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Sobre a passagem do tempo

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O post passado me deu a ideia de fazer um ensaio fotográfico sobre a passagem do tempo. Ao focar a deterioração de corpos que um dia foram belos, eu tentei vislumbrar algum tipo de beleza no limiar da morte. A carniça pode ser sublime (para usar uma imagem de Baudelaire)? Eu bem que tentei durante três dias, mas a luz não ajudou desta vez - fotografei à noite, com iluminação artificial. De qualquer forma, o resultado servirá como ilustração para um poema que foi duramente interrogado e torturado durante quase dez horas por três estudantes de Letras. Tiramos o suco viçoso, ficou a carniça. Não a do poema, a nossa. O inimigo - Charles Baudelaire (Trad. Ivan Junqueira) A juventude não foi mais que um temporal, Aqui e ali por sóis ardentes trespassado; As chuvas e os trovões causaram dano tal Que em meu pomar não resta um fruto sazonado. Eis que alcancei o outono de meu pensamento, E agora o ancinho e a pá se fazem necessários Para outra vez compor o solo lamacento, Onde...