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Sim

Estava pensando em um cenário hipotético no qual eu, uma mulher jovem, solteira e com uma independência financeira muito recente e frágil, para não dizer questionável, ficasse grávida. A pressão mais explícita viria da família, representante desta classe-média conservadora (progressivo na concepção deles é, no máximo, ter amigo preto ou gay). Eu não te reconheço mais! Você fez sexo fora do casamento! Agiu como uma qualquer! Envergonhou seus pais! Deus te castigou! Haveria também a pressão dos colegas da minha geração, essa mais velada. Como você pode ter feito sexo sem proteção? E se tivesse pego uma doença? Essa criança vai arruinar sua carreira e sua vida sexual! Seu corpo e sua disposição nunca mais serão os mesmos! Seja pelo discurso dos velhos moralistas, seja pelo dos liberais hedonistas-cientificistas, percebo que estamos todos cegos. Como interpretar essa gravidez “fora de hora” (sem carteira assinada, sem plano de saúde, sem registro de casamento... enfim, sem “condições...

Sobre a positividade

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Nos últimos dias fui perseguida pelo sim. Primeiro ao terminar de ler “Ulysses”, de James Joyce, depois ao reler “A hora da estrela”, de Clarice Lispector. Ambas as narrativas encerram com “sim”. Um desfecho mais convencional talvez passasse despercebido; esse não. Para ratificar o padrão, ainda encontrei essa palavra num texto sobre as virtudes de Maria: ela disse sim ao projeto de Deus – “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1:38). Positividade, é disso que estamos falando. Já assistiram àquele filme “Sim, senhor”, com Jim Carrey? Recomendo fortemente. Sou suspeita, porque amo os trabalhos do comediante de todas as fases, desde trash até cult, mas esse em especial é interessante por trazer uma moral da história totalmente aplicável. Resume-se a este clichê autoajudístico: “quando você diz sim à vida, a vida diz sim a você”. O protagonista resolve topar tudo que surge pela sua frente, gerando situações hilárias (não direi quais, assistam!), enrascadas, mas também o levando a...