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Sonhos de uma noite de verão (reminiscências adolescentes)

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Capítulo 1: Canal 13 Estudávamos num colégio onde tudo nos era permitido, exceto vagar por aí, pensar bobagens, chegar atrasado, sair fora da hora, discutir, negar e não obedecer. Os muros eram espessos e altos, pintados num tom de cinza que só pode ter sido invenção humana – nunca vi nada igual brotar no meio do mato. As carteiras cheias de ângulos retos não nos permitiam dormir. Todas as salas eram fechadas e abarrotadas de gente. Pátio não havia. Um dia, por acaso, quando eu transgredia umas dezenas de regras, encontrei a sala dos professores. Digo “encontrei”, porque ninguém com menos de trinta anos tinha acesso a ela, ou melhor, sequer sabia que ela existia. Pois você não irá acreditar quando lhe contar onde ela ficava. No ginásio de esportes. Sim, nesse ambiente meramente decorativo que só adentramos no primeiro dia de aula. Durante o resto do ano não tínhamos por que ir até lá: as aulas de educação física eram todas teóricas. O que dizer a respeito da ultra-secreta sala d...

Feliz ceia de Natal!

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Neste fim de ano resolvi dar um tempo no desejo - que já está tão batido - e ficar com o malícia , que é bem mais Lolita. (Efeitos toscos by Mycrosoft Photo Editor)

Trash, o retorno: Fotonovela animal!

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Era uma vez um Príncipe Ancião e uma Cadela Princesa. Um dia seus olhares se cruzaram e eles se apaixonaram perdidamente. Não havia dúvida de que haviam sido feitos um para o outro, por isso, marcaram o casamento para aquele mesmo dia. Muito felizes, esperavam pela hora combinada... ... mas logo a inveja alheia os afetou. Uma feiticeira malvada entrou no castelo do Príncipe Ancião e lhe disse: “Felicito Vossa Majestade pelo matrimônio. E, como presente sincero, farei com que a Cadela Princesa morra assim que soar a meia-noite. Hahahahaha!”. No mesmo instante, envolta a uma fumaça negra e fétida, desapareceu. O Príncipe correu para junto de seu amor para aproveitar todos os instantes com ela. No entanto, não podiam deixar de lamentar a desgraça que os esperava. Naquela noite, houve uma rica festa de casamento. Um pouco antes da meia-noite, os recém-casados dançaram a valsa dos noivos. De repente, quando o sino da catedral deu a última das doze baladas, a Cadela Princesa deu...

Histórias para ex-criancinhas

Estou lendo um livro maravilhoso chamado 103 Contos de Fadas , de Angela Carter. É um compilado de histórias de várias nacionalidades que têm em comum o anonimato do autor (ou autores) e a fantasia. Os estilos variam bastante, mas os temas nem tanto (basicamente família, casamento, fortuna etc). Quando comprei essa antologia, pensei que teria um reencontro com a minha infância, pois me lembro nitidamente de ter possuído um belo encadernado de fábulas que eu tanto amava. Nele, havia histórias de princesas e bichos falantes. Um encanto sem fim! Pena que, em algum ponto da minha vida, ele sumiu e eu não me dei conta até recentemente, quando já era tarde demais. Ao topar com este belo volume de 500 páginas, papel amarelado (olhem que nome sedutor: pólen soft), bordas verde-limão e a capa listrada verde e preta, criei todo um universo de expectativas. Acima de tudo esperava reaver a candura que tive sem saber e perdi quando soube que a tinha. Mas não foi nada disso. Como descreveu o Obs...

Revisita mais do que esperada: óbvia

Você já acordou com vontade de conversar? Sim, uma conversa qualquer, banal, louca, chata (até isso vale), interessante, repetida, qualquer uma! Acho que não, né? Isso mais me parece doidice da minha cabeça, mas… Por que não passa? Para alguém que se gaba tanto de ser auto-suficiente e amante da solidão, depender desse modo de outrem – e, pior, não ter tal necessidade saciada – é aterrorizante. ** Imagino o que seja. Saudades, talvez. Da vida a que fui condicionada nos últimos dois anos e que agora (finalmente) começo a apreciar. Escolha errada, ou melhor, tardia, porque logo serei jogada para uma outra vida qualquer. Com esse sentimento de “perdi-algo-importante-mas-não-sei-o-que-é”, passei o dia arrumando as malas e, nos intervalos, lia Drummond. Ah, há quanto tempo não fazia isso… O poeta falava para mim, assim baixinho no meu ouvido, aquelas verdades que tanto doem. Confesso que não sou grande leitora dele (como não ser? que vergonha tenho por ser profana diante do verdadei...

Por que nos estupraste, Brasil?

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Não tinha a intenção de fazer tantas atualizações em um intervalo de tempo tão curto. Mas não posso deixar de divulgar o artigo que acabo de ler. É... É... enojante! Me sinto tão vil de viver de forma confortável enquanto outras pessoas (e não são poucas) passam por essa merda. A menina paraense que virou notícia Por Ligia Martins de Almeida em 27/11/2007 A prisão de uma menina de 15 anos em uma cela com 30 homens – e a violência continuada que sofreu durante o período – indignou a mídia na semana que passou, a ponto de merecer um editorial do Estado de S.Paulo sob o título de "Vergonha nacional": "No capítulo das grandes vergonhas nacionais, merece destaque o fato, especialmente sórdido, de vileza desmedida, que é a colocação de mulheres em celas com muitos homens, para que sejam exploradas e brutalizadas sexualmente... E o mais acachapante é que a governadora do Pará suspeita de que a prática é comum – não apenas em seu Estado, mas em outros locais do terr...

Sim, sim, sim, esse amor é tão profundo...

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Enfim um bom lançamento no meio musical! Amanhã sai na net o clipe de Conquest da White Stripes; é a terceira música do álbum Icky Thump a ter um vídeo – as outras duas são Icky Thump e You don’t know what love is (you do as you’re told). Nossa, quando ouvi esse último CD da banda, de cara gostei de Conquest . É o meu xodozinho, por isso foi uma agonia esperar vir esse clipe. Sem contar o desespero pela possibilidade de não o fazerem. Mas, graças ao poder divino, meu gosto não é tão diferente do de Jack e Meg e seus produtores. Apesar de toda a espera, não tenho tanto o que reclamar, porque as duas músicas anteriores que foram “videoclipadas” são excelentes, em especial a segunda que citei (o nome é muito grande pra ficar repetindo). Vejam lá: http://www.whitestripes.com/video/video.html . E reparem nos quatro detalhes de que mais gosto: 1. a expressão do Jack quando diz o verso “I suspect you've got a respectable side” logo no começo; 2. o modo de ele dançar e tocar enquanto...

Por que me estupraste, Dalton?

Apresento logo abaixo um dos meus únicos poemas da fase adulta (nota: adulta de idade e não de qualidade de escrita). Como o título do post bem indica, cada vez mais esta cidade me arranca à força a ingenuidade. ** Ponto de ônibus Frio nos braços quentes e moles e engordurados (suor produzido no ponto máximo do calor e agora seco fedor velho). Abraço bem forte a bolsa Não a cobicem, é tudo o que tenho! Ô ônibus que nunca vem! Quero logo chegar em casa tomar banho comer dormir fazer qualquer coisa até fazer nada desde que não seja aqui! — Ô, piá! Qualé? As mãos pequeninas no auge dos oito anos empurram o peito gigante do garoto de doze uma rodinha de minimendigos em volta É sinal de briga? tiro? bala perdida? Por que mais ninguém enxerga isso? Você é a única tonta que olha finja que não viu nada aja naturalmente Quero estar em qualquer lugar que não seja aqui! Crianças-macho: animaizinhos nascidos acuados. Chegam em casa Esbofeteiam a mãe Mijam no p...

Pseudocult

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Esses dias de feriado prolongado me deram o tempo necessário para pensar sobre as coisas que eu havia lido e assistido ultimamente. Embora hoje eu tenha concluído a leitura de O Morro dos Ventos Uivantes , de Emily Brontë (belíssima história indicada por Rê, Van e Mari; agora também me junto ao time de fãs), não falarei dele em particular e sim do livro que li antes, La peste , de Albert Camus. Na época da leitura, separei dois trechos que citarei logo mais. Todavia, antes, farei um breve resumo da história para localizar aqueles que não a conhecem. ** Resumo Estamos em Oran, uma cidade comum habitada por pessoas que não têm preocupações mais profundas senão os fatos cotidianos. O personagem principal é Rieux, um médico ateu que exerce sua função o melhor que pode, mas sem jamais questioná-la ou tentar mudar seu modo de vida. O conflito se apresenta quando milhares de ratos mortos aparecem por toda a cidade. Após alguns dias, são as pessoas que começam a perecer por causa d...

Endoscopia

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Ontem à noite assisti às 4 horas do filme Gone with the Wind (... E o vento levou ). Havia planejado ver duas horas num dia e duas em outro, mas não consegui parar até que se esgotasse o último minuto. Torci tanto para que Rhett ficasse... Por que nunca consigo mudar o final? Puxa, já havia lido o livro e assistido ao filme, e toda vez o Rhett vai embora. E toda vez eu sofro junto. O que mais me fascina nessa história não é simplesmente o amor complicado entre Rhett e Scarlett, mas, sobretudo, a personalidade da nossa heroína. Metade irlandesa, Scarlett O’hara é caprichosa, vaidosa, fútil, egoísta, mesquinha, falsa, gananciosa e, sem dúvida, a mulher mais linda de que já se ouviu falar... Enfim, possui todas as características para uma vilã de mão cheia. Talvez tivesse sido a antagonista, enquanto a boníssima Mellanie seria a protagonista. Porém, não se pode determinar o próprio destino. No momento em que Scarlett teve seu mundinho destruído pela Guerra Civil Americana, foi obrigada...