Postagens

Mostrando postagens com o rótulo autoajuda

Coleção de vídeos para vivenciar e entender a deprê

Meus amigos já estão cansados de receber sugestões desta página, The School of Life , mas deixo aqui uma pequena coletânea que pode ser útil para quem estiver passando por um momento de crise parecido com o que estive/estou passando. A verdade é que eu me abri muito nos posts passados justamente imaginando essa pessoa que poderia estar precisando de ajuda, como eu também estava, mas sei lá... acho que está sendo um esforço inútil, só exposição gratuita, uma vontade grande de me fazer útil para alguém ou uma esperança muito tola de alguém sentir pena de mim e me acolher. Não quero mais fazer isso, quero voltar à programação normal, só publicar textos opinativos sobre temas interessantes, exercitar um pouco minha má literatura, essas coisas... Então, ficam abaixo os vídeos para acompanhar aquele que nunca cheguei a abandonar, porque a pessoa nunca nem soube da minha existência e sequer quis ser ajudada por mim. Sobre sentir-se deprimido:  https://www.youtube.com/watch?v=UoLWYhwROBI...

Sim

Estava pensando em um cenário hipotético no qual eu, uma mulher jovem, solteira e com uma independência financeira muito recente e frágil, para não dizer questionável, ficasse grávida. A pressão mais explícita viria da família, representante desta classe-média conservadora (progressivo na concepção deles é, no máximo, ter amigo preto ou gay). Eu não te reconheço mais! Você fez sexo fora do casamento! Agiu como uma qualquer! Envergonhou seus pais! Deus te castigou! Haveria também a pressão dos colegas da minha geração, essa mais velada. Como você pode ter feito sexo sem proteção? E se tivesse pego uma doença? Essa criança vai arruinar sua carreira e sua vida sexual! Seu corpo e sua disposição nunca mais serão os mesmos! Seja pelo discurso dos velhos moralistas, seja pelo dos liberais hedonistas-cientificistas, percebo que estamos todos cegos. Como interpretar essa gravidez “fora de hora” (sem carteira assinada, sem plano de saúde, sem registro de casamento... enfim, sem “condições...

Abusar

Imagem
Entre as muitas vantagens do modo de vida moderno, está poder se sentar ao lado de um estranho no ônibus sem temer que ele vá te agredir repentinamente. A casca da civilidade garante que disfarcemos nossas emoções em locais públicos e, assim, não joguemos merda no ventilador quando estivermos putos. Você pode odiar seu vizinho, mas o “bom dia” é uma promessa de que vão dividir em paz o espaço que habitam. Agora, o que acontece com certas pessoas que até conseguem seguir essas regras básicas de convivência, mas não as levam para a vida pessoal? Por que depois de ganhar intimidade suficiente há quem vire um pequeno demônio, respondendo torto, xingando e abusando de quem ama? Que lógica existe em tratar bem os desconhecidos e martirizar os amigos e familiares? Desconfio de que alguns indivíduos se importam mais em aparentar para a sociedade bondade do que em realmente ser bons. Só não sei se isso dá conta de explicar o abuso moral que muitos praticam contra os entes queridos. Me...

Sobre a humildade

Logo após publicar o post passado, pus-me a pensar o seguinte: esperamos muito das outras pessoas, mas o que lhes oferecemos da nossa parte? Hoje gostaria de agradecer àqueles que me tratam com arrogância, pois me mostram como a soberba é detestável e me fazem desejar ser cada vez menor, mais silenciosa, menos venenosa. Este texto pequeno e simples é meu primeiro passo em busca da humildade.

I hate myself for loving you

Imagem
O título deste post foi tirado de uma música da Joan Jett (obrigada, Ni, pela indicação! Adoro vocalistas com cabelos bacanas!). Se tiverem a curiosidade de ver a letra , vão se deparar com uma bela declaração de amor a um filho da puta. Para resumir a ópera, ela diz: você me despreza, mas ainda estou aqui te querendo. Quem nunca insistiu em amar alguém mesmo sabendo que as chances de ser correspondido eram zero ou até menos? Aliás, começo a desconfiar de que as pessoas preferem amar sozinhas, como se a correspondência do ato implicasse desvalorização do sentimento. Parece-me que está em jogo o típico desejo de provar a própria importância, propor-se a conquistar algo que ninguém conseguiu, além de uma dose de impulso autodestrutivo. Esse é um lado da situação, bastante conhecido de nós, mas gostaria de enfocar também o outro, o do canalha. Você aí que sabe daquele cara ou daquela garota correndo atrás de você, coitados, e que não tem nenhuma intenção de corresponder, mas mesmo...

Agostiniana: começar do zero o tempo todo

Imagem
O que passou não existe mais, nem mesmo o minuto antes deste. Tudo morto, delegado a um lugar que não sabemos qual é, talvez até um não-lugar. O passado não é nada. Já foi um dia presente, mas, tendo-se tornado antigo, concretizando-se, acabou, torna-se irrecuperável. O mais próximo que se pode chegar dele é lembrando-se, mas a memória se dá no presente, não consegue resgatar o mesmo tempo que se foi, e mesmo a experiência rememorada não é igual à original, pois selecionamos fatos, resignificamos. Tudo morto, repito. Por que diabos, então, nos apegamos tanto ao ido? A resposta que me parece mais óbvia é que tratamos o passado como algo concreto, mesmo não sendo, porque é isso que nos dá substância, coerência quando nos perguntamos quem somos. Em geral respondemos: me nomeram X, nasci há n anos, vivi em tal lugar, estudei uma gama de temas, gastei horas ouvindo essa e aquela banda. Tudo coisas do passado. Mesmo o uso de verbos no presente, como "eu gosto disso", não par...

Sobre a bondade

Quando criança, eu achava que havia pessoas boas e pessoas más, ou melhor, totalmente boas e totalmente más. Eu era boa, claro. Os pais, os familiares e os professores, também. Os meninos bagunceiros eram maus, assim como as patricinhas e os bandidos que apareciam na TV. Era essa a lógica do meu sistema. A partir da adolescência e até bem pouco tempo atrás, mudei minha classificação de bondade. Acreditava então que todos eram essencialmente bons. Se às vezes agiam com maldade, era porque não haviam aprendido a fazer o correto. Faltava o know-how. Tão logo convivessem com exemplos adequados, perceberiam o erro e se consertariam. Digo isso por mim mesma. Tantas vezes fui grossa e egoísta, até que conheci amigas extremamente gentis como a G. e a A. e tentava imitá-las. Progredi um pouco. Acho, talvez, quem sabe. A essa regra, criei ainda uma exceção – os dias em que a preguiça tenta e a gente vai pelo caminho mais fácil: xinga, explora, esnoba. Depois sofremos sozinhos, porque somos bons ...