Teoria da ficção. O nome da disciplina logo me saltou aos olhos, eu tinha que cursá-la – ai de quem se pusesse no meu caminho! Claro que, caloura de tudo, eu acreditava que ficção fosse sinônimo de narrativa ficcional. Quando comecei a ler o Luiz Costa Lima – que forma traumática de se começar a estudar algo completamente novo –, não entendi por que ele gastava tanto tempo distinguindo mímesis e ficção. E pior: as divergências por ele ressaltadas não eram apenas de significado, mas também de trajeto histórico. Para se ter uma noção, as obras de Homero, para seus contemporâneos, não eram consideradas ficção. Ao mesmo tempo, não se confundiam com os relatos históricos de um Heródoto. Claro que quatro séculos separam os dois, mas não saberia agora pensar em um historiador mais próximo do autor de Ilíada (universitários?). Eram uma terceira coisa, mas não vou entrar no mérito da questão aqui. Passado o susto inicial, começo a me sentir um pouco mais à vontade para comentar questões teór...