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Mostrando postagens de agosto, 2013

Abortos: Maiores de idade

Qual é o oposto de pedófilo? Janaína era essa palavra que falta ao nosso vocabulário. Ela dizia coisas como “adoro uma barba grisalha”, “olha que charme esse suéter bege”, “ai, que sexy a tossinha seca dele, tão subversiva”. Bom, fetiche é fetiche. Aos 25, casou-se com Mário, que estava no auge de seus 68. Bem que a mãe alertou, mas a moça foi teimosa, e ninguém se espantou quando ela comunicou estar arrependida da união apressada, exceto pelo motivo: Jana viu no baile do Carinhoso uns oitentões bem pimpões – por que diabos quis sossegar tão cedo? O marido, ciente do preço de sua sorte, comparecia todos os dias com flores e carícias, amante à moda antiga. Quanto mais ele agradava, mais ela se irritava. Se quisesse um homem tão ativo, tinha escolhido um rapaz da idade dela. Mário respondia que, se quisesse uma esposa tão ranzinza, tinha continuado com a ex-mulher. Ele logo encontrou consolo nos braços de Mara, 77, assídua frequentadora do Carinhoso que esperava por essa chance há pelo m...

Abortos: A terceira

Georgette dizia que nunca teria filhos. Arruinava o corpo, favorecia que o marido olhasse para as sirigaitas. Ela chegou aos 35 anos em boa forma, o que não impediu Robson de traí-la às vésperas dos dez anos de casamento. Pior foi o amadorismo dele, com camisinhas esquecidas no carro, SMS comprometedores de um tal de Nicolas, que na verdade era Nicole, e tudo o mais. A separação foi imediata, só não foi mais rápida que a saudade que se seguiu. Georgette logo cedeu aos convites do ex-marido para aquele restaurante romântico, um motelzinho quatro estrelas e, quando percebeu, estavam namorando. Se aquela situação já não parecia bastante juvenil, piorou quando constataram a gravidez acidental. Robson se sentiu aliviado com a notícia: ser namorado, amante e Dom Juan aos 49 anos dá um trabalhão, ele enfim poderia voltar a ser apenas o marido. A futura mamãe, por sua vez, entrou num estado de choque que só foi piorando. Sempre haveria alguém entre o casal. Se não fosse a amante era a criança....

Abortos: Dai as mãos

Tônia se sentia abençoada. Vivia um daqueles raríssimos primeiros encontros sem medo ou mentira – imaculado. Noite quente, conversa farta, as sardinhas dele no nariz, uma vontade de amor incondicional despertada pelo filme do Wes Anderson. Agora caminhavam pelo calçadão vazio, o barulho da bicicleta levada de lado lembrava o do projetor. A menina desempenhava seu papel confiante, relaxou até demais, cedeu ao diabo, agarrou a mão do amigo. Corta! Oh, horror, o que eu fiz, meu Deus? Ela soltou no susto, quis morrer para não ter que explicar. Desculpa, desculpa, sei que é muito cedo, não somos namorados. Tiago ainda riu, disse que dar as mãos não era pecado, mas a infratora assumiu a culpa irredutível, exilou-se em si mesma. O jeitinho bobinho dela o fez sorrir. Se ela não tivesse arrancado os próprios olhos, talvez tivesse notado. Ele quis ampará-la, mais de uma vez procurou a mão dela, que sempre fugia, não precisava da piedade de ninguém. No fim, nem a lua onipresente no céu pôde trans...

C.

amar sempre independente da maré e dos males plantados colhidos comidos cuspidos na cara amar sem esperar o mérito a ocasião a recompensa o príncipe amar já sem amargar amar no ódio não por causa dele mas apesar dele amar o outro em nós mais do que nós no outro amar sem possuir amar os sem posses amar por si amar em silêncio amar concretamente na poesia no asfalto na asia ao mar, sem medo!

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