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#liberteofuturo

Apesar de meu grande interesse pela esfera pública -- eu era aquela adolescente que lia o caderno de política do jornal antes dos demais e me metia na conversa de adultos para corrigi-los, depois virei jornalista, participei do movimento estudantil... --, faz uns anos que me desiludi de me engajar na política. O motivo é muito simples: quando alguém adere a um coletivo, é tragado por ele. Passa a vestir como se fossem seus os méritos do movimento e não precisa assumir a responsabilidade pelas falhas dele. As engrenagens da massificação e da trituração de individualidades que os governos autoritários de direita e esquerda exemplificam tão bem... É por esse motivo que Simone Weil é contra partidos políticos (recomendo fortemente a leitura do ensaio " Pela supressão dos partidos políticos "), além do fato de que essas organizações, a médio e longo prazo, acabam abandonando suas ideologias iniciais pelo projeto exclusivo de manutenção do poder. Todo partido é um PFL (Partido para...

Censurado

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Eu ia fazer uma piada sobre o Coiso, mas daí pensei no exército de trolls que trabalha 24 horas por dia para destruir qualquer voz dissidente -- como eles arrumam tanto ódio e tanto tempo? Receberão salário ou fazem só por amor à coisa (ao Coiso)? Moral da história: a autocensura é o primeiro passo para a censura. Eu aprendi isso com José J. Veiga, em especial com "A hora dos ruminantes", leitura que pode nos ajudar a sobreviver nos próximos anos. Sejamos corajosos. Repito para mim mesma. Se o pior acontecer e eu tiver me calado, a culpa também terá sido minha. Ensaio para ter coragem. Uma hora ousarei contar a tal piada, mas ainda não. Infelizmente meu dia não é tão longo quanto o dos trolls, e eu preciso resolver todas as minhas obrigações, que são muitas, sozinha. Então espero por dias mais calmos pós-fim-de-semestre. Mas contarei, eu preciso contar para acreditar que tenho coragem e que a sustentarei quando ela for mais necessária.

Paixões à parte, terrorismo se combate com inteligência

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Depois que eu relembrei o caminho das pedras, fiquei com vontade de voltar. Como comentei no post anterior, troquei as redes sociais pela mídia tradicional e assim venho me sentindo melhor informada. Em vez de replicar memes e incomodar meus amigos e parentes com mensagens alarmistas no Zap, acho que é hora de fazer uma autocrítica para tentar entender como chegamos a este ponto. Afinal, se tivemos 13 anos de governos supostamente de esquerda, por que de repente a extrema direita parece tão mais atrativa no Brasil -- e também no mundo? Esse processo não é súbito, vem ocorrendo há pelo menos uma década, é complexo e exige um pouco mais de dedicação da nossa parte para compreendê-lo. Quem explica bem isso é o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Gostaria de sugerir uma entrevista que achei particularmente interessante do Canal do Le Monde Diplomatique. Em geral, não gosto dos textos deles, acho a linguagem excessivamente acadêmica e panfletária, mas hoje, quando descobri o c...