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Mostrando postagens de 2016

Uma opinião sobre o aborto em mais de 140 caracteres

Enquanto todo mundo discute a questão do aborto nas redes sociais, eu fujo de me posicionar ali, pois, inevitavelmente, a gente acaba sendo tachada disso ou daquilo antes mesmo de apresentar qualquer argumento para defender um ponto de vista. Prefiro escrever neste espaço que acessa só quem quer, sem forçar amigos, colegas e familiares a curtirem minha opinião para que eu descubra se ela (e, consequentemente, toda a minha pessoa) é válida ou não. Nada disso. Estou segura desde já de que construí uma posição sólida, porque pensei com seriedade sobre o assunto, permitindo-me mudar de ideia quando apareciam dados convincentes e, claro, continuo aberta a ouvir outras perspectivas que apresentem informações de fonte segura para respaldá-las. Por muito tempo repeti: sou pessoalmente contra o aborto, não o praticaria em nenhuma circunstância nem incentivaria uma mulher próxima a cometê-lo, mas quem sou eu para determinar o que as outras devem fazer? Portanto, se uma mulher decidir isso para...

CEPíada (epopeia de uma jovem professora)

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Homenagem aos 170 anos do Colégio Estadual do Paraná ― Filha, não vá nesta jornada! A luta é árdua –                           chorou-me a mãe. Súplica vã:                           jovens são surdos. ― Mestre sou, eu sei, mudo tudo. Pura arrogância, mudei nada. Emudeci.                           Faltou-me esteio, fugi rasteira.                           Estudo indigno foi que aprendi a amar nos livros? Após quimeras e ciclopes, mais favoráveis                           ventos sopraram. Olhos pousaram                           numa torre alva. Depus as armas, vi-me salva. Este...

Discurso de formatura

Homenagem a Deus (discurso apresentado na colação de Letras da UFPR, turma 2/2015) Como estudiosa da língua, estou ciente de que os discursos não são neutros, e sim marcados ideologicamente. Por mais que desejemos representar o todo, somos limitados por nossa história. Essa limitação humana provoca divergências até nas questões mais fundamentais. Por exemplo, a experiência do divino. Ao tentar expressá-la, acabamos nos desentendendo. O que é o divino? Onde ele se manifesta? Como devemos nos relacionar com ele? São muitas as respostas. Poderíamos passar eras discutindo, como muitos já fizeram e ainda fazem, sem descobrir qual é a certa. Deus se comunica conosco em diversas línguas, e mesmo que alguns de nós sejam poliglotas, muitas vezes somos incapazes de ouvir ou não sabemos o que fazer com aquilo que nos foi dito. Eu venho aqui numa postura humilde, assumindo a possibilidade de estar errada, e desde já peço desculpas se minhas palavras não derem conta (e certamente não darão) d...

Mundo Chernobil

Agora em abril a Companhia das Letras lança “Vozes de Chernobil”, a tão esperada estreia de Svetlana Aleksiêvitch, a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015, no Brasil. Tomei conhecimento pela revista piauí, que divulgou um trecho da obra na edição de março. Achei excelente essa prévia, tão excelente que, se eu ler o livro na íntegra, talvez nunca mais funcione. Explico melhor. A jornalista bielorrussa não apenas expõe o horror daqueles que testemunharam o desastre em 1986 como reflete sobre o abismo para o qual estamos todos caminhando. Nas palavras da autora: “Algumas vezes, parece que estou escrevendo o futuro”. Que abismo é esse? Um mundo construído por nós mesmos e que nos expulsa. Evoluídos, sofisticados, nós conhecemos os termos científicos que explicam todo o processo da enrascada, sem entendermos o que é essa nova realidade. Apenas seguimos e reagimos, fazendo o que temos que fazer. Construir uma redoma para isolar a fonte radioativa. Construir hospitais para isolar ...