Por que me estupraste, Dalton?
Apresento logo abaixo um dos meus únicos poemas da fase adulta (nota: adulta de idade e não de qualidade de escrita). Como o título do post bem indica, cada vez mais esta cidade me arranca à força a ingenuidade.
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Ponto de ônibus
Frio nos braços quentes e moles e engordurados
(suor produzido no ponto máximo do calor
e agora seco
fedor velho).
Abraço bem forte a bolsa
Não a cobicem, é tudo o que tenho!
Ô ônibus que nunca vem!
Quero logo chegar em casa
tomar banho
comer
dormir
fazer qualquer coisa
até fazer nada
desde que não seja aqui!
— Ô, piá! Qualé?
As mãos pequeninas no auge dos oito anos
empurram o peito gigante do garoto de doze
uma rodinha de minimendigos em volta
É sinal de briga? tiro? bala perdida?
Por que mais ninguém enxerga isso?
Você é a única tonta que olha
finja que não viu nada
aja naturalmente
Quero estar em qualquer lugar que não seja aqui!
Crianças-macho:
animaizinhos nascidos acuados.
Chegam em casa
Esbofeteiam a mãe
Mijam no pai
Se matam entre si
e apodrecem no fundo do quintal
sem nunca terem existido.
Moles-moles de tanta cola
Boca-dura de tanta rua
Ó compaixão maldita!
Peso indesejável
Em vez de raiva por esses marginais
Que nos acuam feito bichos
Tenho pena da criança
Que aprendeu a mandar tomar no cu
Para não ter o seu próprio violado.
Enfim os pivetes se afastam xingando
Que alívio maldito!
Queria ter vivido qualquer vida que não esta.
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Ponto de ônibus
Frio nos braços quentes e moles e engordurados
(suor produzido no ponto máximo do calor
e agora seco
fedor velho).
Abraço bem forte a bolsa
Não a cobicem, é tudo o que tenho!
Ô ônibus que nunca vem!
Quero logo chegar em casa
tomar banho
comer
dormir
fazer qualquer coisa
até fazer nada
desde que não seja aqui!
— Ô, piá! Qualé?
As mãos pequeninas no auge dos oito anos
empurram o peito gigante do garoto de doze
uma rodinha de minimendigos em volta
É sinal de briga? tiro? bala perdida?
Por que mais ninguém enxerga isso?
Você é a única tonta que olha
finja que não viu nada
aja naturalmente
Quero estar em qualquer lugar que não seja aqui!
Crianças-macho:
animaizinhos nascidos acuados.
Chegam em casa
Esbofeteiam a mãe
Mijam no pai
Se matam entre si
e apodrecem no fundo do quintal
sem nunca terem existido.
Moles-moles de tanta cola
Boca-dura de tanta rua
Ó compaixão maldita!
Peso indesejável
Em vez de raiva por esses marginais
Que nos acuam feito bichos
Tenho pena da criança
Que aprendeu a mandar tomar no cu
Para não ter o seu próprio violado.
Enfim os pivetes se afastam xingando
Que alívio maldito!
Queria ter vivido qualquer vida que não esta.
Idade adulta? Se enxerga guria!
ResponderExcluirO poema é baseado em fatos reais? Detesto briga... Mas ao menos não foi dentro do ônibus (porque daí não tem para onde fugir quando a coisa piora)...
Mas é assim mesmo a triste transição da inocência interiorana para a agitada capital... Qualquer dia eu conto sobre a briga que meus pais viram na chegada à Curitiba...