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Mostrando postagens com o rótulo academia

O discurso da universidade e a democracia

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Entrei na moda da autocrítica: "O intelectual deseja geralmente ser um porta-voz, mas ele confisca a palavra que pretende representar. [...] Rancière denuncia, no seio da elite, um certo ódio pela democracia, uma recusa ao que ela teria de escandaloso: o reconhecimento de um igual valor potencial de cada voz. [...] Mas será que o povo tem necessidade das explicações dos universitários para pensar sua condição e sua ação? A universidade deve pensar 'para' ou deve pensar 'com'? E pensar significa somente saber? [...] Será que ainda podemos escutar, aprender e falar em comum?" Esses trechos foram tirados do prefácio de Jean-Luc Moriceau ao livro " Diálogos e dissidências: Michel Foucault e Jacques Rancière ", de Ângela Cristina Salgueiro Marques e Marco Aurélio Máximo Prado, publicado pela editora Appris neste ano.

Crise existencial acadêmica

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Alguém se reconhecerá no desabafo abaixo? Pensei em dividir estas angústias para lhes dizer: não estamos sozinhos em acharmos que estamos sozinhos. Porém, mesmo não estando sozinhos no sofrimento, a sensação de solidão ainda é imensa, então não acaba sendo verdade que estamos mesmo sozinhos? Bem-vindos ao clube da eterna crise da pós-graduação! E olhe que nem comecei o doutorado ainda... Diálogo mental com meu escritor favorito (preencha aqui o nome de sua preferência): Você que chegou lá, que eu tanto admiro por publicar livros de verdade, me diz como se faz para atingir um ponto em que você se sente seguro de que sabe muitas coisas ou pelo menos sabe muito bem poucas coisas? Quanto mais eu leio e penso, mais evidente fica minha ignorância sobre tudo. Isso na boca de um Sócrates, cujo valor intelectual está bem provado, parecem palavras de sabedoria, mas num contexto de modernidade, em que você é um novato precisando provar para pessoas capacitadas a sua capacidade quando voc...

"Menino de cor"

Testemunhei nesta semana uma demonstração de racismo inusitada: numa banca de concurso para professor na minha universidade. Assim que eu soube que o processo seletivo era aberto ao público, quis acompanhar as provas didáticas. Infelizmente, das três aulas a que assisti, apenas uma tinha o padrão de qualidade que eu esperava de um docente de Ensino Superior, as outras duas nem medianas chegavam a ser. Numa dessas, o candidato tentava compensar a falta de conteúdo com carisma, contava pequenas anedotas numa linguagem simples, o que resultava num ritmo até que interessante. Mas não é que, de repente, o fulano diz “menino de cor” para se referir a um personagem do conto “Uma vela para Dario”, de Dalton Trevisan? E um agravante: a caracterização colorida (preciso tirar um sarro, para não cair num lamento fastioso) do menino carregava o propósito de apontar a condição inferior desse. “Menino de cor”, repito, não é pouca bobagem. Eu tinha escutado direito? Era possível alguém dizer isso na...

Diário de uma mestranda [3]

Salva a versão final da dissertação, sinto que mereço um pequeno luxo. Acabo a noite sozinha em casa, ouvindo "Estou triste" e tomando um vinho de sete reais. Talvez eu fosse mais rica antes de ser (quase) mestre. Penso em tudo que sacrifiquei para obter este pequeno mérito. Valeu a pena? Fuck yeah! (Qual é o objetivo em dizer "não" para a única coisa que possuo, a vida presente? Se pensasse que não valia a pena, melhor era meter um tiro na cabeça. Mas cá estou ridente, tagarela e levemente cínica.)

Diário de uma mestranda [2]

Às vezes quando eu abro o documento de Word da minha dissertação, vejo que tem algumas páginas a mais do que eu me lembrava. É raro, mas acontece. Desconfio de que, quando eu estou longe do computador, um duende faz o trabalho por mim. Dilema 1: isso é plágio? Quando eu leio as novas inserções, percebo que elas não têm pé nem cabeça. Apesar disso, nunca apago. Vou lapidando até aquilo fazer algum sentido. Nem sempre consigo. Dilema 2: devo contar ao meu orientador sobre o duende quando ele meter o pau no que escrevi?

Diário de uma mestranda [1]

Hoje tive um ótimo insight para a dissertação enquanto cagava. Talvez o Lactopurga seja a solução para os meus problemas acadêmicos. Uma dúvida: devo mencioná-lo na dedicatória?

Sobre o estilo acadêmico

Hoje três pessoas vieram me falar do artigo que transcrevo abaixo. Não esperei por um quarto alerta, fui atrás de lê-lo e entendi por que despertou tanto interesse. Para continuar o trabalho de corrente, indico-o a vocês. Tomara que também lhes seja inspirador. Batalhas verbais JOÃO PEREIRA COUTINHO FOLHA DE SP - 04/09 Primeira lição: não existem grandes escritores que não sejam grandes leitores também NO DIA em que terminei de escrever a minha tese de doutorado, enviei o manuscrito para um colega. E pedi uma opinião sincera. Três dias volvidos, ele respondeu: "Você vai ser fuzilado pela banca". O problema estava na qualidade do texto. A tese estava bem escrita. Pior: bem escrita e totalmente compreensível. Eu tinha cometido uma heresia nas ciências sociais: escrever uma tese de doutorado com o propósito honesto de ser lido e compreendido. Sugestão dele para evitar o desastre: reescrever o texto e transformar cada parágrafo em paralelepípedo. Lembro essa história agora por d...

Frase (II)

Just me in Microsoft World. (no kinect, no fun)

Frase (I)

Fazer mestrado é exercitar a capacidade de argumentar e conhecer novas perspectivas para acabar não tendo assunto para puxar nenhuma conversa interessante.

Meu primeiro artigo publicado em revista acadêmica

O título já diz tudo. Se tiverem interesse, o artigo se chama Casa, caixinha: o mundo numa cabeça de alfinete . Nele analiso o conto Curtamão, relacionando ao conjunto de Tutaméia, último livro que Guimarães Rosa publicou em vida - e um dos mais complicados. Para lê-lo, acessem: http://www.uniandrade.br/mestrado/pdf/Scripta%20Alumni_N.%207_2012.pdf

Para perder o cabaço

I. Preliminares É do conhecimento de todos os dois leitores deste blog que eu venho sofrendo de um terrível bloqueio. Depois de um tempo sem postar, porque estivera ocupada descascando abacaxis acadêmicos, simplesmente esqueci o caminho da roça. Cheguei a calçar as botinas, olhar para o céu procurando sinal de chuva, aprontar a quentinha... mas tudo não passava de um ensaio sem fim. Se não me engano, foi o Bilbo Bolseiro quem disse “sair de casa é algo perigoso: você dá o primeiro passo e não sabe onde vai parar” (citação não literal, baseado na minha memória nada-confiável). Decidi seguir o exemplo desse grande hobbit. Claro que não vou logo de cara caçar tesouros guardados por um dragão. Por ora, pretendo ir até a taberna, tomar uma cerveja e voltar antes de escurecer. E que maneira melhor de praticar isso na blogosfera do que falar da minha vida? Sim, voltei a ter 14 anos de idade. Se é assim que se perde o cabaço, vamos lá. II. Hora do vamos ver Faz duas semanas que comec...