Branco
Estou naquela fase em que escrever não faz sentido. Daí pensei que seria um ótimo tema para desenvolver aqui, já que nunca registro nada sobre isso por motivo óbvio: não quero escrever, dã. Muitos escritores trataram desse assunto, sobretudo em crônicas. Não é a novidade, portanto, que o torna atraente, é o desafio de insistir na escrita quando ela me parece odiosa. Primeiro porque não sai nada que preste, as frases parecem previsíveis e mal elaboradas. Segundo porque o afastamento da escrita geralmente coincide com um período de muito fôlego para leitura, e acho um desperdício não aproveitar para ler uma média de 200 páginas por dia. Mas cá estou, não lendo e escrevendo frases ruins. Às vezes penso: por que escrever se há milhares de livros excelentes já escritos e que eu sequer terei tempo de lê-los mesmo que me esforce muito? Por que não me dedicar exclusivamente à missão sisífica de ler as grandes obras? Por que gastar tantas horas – sou do tipo que reescreve mais do que escreve ...