na minha casa, instalar-me em definitivo. Claro que, fazendo assim, vou contra a ordem natural do mundo (pura inconstância), mas esse é um aprendizado que ainda não me entrou na cabeça, infelizmente. Não sei ser nômade, embora com frequência me proponha andanças e passe pela maioria das experiências de m...

Quarentena

No 40º dia, comecei a ver com clareza quem eu era, onde eu estava, para onde eu ia. E sorri com serenidade. Muita compaixão por mim e por aqueles que cruzaram comigo, afinal, o caminho não era o meu, era o nosso -- eu só não havia visto o tanto de gente que rastejava, saltitava, corria, voava ao meu lado, pois eu era um espectro faminto, só enxergava o que parecia alimento para saciar o meu vazio. Entendi o valor dos 40 dias... anos... demônios... ministros... A tentação, a queda, a morte que precedem a luta, a ascensão, a vida. Se estou viva foi porque morri. Parei de lamentar a decadência do meu império. Era lindo, sim, muito imponente e me custou tanto trabalho, mas em algum momento ele já não era mais coisa alguma, senão uma lembrança. Então eu própria meti fogo em tudo e me permiti chorar enquanto ruía, depois enxuguei o rosto com as cinzas até eu mesma virar cinza. Pó, terra, matéria disforme. Nada, possibilidade, sonho. Venci o deserto quan...

Sobre a humildade

Logo após publicar o post passado, pus-me a pensar o seguinte: esperamos muito das outras pessoas, mas o que lhes oferecemos da nossa parte? Hoje gostaria de agradecer àqueles que me tratam com arrogância, pois me mostram como a soberba é detestável e me fazem desejar ser cada vez menor, mais silenciosa, menos venenosa. Este texto pequeno e simples é meu primeiro passo em busca da humildade.

Sobre a positividade

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Nos últimos dias fui perseguida pelo sim. Primeiro ao terminar de ler “Ulysses”, de James Joyce, depois ao reler “A hora da estrela”, de Clarice Lispector. Ambas as narrativas encerram com “sim”. Um desfecho mais convencional talvez passasse despercebido; esse não. Para ratificar o padrão, ainda encontrei essa palavra num texto sobre as virtudes de Maria: ela disse sim ao projeto de Deus – “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1:38). Positividade, é disso que estamos falando. Já assistiram àquele filme “Sim, senhor”, com Jim Carrey? Recomendo fortemente. Sou suspeita, porque amo os trabalhos do comediante de todas as fases, desde trash até cult, mas esse em especial é interessante por trazer uma moral da história totalmente aplicável. Resume-se a este clichê autoajudístico: “quando você diz sim à vida, a vida diz sim a você”. O protagonista resolve topar tudo que surge pela sua frente, gerando situações hilárias (não direi quais, assistam!), enrascadas, mas também o levando a...