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CEPíada (epopeia de uma jovem professora)

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Homenagem aos 170 anos do Colégio Estadual do Paraná ― Filha, não vá nesta jornada! A luta é árdua –                           chorou-me a mãe. Súplica vã:                           jovens são surdos. ― Mestre sou, eu sei, mudo tudo. Pura arrogância, mudei nada. Emudeci.                           Faltou-me esteio, fugi rasteira.                           Estudo indigno foi que aprendi a amar nos livros? Após quimeras e ciclopes, mais favoráveis                           ventos sopraram. Olhos pousaram                           numa torre alva. Depus as armas, vi-me salva. Este...

Uma ideia para a educação

Outro dia me ocorreu que é preciso ter coragem para fazer mudanças radicais no sistema de ensino, coragem que ninguém teve até agora. Por enquanto, ficamos em timidezes como aumentar o repasse nacional de verbas (e, logo depois, cortar), implantar um currículo parcialmente unificado (ainda em discussão), incentivar professores a se afastarem para especializações, sendo que, quando voltam para a sala de aula, reencontram as mesmas condições de trabalho e precisam se readaptar a elas. Não é isso que vai criar uma pátria educadora. Na verdade, essas pequenas mudanças são apenas um alívio de consciência para os gestores de educação – para não os acusarmos de não terem tentado. Sequer chegam a tocar no problema maior: nosso sistema de ensino básico, e até o técnico e o superior em muitos casos, é uma linha de produção. Às 7h15, uma dose de binômio de Newton; às 8h05, um toque de fenóis; às 8h55, uma amostra dos milhares de tipos de concordância verbal de sujeitos compostos; às 9h45, atual...

Complete o texto

Na segunda série do Ensino Fundamental, tínhamos um caderno só para redação. Era bacana, ele era grande, com uma página de 30 linhas, o tamanho ideal para um bom texto, e, ao lado, havia outra em branco para a gente desenhar. A professora nos pedia diversos gêneros textuais (exceto poesia; difícil demais para a cabeça dos pequenos), mas o desenho nunca era obrigatório, uma pena. Às vezes, líamos um livro e precisávamos resumi-lo, outras, era dado só o tema, como "minhas férias", e havia também o famigerado "complete o texto". Eu odiava, porque, por mais que eu tenha sempre sofrido para introduzir uma ideia por escrito, o início é a parte mais (masoquistamente) deliciosa de se fazer. Será ela que dará o tom ao resto da produção. É uma responsabilidade e tanto. Oras, como julgar um escritor que já começa lá do meio? Não há jeito de ele ser bom. A professora desse jeito nos condenava à mediocridade. (Condenar os outros é sempre mais fácil, diz minha consciência.) L...

Gomas açucaradas

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i. o fim da minha lua-de-mel com o mundo Chega dessa história de que tudo é lindo e vai bem. Hora de reclamar um pouco. ii. o debate sobre o “teor político-ideológico dos livros didáticos” Cheguei ao assunto quando, por um acaso, encontrei jogado num banco da universidade um xerox da seguinte reportagem da Gazeta do Povo: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/impressa/parana/conteudo.phtml?tl=1&id=698497&tit=Livros-didaticos-com-teor-politico-ideologico-preocupam-educadores Li-a e pensei: “Hah, quem daria crédito a uma matéria mal-escrita e sensacionalista como esta?”. Esqueci o assunto, embora tenha comentado qualquer coisa como “li algo ridículo na gazeta hoje” com uma ou outra pessoa. Então, no último fim de semana, matando um tempo na Internet, vi que o assunto estava repercutindo nacionalmente. Sobre ele, encontrei uma abordagem mais sensata, a do Observatório da Imprensa: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=452JDB009 Infelizmente, ...