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Para não dizer que não falei de Covid-19

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Já que estou totalmente dedicada à tese, sigo colando textos alheios -- virei uma "copiadora", no dizer de Estamira. O de hoje é do Elias Canetti, um pequeno ensaio do livro "Massa e Poder" que pareceu bem pertinente para pensar a atual pandemia. As epidemias (Elias Canetti) A melhor descrição da peste é a que nos deu Tucídides, que a viveu na própria pele e se curou. Em sua concisão e exatidão, tal descrição contém todos os traços essenciais dessa doença, sendo, pois, aconselhável reproduzir aqui o que ela informa de mais importante. Os homens morriam feito os mosquitos. Os corpos dos moribundos eram todos empilhados. Viam-se criaturas semimortas a cambalear pelas ruas ou, em sua ânsia por água, apinharem-se em torno das fontes. Os templos nos quais se abrigavam estavam repletos dos cadáveres das pessoas que haviam morrido ali.  Em muitas casas, as pessoas foram de tal forma subjugadas pelo peso de seus mortos que deixaram de lamentá-los.  As cerimônias...