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Mostrando postagens com o rótulo filosofia

Para que investir em humanidades e artes?

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Grande dia! Hoje havia papel e sabonete no banheiro da biblioteca da UF**. É raríssimo haver os dois, ainda mais no masculino. Tenho usado o masculino, porque o feminino está interditado desde o começo do semestre, sem previsão de conserto. Saindo de lá, pude voltar toda minha atenção para a leitura de Richard Rorty, já que não precisaria gastar energia mental pensando nos germes que eu carregava após uma ida ao banheiro sem os utensílios básicos de higiene. Hoje não! Com as retaliações, quero dizer, as contingências no Ensino Superior, muitos universitários têm ido a público para demonstrar a importância de suas pesquisas para a sociedade. Eu, como doutoranda em Teoria da Literatura e Literatura Comparada e bolsista da Capes, me sinto na obrigação de fazer o mesmo. Só temo não conseguir fazer isto tão rápido, angariar simpatias já à primeira vista. Tenham paciência para ler este texto e talvez, até o fim dele, quem sabe... Durante a minha pesquisa, não uso jaleco, nem bisturi, ...

Do amor ao próximo

Vós vos amontoais junto ao próximo e tendes belas palavras para isso. Mas eu vos digo: vosso amor ao próximo é vosso mau amor por vós mesmos. Fugis de vós mesmos em direção ao próximo, e desejaríeis fazer disso uma virtude: mas eu enxergo através de vosso “desinteresse”. O Tu é mais antigo que o Eu; o Tu foi santificado, mas o Eu ainda não: assim, o homem se apressa para junto do próximo. Eu vos aconselho o amor ao próximo? Aconselho-vos antes a fuga ao próximo e o amor ao distante! Mais alto que o amor ao próximo está o amor ao distante e futuro; ainda mais alto que o amor aos homens está o amor a coisas e fantasmas. Esse fantasma que corre à tua frente, meu irmão, é mais belo do que tu; por que não lhe dás tua carne e teus ossos? Mas tens medo e corres para teu próximo. Não suportais a vós mesmos e não vos amais o bastante: por isso quereis induzir o próximo a vos amar, dourando-vos com seu erro. Eu quisera que não suportásseis qualquer tipo de próximo e seus vizinhos; ...

Coleção de vídeos para vivenciar e entender a deprê

Meus amigos já estão cansados de receber sugestões desta página, The School of Life , mas deixo aqui uma pequena coletânea que pode ser útil para quem estiver passando por um momento de crise parecido com o que estive/estou passando. A verdade é que eu me abri muito nos posts passados justamente imaginando essa pessoa que poderia estar precisando de ajuda, como eu também estava, mas sei lá... acho que está sendo um esforço inútil, só exposição gratuita, uma vontade grande de me fazer útil para alguém ou uma esperança muito tola de alguém sentir pena de mim e me acolher. Não quero mais fazer isso, quero voltar à programação normal, só publicar textos opinativos sobre temas interessantes, exercitar um pouco minha má literatura, essas coisas... Então, ficam abaixo os vídeos para acompanhar aquele que nunca cheguei a abandonar, porque a pessoa nunca nem soube da minha existência e sequer quis ser ajudada por mim. Sobre sentir-se deprimido:  https://www.youtube.com/watch?v=UoLWYhwROBI...

Uma questão de método

Depois de inúmeras crises existenciais nos últimos meses, cheguei a um dilema que, acredito, é a base de todos os outros. Alguém tem um palpite de como resolvê-lo a fim de levar uma vida menos sofrida e mais significativa? Segue. O melhor método para se viver é: a) assumir nossa fragilidade e excessiva dependência do afeto alheio, estabelecendo o maior número de conexões com as pessoas para se cercar de uma rede de proteção emocional, ou b) cortar de vez todos esses vínculos, viver radicalmente a solidão para se fortalecer fora da ilusão de que haja uma possibilidade de salvação individual? (Como os últimos, imagino que os próximos posts devem seguir nesta linha, estão avisados.)

Crise existencial acadêmica

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Alguém se reconhecerá no desabafo abaixo? Pensei em dividir estas angústias para lhes dizer: não estamos sozinhos em acharmos que estamos sozinhos. Porém, mesmo não estando sozinhos no sofrimento, a sensação de solidão ainda é imensa, então não acaba sendo verdade que estamos mesmo sozinhos? Bem-vindos ao clube da eterna crise da pós-graduação! E olhe que nem comecei o doutorado ainda... Diálogo mental com meu escritor favorito (preencha aqui o nome de sua preferência): Você que chegou lá, que eu tanto admiro por publicar livros de verdade, me diz como se faz para atingir um ponto em que você se sente seguro de que sabe muitas coisas ou pelo menos sabe muito bem poucas coisas? Quanto mais eu leio e penso, mais evidente fica minha ignorância sobre tudo. Isso na boca de um Sócrates, cujo valor intelectual está bem provado, parecem palavras de sabedoria, mas num contexto de modernidade, em que você é um novato precisando provar para pessoas capacitadas a sua capacidade quando voc...

Sobre o pecado

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Parafraseando Santo Agostinho em "A verdadeira religião". Todas as coisas são boas, porque foram criadas por Deus. Existem, porém, bens maiores e bens menores. Os maiores são os espirituais, que nos aproximam da Verdade, da eternidade, enfim, de nosso Criador. Os menores são os bens materiais, tudo aquilo que experimentamos pelos sentidos e que estão à mercê do tempo. Estes são verdadeiros, porque provêm da Verdade, mas não devem ser confundidos com a própria Verdade. Os bens menores se transformam, se deterioram, acabam. Tudo isso nos causa pesar. O pecado não é inerente a essas coisas, porque, como já dissemos, elas são boas. O pecado ocorre quando baseamos nossa vida nos bens menores. Quem escolhe aquilo que está fadado a sumir está escolhendo o sofrimento, isto é, o pecado. O pecado não foi criado por Deus, que é essencialmente bom. O pecado é a consequência de se usar mal o livre arbítrio. Deus nos fez livres por desejar que os servíssemos livremente. Além do m...

Sobre a passagem do tempo

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O post passado me deu a ideia de fazer um ensaio fotográfico sobre a passagem do tempo. Ao focar a deterioração de corpos que um dia foram belos, eu tentei vislumbrar algum tipo de beleza no limiar da morte. A carniça pode ser sublime (para usar uma imagem de Baudelaire)? Eu bem que tentei durante três dias, mas a luz não ajudou desta vez - fotografei à noite, com iluminação artificial. De qualquer forma, o resultado servirá como ilustração para um poema que foi duramente interrogado e torturado durante quase dez horas por três estudantes de Letras. Tiramos o suco viçoso, ficou a carniça. Não a do poema, a nossa. O inimigo - Charles Baudelaire (Trad. Ivan Junqueira) A juventude não foi mais que um temporal, Aqui e ali por sóis ardentes trespassado; As chuvas e os trovões causaram dano tal Que em meu pomar não resta um fruto sazonado. Eis que alcancei o outono de meu pensamento, E agora o ancinho e a pá se fazem necessários Para outra vez compor o solo lamacento, Onde...

Sobre a castidade

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Esta semana estou lendo Confissões, de Santo Agostinho, e lá encontrei bons argumentos a favor da castidade. O principal aponta a efemeridade dos sentimentos promovidos pelo prazer sensual, que logo se segue de insegurança e ciúme, em detrimento do amor divino, que é pleno. Transcrevo abaixo um trecho. "Vim para Cartago logo fui cercado pelo ruidoso fervilhar dos amores ilícitos. Ainda não amava, e já gostava de ser amado, e, na minha profunda miséria, eu me odiava por não ser bastante miserável. Desejando amar, procurava um objeto para esse amor, e detestava a segurança, as situações isentas de risco. Tinha dentro de mim uma fome de alimento interior – fome de ti, ó meu Deus! Mas, não sentia essa fome, porque não me apeteciam os alimentos incorruptíveis, não por estar saciado, mas porque, quanto mais vazio, mais enfastiado eu me sentia. Minha alma estava doente, coberta de chagas, ávida de contato com as coisas sensíveis. Mas, se estas não tivesse alma, certamente não...