Postagens

Mostrando postagens de abril, 2011

O mundo paralelo dos cadernos de cultura

 A revolução digital ocorrida no último decênio, que popularizou o uso doméstico de computadores com acesso à internet, incrementou exponencialmente a produção e o consumo de informação. O efeito positivo disso é inegável: pessoas de todas as classes informam-se mais ativamente. Na medida em que os veículos tradicionais – rádio, televisão, jornal e revista – perdem o monopólio sobre a notícia, procuram adaptar-se à nova realidade. O caminho mais aconselhável à mídia impressa, segundo muitos especialistas, é desistir de competir com a rapidez da internet e se dedicar ao tratamento analítico dos fatos. Na prática, ao observar a evolução de um jornal como a Gazeta do Povo, deparamo-nos com a revalorização do furo e do trabalho de pesquisa. Não por acaso, em 2010, o diário paranaense ganhou um Prêmio Esso inédito pela série investigativa Diários Secretos. Enquanto isso, os cadernos de cultura – e aqui inclui-se o Caderno G, do referido jornal – permanecem alheios às mudanças, como aq...

Meu novo bichinho de estimação

Imagem
Hoje ia começar a lavar o banheiro quando encontrei uma velha conhecida minha: uma lartixa-bebê. Ela vinha morando no meu quarto há alguns dias. Convivíamos perfeitamente, até ela inventar de se instalar no banheiro bem no dia em que eu tinha que jogar cloro no piso. O produto é fortíssimo até para nós, imagine para ela! Então fiquei num dilema: o que fazer com a bichinha? Pus num potinho, o da foto acima. Não dá para ver muito bem por causa da máquina, teria que ser uma grande angular. Margarida (o nome que pus nela) é bem pequena, mede cerca de dois centímetros, contando com o rabinho! Tem cor marrom, com machinhas cinzas. É a coisa mais linda que já vi! Particularmente não gosto muito das lagartixas albinas; essas pardas, por sua vez, lembram jacarés minúsculos, o que acho muito fofo! Deitei no chão para ver melhor os detalhes dela, aí descobri a fatalidade do meu novo bichinho: ela tem duas patas decepadas! Tive vontade de chorar ao ver aquilo. Ela não sobreviveria no mundo se...

A primeira semana

(Outro post sobre relacionamentos – depois não digam que não avisei) No caos do universo, às vezes acontece de bilhões de fatores se combinarem aleatoriamente e resultarem em algo bom para você. Sim, para você, que só se fode para todo o sempre. Nessa hora você se joga, repete infinitamente como você é um puta sortudo, faz umas dancinhas toscas no meio da rua, pensa que não mudaria nada no presente. E você está certo em agir assim, afinal, é muito raro que tudo esteja perfeito na sua vida. Quando isso ocorre, tem que estar consciente mesmo. Vamos supor que, quando você se conforma em ser “só o amigo” e curtir uma balada despretensiosamente, conheça alguém, tudo muito casual. Todos sabemos que você é burro, mal pago, mais feio do que bonito e que suas piadas não têm graça, mas essa pessoa gosta de você. Assim gratuitamente mesmo. E você gosta dela de volta. Os dois se gostam simetricamente, não há obstáculos para ficarem juntos, logo, é isso que eles fazem. O primeiro dia tem algu...

Nerd on drugs having lunch at RU

Imagem
Teoria da ficção. O nome da disciplina logo me saltou aos olhos, eu tinha que cursá-la – ai de quem se pusesse no meu caminho! Claro que, caloura de tudo, eu acreditava que ficção fosse sinônimo de narrativa ficcional. Quando comecei a ler o Luiz Costa Lima – que forma traumática de se começar a estudar algo completamente novo –, não entendi por que ele gastava tanto tempo distinguindo mímesis e ficção. E pior: as divergências por ele ressaltadas não eram apenas de significado, mas também de trajeto histórico. Para se ter uma noção, as obras de Homero, para seus contemporâneos, não eram consideradas ficção. Ao mesmo tempo, não se confundiam com os relatos históricos de um Heródoto. Claro que quatro séculos separam os dois, mas não saberia agora pensar em um historiador mais próximo do autor de Ilíada (universitários?). Eram uma terceira coisa, mas não vou entrar no mérito da questão aqui. Passado o susto inicial, começo a me sentir um pouco mais à vontade para comentar questões teór...