Lembro certa vez quando eu e mais alguém – não lembro quem era, talvez minha mãe – andávamos sem rumo por Curitiba. Isso foi numa época em que a gente podia passar o dia perambulando pelo centro e depois, cansadas apenas fisicamente, parar em uma padaria e pedir um latte machiatto e uma torta alemã. Sem culpa, já que não tínhamos compromisso e nem estávamos acima do peso. Depois de alguns minutos em silêncio, essa pessoa me perguntou: — Não entendo uma coisa. Por que ponto de táxi tem lugar para sentar e ponto de ônibus não? Isso não está certo, afinal, quem pega táxi nunca precisa esperar muito, já o ônibus... Estava claro que minha companheira queria apenas quebrar o silêncio incômodo. Seca como de costume, respondi o que me parecia óbvio: — Oras, porque táxi é para gente rica, que pode pagar pelo conforto de sentar à sombra enquanto espera. — É verdade. Pronto, missão cumprida. O silêncio já não existia, podíamos ir adiante com outros assuntos mais oportunos. Hoje de man...