Os Arnolfini
Mulher vestida de azul e lenço branco, Não fossem manto de veludo verde, Metais no punho e no pescoço, rendas, Na Renascença, a virgem Mãe seria – Adolescente com tão dura sina. Toma-lhe a mão o homem que compra tudo. Noiva amorosa a se entregar inteira A tal sujeito, Carniceiro-Mor. E o troco dele? Nem sorriso volta. Rico não sofre culpa: pilha ouros, Assina acordos, tranca em cofre todos. Cada estação, o homem só veste luto. N’águas vermelhas, ela nasce Vênus. Promessas velhas renovadas sempre – Todo o poder e a glória, a prole e o nome. Nem assim fica satisfeito, o rico Não ri. Até afeto poupa o rídico. Salve esta bela união: bens conjuntos. Graça da casa, o cachorrinho dela, Atrevidinho vem, amor da moça. Mete-se à frente de qualquer humano, Hierarquia interespécie ignora. “Nojo me dá tanto xodó, senhora”. Nada suporta um homem tão casmurro. A dama brilha no pincel do intruso,...