Prisão de ventre

Há dias venho escrevendo este post mentalmente. Ele ficou tão grande na minha cabeça que terei que resumi-lo, se não se importarem.

Tudo começou quando comprei a piauí deste mês na rodoviária de Araraquara. Só mencionei o local, porque me marcou muito a conversa que ouvi entre o dono da banca e um cliente. Eles diziam, exaltados, que os usuários de drogas seriam punidos pela providência divina. Viajando pelo estado de São Paulo, percebi que a diversidade enorme daquela região acirra o medo e este, por sua vez, o conservadorismo. Não sei se as coisas estão assim tão diretamente ligadas, mas as vi tão próximas e constantes que não pude deixar de fazer a relação.

Então, em posse da revista mais anárquica da Abril e tomada de “um tédio enorme da vida” (Poetinha), devorei-a em dois dias. As matérias deste mês estão todas muito boas, recomendo principalmente àqueles que se interessam por cultura (perfil de Nuno Ramos e texto sobre Gilda de Mello e Souza), ciência (perfil do possível ganhador da Medalha Fields) e política (perfil de Marina Silva). Esta última matéria me dera o argumento para o post imaginário, que, nem de longe, se parece com este, tão cheio de rodeios.

Desde o ano passado, explicitei minha preferência por Marina Silva como a próxima presidente do Brasil. Se for para ser uma mulher na presidência que seja uma ética. Eu teria vergonha de finalmente ver tal feito histórico se concretizar com uma mulherzinha nula como Dilma Rousseff.

O interessante da reportagem em questão, chamada “A verde” (ótimo título!), é o visível deslumbramento da repórter diante da perfilada. Mais de uma vez, Daniela Pinheiro descreve como a ambientalista cresce quando discursa.

Em nome da imparcialidade, a jornalista menciona várias situações em que Marina aparece cercada daquilo contra o qual luta. Por exemplo: “um Range Rover blindado” (descrevendo o carro que transportava Marina) e o envolvimento com a elite e políticos pouco ou nada éticos, como Lobão e Dirceu.

Apesar disso, não é possível encontrar alguma mácula em Marina. Ela é simples, trabalhadora, séria e pouco ambiciosa. Essa última característica, parece, impede-a de se aproximar mais da elite e fazer alianças. Pode ser esse o principal motivo para a senadora não ganhar o cargo de presidente, mas, pelo menos, vemos que os princípios dela não estão à venda. Alô, Lula?

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Não sou uma daquelas aficionadas por cultura trash – acho que isso tem até um nome; alguém sabe qual é? –, mas há uma frase de Chaves que eu sempre lembro e rio comigo mesma. Após um dos inúmeros enganos cometidos pelo protagonista, Chiquinha o repreende: “Você só não é mais burro por falta de vitaminas!”. Pensem a respeito.

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Palmeiras, por que me abandonaste?

Comentários

  1. Empataram com aquele timinho de quinta
    huehuehueuhehueuheuhe

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  2. Acho a Marina muito apagada, creio que ela nunca conseguiria se tornar presidente. Mas, entre ela e a Dilma, fuck Dilma!

    Pois é, pois é, pois é...

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