Abortos: Ainda Otelo

Eles se amavam loucamente. Às vezes, a ausência do outro chegava a doer no peito e era preciso pegar o telefone, não importava a hora, para dizer “vem logo”. Ronaldo achava Joyce a mulher mais incrível do mundo, a ponto de redimir qualquer clichê amoroso. Não entendia a ausência de filas de pretendentes à porta dela e começou a desconfiar que elas se formavam às escondidas. A jovem também tinha seus aborrecimentos: amar homem bonito é uma responsabilidade e tanto, o mundo todo esperando que ela deslizasse e libertasse o Adônis, mas levava como podia, ignorando os olhares de cobiça sobre o namorado. Ele é que não se saiu tão bem, o ciúme o tornou ríspido. Em sua cabeça, tinha certeza de que era traído. Chegou a desabafar isso para o colega de faculdade Igor, que, por seus próprios motivos, reforçava os xingamentos àquela “vadia”. Diante da mudança de comportamento do namorado, Joyce também acabou mordida pela desconfiança e começou a investigar. Igor, Igor, o nome vivia na boca dele... Você está apaixonado por esse cara, Naldo? Se estava, ela nunca soube, pois única resposta que recebeu foi uma porta na cara. Quanto ao sujeitinho, esse ficou felicíssimo em ajudar o amigo no processo de recuperação do término.

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Não sei se este é um desfecho ou uma pausa, mas sinto que a fase destas historietas de tragicomédia passou. Fica o silêncio como interlúdio até a vinda de novos projetos - e eles virão! Obrigada a todos que acompanharam esses abortos tão breves, tão feios, tão bobos.

Lista completa de contos da série "Abortos":

1. Dai as mãos

2. A terceira

3. Maiores de idade

4. Bad reputation

5. Amor livre

6. Aparição

7. Volta

8. Cegueira

9. Curto e grosso

10. Festividades

11. A um passante

12. 72 horas

13. Eternidade

14. Primeiro amor

15. O bolo

16. Ainda Otelo

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