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Mostrando postagens com o rótulo humor

Veludo vermelho

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Dizem que os italianos falam com as mãos. Faço, porém, duas correções. Primeira, todas as nossas experiências, não só a fala, são pelo toque. Segunda, não tocamos apenas com as mãos, mas com cada pedaço do nosso corpo. Sensoriais até as pontas dos fios de cabelo, não é à toa que nós, italianos, somos amantes e místicos inveterados, os êxtases nos arrebatam sem trégua. Logo cedo, quando o gole de espresso fervendo amarra a língua e, logo depois, a cremosidade do canolli a desenrola, eu canto, as cordas vocais aplaudindo delirantes. É preciso cantar após uma boa refeição, senão nem o mais eloquente elogio convencerá o cozinheiro de que não foi schiffo  (nojo) o que eu senti. Meu corpo também vibra quando visto seda, que o vento levanta para cair úmida sobre as costas e as coxas. O que para uns é luxo, para os italianos é sobrevivência. Que remédio melhor para o desespero senão receber um cafuné de caxemira ou ter as mãos aquecidas por couro bem curtido? O mármore está lá em ...

Frase [IX]

Quando toca o interfone, 48 horas após fazer um pedido gordo na Amazon, é como se fosse manhã de Natal e eu tivesse oito anos.

Frase [VIII]

Quem dorme com cachorro não pode reclamar das pulgas.

Diário de uma mestranda [3]

Salva a versão final da dissertação, sinto que mereço um pequeno luxo. Acabo a noite sozinha em casa, ouvindo "Estou triste" e tomando um vinho de sete reais. Talvez eu fosse mais rica antes de ser (quase) mestre. Penso em tudo que sacrifiquei para obter este pequeno mérito. Valeu a pena? Fuck yeah! (Qual é o objetivo em dizer "não" para a única coisa que possuo, a vida presente? Se pensasse que não valia a pena, melhor era meter um tiro na cabeça. Mas cá estou ridente, tagarela e levemente cínica.)

Diário de uma mestranda [2]

Às vezes quando eu abro o documento de Word da minha dissertação, vejo que tem algumas páginas a mais do que eu me lembrava. É raro, mas acontece. Desconfio de que, quando eu estou longe do computador, um duende faz o trabalho por mim. Dilema 1: isso é plágio? Quando eu leio as novas inserções, percebo que elas não têm pé nem cabeça. Apesar disso, nunca apago. Vou lapidando até aquilo fazer algum sentido. Nem sempre consigo. Dilema 2: devo contar ao meu orientador sobre o duende quando ele meter o pau no que escrevi?

Diário de uma mestranda [1]

Hoje tive um ótimo insight para a dissertação enquanto cagava. Talvez o Lactopurga seja a solução para os meus problemas acadêmicos. Uma dúvida: devo mencioná-lo na dedicatória?

O homem perfeito

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Para compensar o longo período de ausência, vou conceder aos meus três leitores uma dose de humor autodepreciativo e exposição excessiva. Vocês já estiveram naquela fase “vi tudo, fiz tudo, as pessoas me entediam”? Tenho vivido esse limbo nos últimos meses. Daí fiquei pensando no porquê de as pessoas em geral, e os possíveis pretendentes em especial, me entediarem tanto. Para ganhar minha admiração, alguém precisa colecionar uma série de qualidades, mas nenhuma delas deve ser extremada. Eu especifico melhor nas linhas a seguir Ser inteligente, mas não CDF. Consumir alta cultura, mas não ter nojinho de entrar em boteco. Ser asseado, mas não maníaco por limpeza. Ignorar a moda, mas não se vestir de forma vergonhosa. Ter uma personalidade interessante, mas não jogar joguinhos. Ter um lado espiritual desenvolvido, mas não ser carola. Ser zen, mas não bicho grilo. Ser paciente, mas não passivo. Ser bonito, mas não do tipo que para o trânsito. Ser cavalheiro, mas não a...

Frase [VII]

Comer bem para comer bem.

Mc Donald’s faz parceria com bruxa da Branca de Neve

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Do início. Depois de ouvir boatos de que o Pikachu havia se esgotado em alguns Mc Donald’s, corri para buscar o meu. Aliás, ele é lindo. Só seria melhor se fosse em tamanho real, de pelúcia, falasse “Pikachu!” e eletrecultasse pessoas a um comando meu. Mas o amo do mesmo modo. Batizei-o Pikassu. Os puritanos talvez se escandalizem por eu mexer no nome original, mas confesso que não sou das fãs mais exemplares. Só vi a primeira temporada e talvez a segunda, não lembro, na Record (no programa da Eliana, para ser mais específica) e já me sentia velha demais, aos 12 anos. Fazia-o escondida, não comentava com ninguém na escola, embora desconfie de que muitos de meus colegas tinham o mesmo segredo. A puberdade é uma fase difícil, você tem que provar que não é mais criança, principalmente porque ainda é. Como não? Continua fazendo as mesmas coisas dos últimos anos – bater em meninos, desenhar nos cadernos, correr e pular por qualquer pretexto –, com a única diferença de usar sutiã e, ocasi...

Diálogos nerds [1]

Eu : Por que é tão difícil ver nerds gays? Será que a cultura nerd reprime a homossexualidade? Amigo nerd: Não. Nerds reprimem a sexualidade em geral. Quem precisa de sexo quando se tem uma conta no WOW?

O que vou dizer... [I]

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... quando meus filhos ou sobrinhos (o que é mais provável) perguntarem por que faz mal comer doce se é tão gostoso. Versões: a) teológica: os prazeres da carne são tentações para nos desviar do bem maior, Deus. Eles são efêmeros e, quando acabam, nos levam ao sofrimento. O alimento que o estômago pede nos satisfaz por pouco tempo, logo precisamos de mais; já o alimento do espírito, que é a palavra de Deus, nos sacia pela eternidade afora. Se você vive apenas para o corpo, o espírito passará fome e, enfraquecido, não o impedirá de pecar. É preciso atender às necessidades os dois, mas colocar o espírito, substância mais pura que a matéria corpórea, como mandante de nossa vida. Agora larga esse pacote de Negresco (como isso entrou em casa, para início de conversa?) e se troca para a gente ir à missa. b) nutricional/estética: a textura da gordura e do açúcar derretendo na boca provoca o prazer. Agora, se você acha que vale a pena ficar gordo, diabético e com veias entupidas par...

Frase (III)

Ideia para uma camiseta dessas que se acham engraçadas e têm pessoas desenhadas como placa de banheiro: "Danger: drunk girl holding a cell phone!". Se alguém usar, me mande uma de agradecimento pela sugestão de mão beijada.

Frase (II)

Just me in Microsoft World. (no kinect, no fun)

Ter 30 anos (a classe média no divã)

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Qual foi o aniversário mais feliz da sua vida? Eu acredito que, até os 19 anos, a comemoração seja uma curva ascendente de alegria. Com um ano, tem uma festa superlegal só para você. Aos dois, entende um pouco o que está acontecendo e até brinca. Aos três, ganha um brinquedo de pilha. Aos quatro, um com pecinhas pequenas. Aos cinco, você exibe sua primeira janelinha. Aos seis, consegue ler tudo o que vê pela frente. Aos sete, expõe orgulhoso um gesso cheio de assinaturas. Aos oito, já é grande o suficiente para receber jogos mais elaborados. Aos nove, dá-se ao luxo de dizer “este ano não quero nada, tem gente precisando mais do que eu”. Aos dez, já lê livro sem ilustração. Aos onze, comenta com os adultos a estratégia do seu time de futebol. Aos doze, todos ficam impressionados com os dez centímetros ganhos de repente e dizem que parece moço. Aos treze, compõe seu primeiro soneto. Aos quatorze, paga seus próprios gibis com os trocados das aulas particulares de matemática. Aos quinze...

O maravilhoso e a verdade

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Enquanto não escrevo um texto de punho próprio, deixo aqui um trecho do livro "As viagens de Gulliver", de Jonathan Swift. Neste excerto, ele faz humor sobre advogados. No romance em questão, esses eram profissionais de ética muito duvidosa que habitavam um dos países que Gulliver visita. É fascinante como a literatura maravilhosa, ao distorcer a realidade, está, na verdade, olhando-a através de uma lupa muito potente. Espero que o trecho os divirta tanto quanto me divertiu. Eu disse existir entre nós uma sociedade de homens educados desde a juventude na arte de prova, por meio de palavras multiplicadas para esse fim, que o branco é preto, e que o preto é branco, segundo eram pagos para dizer uma coisa ou outra. Todo o resto do povo é escravo dessa sociedade. Por exemplo, se o meu vizinho tenciona ficar com a minha vaca, contrata um advogado para prova que deve tirar-me a vaca. Nesse caso, tenho de contratar outro advogado para defender os meus direitos, pois é contrário...

Breve manual para ler Laurence Sterne

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Você conhece Laurence Sterne? É o cara da pintura acima (feita por Joshua Reynolds em 1760). Há um ano, eu mesma vivia minha pacata vida sem nunca ter ouvido falar dele. Agora, se você, ao contrário de mim, é um leitor atento, provavelmente achará o nome familiar. Isso porque ele é mencionado em Memórias póstumas de Brás Cubas . Segundo o defunto-autor, o pastor inglês lhe serviu de fonte de inspiração para o modo de escrever. No meio acadêmico, esse estilo ficou conhecido como forma livre. Sterne, ou Tristam Shandy, que é seu personagem-narrador, descreve sua escrita como digressiva-progressiva. Isto é, o narrador foge o tempo todo do assunto principal, conta várias historietas paralelas, volta no tempo, conversa com o leitor (xingando-o e justificando-se para ele), mas sem cair no mero enchimento de linguiça. As divagações trazem coisas importantes para a história. Eu diria até que elas são o propósito do livro em si. Só que, convenhamos, essa escrita de bêbado – que vai pra lá,...

Shopping, a gaiola das neuróticas

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O quadrinho acima saiu hoje na Folha. Não resisti e resolvi tirar um minuto para compartilhar aqui com vocês. Quem sabe um dia ainda não escrevo um texto de punho próprio? Piano, piano, estou tentando voltar à normalidade.

Vida de estagiário pode virar série!

Dando uma pequena pausa na novela policial, eu tive que postar isto! Já adorava as tirinhas da "Vida de Estagiário", do Allan Sieber, agora posso também ver a adaptação para a TV! Achei que ficou muito boa e divertida. Dá de dez a zero na da Aline, da TV Globo. Vida de Estagiário from TV Brasil on Vimeo .

Lula, a pomba da paz

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Isso que é querer agradar a todo mundo! Na foto abaixo, Lula visita o Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém (Fonte: UOL ). E, é claro, exibe toda a sua brasilianidade com esse terno preto e um kippot. Qual será a moda amanhã, quando ele visitar a Jordânia? Nosso Guia (todo crédito a Élio Gaspari), o cara da galera, viajou a Israel em missão de paz, para tentar uma conciliação na Palestina. Uma possível inspiração para Lula:

A outra

 É cedo, o DJ apenas começou a esquentar. Ninguém ainda está tão bêbado, só as mulheres mais perfeccionistas fazem o primeiro retoque na maquiagem. Quando tocar Lady Gaga, e já está quase na hora, elas querem estar prontas para cair na pista e garantir o seu. Há uma pequena fila no banheiro feminino. Olha lá culpa de quem. Uma ruiva ocupa todo o espelho, onde caberiam perfeitamente duas moças mais modestas. Quem essa pensa que é? Nem tem cara bonita, também pudera demorar tanto. Então aquela colegial entra. Morena, reconchudinha, muito lápis preto nos olhos. Mal abriu a porta e quase deu de cara na última da fila – oito metros quadrados, dez mulheres, urina por todo chão. Localizou imediatamente o motivo do tumulto. Por um segundo, apertou as pálpebras, medindo o que sentia. Não queria parecer afetada pelo álcool, embora tivesse virado na última hora pelo menos dois blood maries, seu drink favorito entre os três que conhecia. Conseguiu perguntar num tom bastante sóbrio: ― V...