Revisita mais do que esperada: óbvia
Você já acordou com vontade de conversar? Sim, uma conversa qualquer, banal, louca, chata (até isso vale), interessante, repetida, qualquer uma! Acho que não, né? Isso mais me parece doidice da minha cabeça, mas… Por que não passa? Para alguém que se gaba tanto de ser auto-suficiente e amante da solidão, depender desse modo de outrem – e, pior, não ter tal necessidade saciada – é aterrorizante.
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Imagino o que seja. Saudades, talvez. Da vida a que fui condicionada nos últimos dois anos e que agora (finalmente) começo a apreciar. Escolha errada, ou melhor, tardia, porque logo serei jogada para uma outra vida qualquer.
Com esse sentimento de “perdi-algo-importante-mas-não-sei-o-que-é”, passei o dia arrumando as malas e, nos intervalos, lia Drummond. Ah, há quanto tempo não fazia isso…
O poeta falava para mim, assim baixinho no meu ouvido, aquelas verdades que tanto doem. Confesso que não sou grande leitora dele (como não ser? que vergonha tenho por ser profana diante do verdadeiramente belo e autêntico), mas ousarei pôr minhas gadanhas sujas sobre seus versos. Vou me apossar deles para falar de mim mesma de um modo tão egoísta que, felizmente, só ocorre em poucas ocasiões.
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Li bastante coisa de Drummond hoje. Muitas eram singelas, outras engajadas, melancólicas e umedecidas em sangue próprio e também a fase erótica que só foi publicada postumamente.
Neste site (http://memoriaviva.digi.com.br/drummond/verso.htm), há vários poemas e, inclusive, alguns deles têm junto um arquivo com o autor declamando. Muito bom!
Adoto para o meu dia um poema que é muito estigmatizado, porque convivemos com ele assiduamente nos livros didáticos e somos obrigados a resolver exercícios de português sobre ele – só não ganha de No meio do caminho. Porém, se você chegou até esse ponto, peço-lhe que o (re)leia, porque é de mim que quero falar esta noite.
**
José
Carlos Drummond de Andrade
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
[e nem Maringá...]
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
[para onde, Sularien?]
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Imagino o que seja. Saudades, talvez. Da vida a que fui condicionada nos últimos dois anos e que agora (finalmente) começo a apreciar. Escolha errada, ou melhor, tardia, porque logo serei jogada para uma outra vida qualquer.
Com esse sentimento de “perdi-algo-importante-mas-não-sei-o-que-é”, passei o dia arrumando as malas e, nos intervalos, lia Drummond. Ah, há quanto tempo não fazia isso…
O poeta falava para mim, assim baixinho no meu ouvido, aquelas verdades que tanto doem. Confesso que não sou grande leitora dele (como não ser? que vergonha tenho por ser profana diante do verdadeiramente belo e autêntico), mas ousarei pôr minhas gadanhas sujas sobre seus versos. Vou me apossar deles para falar de mim mesma de um modo tão egoísta que, felizmente, só ocorre em poucas ocasiões.
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Li bastante coisa de Drummond hoje. Muitas eram singelas, outras engajadas, melancólicas e umedecidas em sangue próprio e também a fase erótica que só foi publicada postumamente.
Neste site (http://memoriaviva.digi.com.br/drummond/verso.htm), há vários poemas e, inclusive, alguns deles têm junto um arquivo com o autor declamando. Muito bom!
Adoto para o meu dia um poema que é muito estigmatizado, porque convivemos com ele assiduamente nos livros didáticos e somos obrigados a resolver exercícios de português sobre ele – só não ganha de No meio do caminho. Porém, se você chegou até esse ponto, peço-lhe que o (re)leia, porque é de mim que quero falar esta noite.
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José
Carlos Drummond de Andrade
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
[e nem Maringá...]
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
[para onde, Sularien?]
Venha para cá no meu níver para matar as saudades! E entre bastante no MSN!
ResponderExcluirEu sei que você não consegue mais viver sem a minha presença!
Hey!
ResponderExcluirEla não vive sem mim, Renata!
hahahahaha
Su, vou sentir muito sua falta :(
A gente fez tanta coisa juntas esse semestre, né?
Tô quase chorando!
E vê se entra logo no msn pra fofocarmos sobre a vinhada ;x hahahaha
Aproveita Maringá :)
Beeeijo
Ah!
ResponderExcluirE vê se treina um pouco de sinuca pra voltarmos com nossa dupla perfeita em ótima fase!
Eu vou treinar bastante aqui, prometo :)
Sandoval NUNCA mais ganhará de nós! Mesmo com o Dan empolgado =P
Beijo :*
Su! Eu tenho uma ótima desculpa!
ResponderExcluirEstou sem pc! Ele foi formatado e agora ou o mouse ou o leitor de DVD não funcionam...
36ºC¬¬
ResponderExcluirnao ta perdendo nda =.=
tá vindo para mgá?
ResponderExcluiravisa quando, ingrata! u.u