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Mostrando postagens de janeiro, 2015

Branco

Estou naquela fase em que escrever não faz sentido. Daí pensei que seria um ótimo tema para desenvolver aqui, já que nunca registro nada sobre isso por motivo óbvio: não quero escrever, dã. Muitos escritores trataram desse assunto, sobretudo em crônicas. Não é a novidade, portanto, que o torna atraente, é o desafio de insistir na escrita quando ela me parece odiosa. Primeiro porque não sai nada que preste, as frases parecem previsíveis e mal elaboradas. Segundo porque o afastamento da escrita geralmente coincide com um período de muito fôlego para leitura, e acho um desperdício não aproveitar para ler uma média de 200 páginas por dia. Mas cá estou, não lendo e escrevendo frases ruins. Às vezes penso: por que escrever se há milhares de livros excelentes já escritos e que eu sequer terei tempo de lê-los mesmo que me esforce muito? Por que não me dedicar exclusivamente à missão sisífica de ler as grandes obras? Por que gastar tantas horas – sou do tipo que reescreve mais do que escreve ...

A praga dos romances fragmentários

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Estou lendo, bem aos poucos, Graça infinita , de David Foster Wallace, recentemente lançado pela Companhia das Letras com tradução de Caetano Galindo. Explico esse “bem aos poucos”. O livro se compõe de diversos núcleos que, embora estejam todos interligados (conferir diagrama acima), se apresentam de forma bastante fragmentada, tanto no tempo quanto no enredo, ou melhor, nos enredos. Existe um eixo temático comum, que é a caracterização da sociedade contemporânea (a importância do entretenimento, o consumo de drogas, a solidão etc.), permeando os vários núcleos, mas essas são tantas tramas e narradas sob tantas perspectivas que, por vezes, a gente se cansa e pergunta em que momento aquilo tudo vai caminhar para um ponto comum. Por experiência própria com romances contemporâneos fragmentários, o mais provável é que não chegue a um ponto comum. É aquela coisa de a estrutura literária se assemelhar mais ao caos da vida do que aos modelos ficcionais convencionados. Isso, no caso ...